domingo, novembro 08, 2009

As Notícias e o Mensageiro

O meu pai teve uma consulta de urgência com o cirurgião que o acompanha desde o início de todo o processo duma das doenças de que padece há já uns anos.

Estava cheio de dores e a minha mãe, aflita, falou com ele pelo telemóvel (que prontamente atendeu) e ele aceitou recebê-lo ainda nessa tarde.

Foram os dois, como sempre.
Confiam cegamente no Dr. X e a minha mãe relaxou...

Chegados da CUF, telefono a saber.

Diálogo com a minha mãe:

-Então mãe? Que disse o Dr. X?

- É grave...ou pode ser.

-Mas o que é ao certo?

- Sabes filha, não nos explicou bem, como era costume. E pareceu-me distante, até um bocadinho antipático. Não houve aquela empatia de sempre. Só disse que era grave.

- E agora?

- Volta na segunda e vai fazer uns exames.

- Mãe, vamos ter calma. E a mãe sabe que o pai está em boas mãos. Vamos esperar.

- Sim filha, vamos. Só tive pena da maneira como nos recebeu...

- Ora mãe, estaria com pressa.

Mais um dedo de conversa e despedimo-nos.

Conclusão: de facto, a partir do momento em que a notícia que um médico de quem gostamos, e que sempre sentimos do 'nosso' lado, se põe do lado da 'maldita doença' deixa de ser simpático.

Mais, deixamos de ouvir o que tem para nos dizer. Ficamo-nos pelo " é grave".

Deixo aqui um grande abraço ao Dr. X que tantas vezes agarrou o meu pai mo trouxe de volta.

E que é um médico com Maíscula, daqueles que ampara.

Aminha mãe é que se desamparou.
E aí entram a famíla, os amigos.

No meio disto tudo o meu pai.
Que, segundo a minha mãe, não notou diferença nenhuma de tratamento.
O que dá que pensar!

1 comentário:

aurora disse...

A Vida, dá que pensar...