quinta-feira, dezembro 01, 2005

Sem Lágrimas, Embora o Poema...

Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca


Durmam com os anjos que, entretanto, também me levaram, alada, porque há milagres...

4 comentários:

mfc disse...

Ainda bem que estás em contraponto com o soneto triste e lindo da Florbela.
Diverte-te.

Rosario Andrade disse...

... sem lagrimas! Ainda Bem... o poema é lindo.

Bom fim de semana. Eu vou ter uma daqueles que nao gosto... a trabalhar sabado, de prevencao... mas sempre é fim de semana!

Bjicos!

Pólux disse...

Mal imaginaria Florbela o quanto amada seria noutras eras, que não (somente) na dela!

Na varanda de Florbela

Aqui cantaste nua.
Aqui bebeste a planicie, a lua,
e ao vento deste os olhos a beber.
Aqui abandonaste as mãos
a tudo o que não chega a acontecer.

Aqui vieram bailar as estações
e com elas tu bailaste.
Aqui mordeste os seios por abrir,
fechaste o corpo à sede das searas
e no lume de ti própria te queimaste.


Eugénio de Andrade

Bom fim-de-semana. **

Anónimo disse...

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