Os meus olhos estão turvos. Vejo mal. As lágrimas da saudade antecipada começaram já a rolar.
Dois dias e vão, os meus três tesouros, num maldito aparelho com asas que algum iluminado (odioso) inventou. Que mos tira daqui e em horas mos põe a 4.000 km do mimo. Do meu Natal.
Os meus maiores feitos, os meus verdadeiros amores viscerais, vão-se.
A casa, o silêncio terrível, não consigo suportar. Daí a opção de sair daqui, para outro destino.
Nestes momentos questiono-me, de facto, àcerca da minha opção de me separar do progenitor deles. Por isto, que dói tanto. Porque ao menos podia ser um pai português, ali de Ferreira do Alentejo. Mas não, aqui a vossa amiga teve de escolher um lá da terra do sol da meia-noite. Que agora não há, por acaso. É a altura da escuridão, naquelas terras.
Assim tal qual como no meu coração, o breu.
Filhos, no Sábado à tarde, quando me ligarem a confirmar os beijos no pai presente lá no Aeroporto de Arlanda (espero eu), estarei longe daqui.
Mas perto, muito perto do vosso coração. Sempre!
quinta-feira, dezembro 14, 2006
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Olhares...
Dizem que os olhos são o espelho da alma. Serão.
Há-os de todas as cores menos encarnados (benfiquistas, isto quererá dizer qualquer coisa, questionem-se...em não sendo vampiros).
Quando olho os meus olhos em frente ao espelho, abstraindo-me de tudo o resto, começo por ver uma cor. Depois outra e mais outra, muitas.
Tento não me perder por aí e ver fundo, o que lá está dentro. A tal alma que lá estará.
Acho um exercício inglório.
Não consigo vê-la, talvez porque a sinta d'outras formas.
Nos outros, os olhos são mesmo a minha porta d'entrada.
Há aqueles que são um livro aberto. Aqueloutros que escondem tudo, com uma frieza lancinante.
E, depois, há outros ainda, que eu amei e amo. Em que entrei, entro e fico por lá, confortando-me com a transparência que encontro.
Acho que já sou feiticeira, mas só acho. Quando souber de certeza, aviso e passo a dar consultas.
Entretanto, ando a poupar (o que não tenho) para comprar uma quinta em Cacela Velha, para morrer lá, feliz. Talvez as consultas venham a ajudar...
Morte
Fim e princípio
Nesta ordem
Espíritos livres
nunca acorrentados
Circularão por esse universo afora
Para todo o sempre
Em paz
Di Feiticeira (quase quase)
Há-os de todas as cores menos encarnados (benfiquistas, isto quererá dizer qualquer coisa, questionem-se...em não sendo vampiros).
Quando olho os meus olhos em frente ao espelho, abstraindo-me de tudo o resto, começo por ver uma cor. Depois outra e mais outra, muitas.
Tento não me perder por aí e ver fundo, o que lá está dentro. A tal alma que lá estará.
Acho um exercício inglório.
Não consigo vê-la, talvez porque a sinta d'outras formas.
Nos outros, os olhos são mesmo a minha porta d'entrada.
Há aqueles que são um livro aberto. Aqueloutros que escondem tudo, com uma frieza lancinante.
E, depois, há outros ainda, que eu amei e amo. Em que entrei, entro e fico por lá, confortando-me com a transparência que encontro.
Acho que já sou feiticeira, mas só acho. Quando souber de certeza, aviso e passo a dar consultas.
Entretanto, ando a poupar (o que não tenho) para comprar uma quinta em Cacela Velha, para morrer lá, feliz. Talvez as consultas venham a ajudar...
Morte
Fim e princípio
Nesta ordem
Espíritos livres
nunca acorrentados
Circularão por esse universo afora
Para todo o sempre
Em paz
Di Feiticeira (quase quase)
terça-feira, dezembro 12, 2006
E?
Se for outra vez mentira?
Nada a fazer.
Uma vez, e só uma vez, foi. Doeu-me assim como se estivesse a ser perpretrada por flechas. Mas passou. Tudo passa.
Vou lá, outra vez, à procura daquilo que não encontrei, por cobardia mútua.
Vou, pois.
Com a fé de que desta é que é. E que se não for, o que me doer faz-me mais forte.
Um dia, uma menina pequenina teve um problema no coração. Um sopro. Ela nem sabia o que isso era mas assustou-se muito com a panóplia de coisas que lhe colaram no corpito pequenino e queria fugir. O medo dá isto. Foge-se sem saber de quê, principalmente porque se é pequenino e se tem a presciência, que é uma coisa animalesca, que nos dá a noção das coisas antes de acontecerem.
Essa menina pequenina tinha 5 anos. E viu o medo na cara dos pais, que a acompanhavam. Foi esse o deslize...deles. Assustaram-me com o seu susto. O amor parental é lixado...o mais lixado!
Nada a fazer.
Uma vez, e só uma vez, foi. Doeu-me assim como se estivesse a ser perpretrada por flechas. Mas passou. Tudo passa.
Vou lá, outra vez, à procura daquilo que não encontrei, por cobardia mútua.
Vou, pois.
Com a fé de que desta é que é. E que se não for, o que me doer faz-me mais forte.
Um dia, uma menina pequenina teve um problema no coração. Um sopro. Ela nem sabia o que isso era mas assustou-se muito com a panóplia de coisas que lhe colaram no corpito pequenino e queria fugir. O medo dá isto. Foge-se sem saber de quê, principalmente porque se é pequenino e se tem a presciência, que é uma coisa animalesca, que nos dá a noção das coisas antes de acontecerem.
Essa menina pequenina tinha 5 anos. E viu o medo na cara dos pais, que a acompanhavam. Foi esse o deslize...deles. Assustaram-me com o seu susto. O amor parental é lixado...o mais lixado!
A New Day As Come
É.
Quando menos se espera, a escuridão vai-se. Vemos luz e sol e azul e verde e tudo.
A vida é, de repente, policromática.
Sou abençoada, só pode.
Obrigada L.
Coração? Apelido.
Quando menos se espera, a escuridão vai-se. Vemos luz e sol e azul e verde e tudo.
A vida é, de repente, policromática.
Sou abençoada, só pode.
Obrigada L.
Coração? Apelido.
domingo, dezembro 10, 2006
O Poder de Ser Autêntico
Quando, num ímpeto
Trocamos fluídos,
Trocamos âmagos, carnes.
É uma sensação boa,
O prazer puro.
Quando ele vem, então,
Subrrepciamente,
Acompanhado daquele sentimento maior,
É sublime.
E os gritos de prazer que acontecem,
Ensurdecedores.
Suores
Suor quente
Suor frio
Suor da paixão, cola almas.
Trocamos fluídos,
Trocamos âmagos, carnes.
É uma sensação boa,
O prazer puro.
Quando ele vem, então,
Subrrepciamente,
Acompanhado daquele sentimento maior,
É sublime.
E os gritos de prazer que acontecem,
Ensurdecedores.
Suores
Suor quente
Suor frio
Suor da paixão, cola almas.
sábado, dezembro 09, 2006
Novas Versões e Eu
Aversão. Avisam-me ali, há uma. Mude, ande...
Não mudo.
Não, não e não, ora.
E outra coisa.
Presta muita atenção, quando aqui clicares...
Nunca tentes arrepiar caminho, pensando que chegas aqui mais depressa. Até pode ser que sim, que chegues, mas passa-te ao lado uma miríade de informação que é imprescindível, se te interessar conhecer-me profundamente. Pensa nisto.
Ok, nem eu percebo muito bem porque senti a necessidade de escrever este poste mas, como sempre, o impulso apareceu e eu respeitei-o. Os impulsos são fixes e profícuos em aprendizagem.
E, se bem me conheço, é só outra catarse...
Não mudo.
Não, não e não, ora.
E outra coisa.
Presta muita atenção, quando aqui clicares...
Nunca tentes arrepiar caminho, pensando que chegas aqui mais depressa. Até pode ser que sim, que chegues, mas passa-te ao lado uma miríade de informação que é imprescindível, se te interessar conhecer-me profundamente. Pensa nisto.
Ok, nem eu percebo muito bem porque senti a necessidade de escrever este poste mas, como sempre, o impulso apareceu e eu respeitei-o. Os impulsos são fixes e profícuos em aprendizagem.
E, se bem me conheço, é só outra catarse...
sexta-feira, dezembro 08, 2006
I Thought That We Could Make It...
E, às tantas, conseguimos mesmo...queres ver?
Hoje, quando dançarmos, ou quando eu dançar para ti, saberemos.
A música, ai a música...
Hoje, quando dançarmos, ou quando eu dançar para ti, saberemos.
A música, ai a música...
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Coisas Realmente Estranhas
É um facto que eu não sou normal (ler, vulgar, mas sem a conotação ignóbil da palavra, porque vulgar, vulgo, mulher de todos e de nenhum).
Às vezes questiono-me seriamente sobre o que quero e o que faço. Se há sintonia ou engano. Normalmente passo a questão, deixo-a pendurada, sem resposta, escudada na falta de tempo para avaliações.
Sou uma mulher complexa, mas acho que é uma afirmação redundante. Somos todas.
Há alturas em que acho que procuro ser elaborada para fugir a uma simplicidade fácil, que me resolveria muitas questões pendentes. Porque o faço? Ando a ver se descortino.
Entrementes, ouço umas vozes internas, dia sim dia não, que me sussuram algumas verdades incontornáveis. Uma delas? Sou uma mulher a sério, daquelas rijas, de mérito e de força. Que luta, parecendo que se entrega. Que acredita, mostrando o contrário. Que, sendo paradoxal, é verdadeira.
E que vencerá. Óuó.
Amo-me, hoje!
Às vezes questiono-me seriamente sobre o que quero e o que faço. Se há sintonia ou engano. Normalmente passo a questão, deixo-a pendurada, sem resposta, escudada na falta de tempo para avaliações.
Sou uma mulher complexa, mas acho que é uma afirmação redundante. Somos todas.
Há alturas em que acho que procuro ser elaborada para fugir a uma simplicidade fácil, que me resolveria muitas questões pendentes. Porque o faço? Ando a ver se descortino.
Entrementes, ouço umas vozes internas, dia sim dia não, que me sussuram algumas verdades incontornáveis. Uma delas? Sou uma mulher a sério, daquelas rijas, de mérito e de força. Que luta, parecendo que se entrega. Que acredita, mostrando o contrário. Que, sendo paradoxal, é verdadeira.
E que vencerá. Óuó.
Amo-me, hoje!
quarta-feira, dezembro 06, 2006
terça-feira, dezembro 05, 2006
Das Sincronicidades...
Como qualquer divindade, o acaso tem exigências.
São-lhe devidas devoções. Fazem-se devoções ao acaso
estando-se na sua presença. À sua disposição.
Permanentemente. Todos os sentidos em luta,
os cinco conhecidos, e os não reconhecidos
pelo nosso mundo enfermo. De maneira a não o deixar escapar
se ele ultrapassar as marcas.
Christiane Rochefort
'QUANDO O ACASO DEIXA DE PODER REFUGIAR-SE NO ACASO DOS ACASOS'
De qualquer maneira hoje tive um sonho estranho. Tenho cá para mim que foi o fechar dum ciclo. Já me tinha acontecido antes mas não a dormir, quando descobri um caco ali, perdido, no chão do quarto.
Desta vez, colei os cacos fictícios, num enredo que criei durante o estado de semiconsciência do sono.
(e percebi, ainda, porque detesto André Sardet, ou melhor, aquela música que o catapultou para um sucesso, tão inusitado quanto inexplicável)
São-lhe devidas devoções. Fazem-se devoções ao acaso
estando-se na sua presença. À sua disposição.
Permanentemente. Todos os sentidos em luta,
os cinco conhecidos, e os não reconhecidos
pelo nosso mundo enfermo. De maneira a não o deixar escapar
se ele ultrapassar as marcas.
Christiane Rochefort
'QUANDO O ACASO DEIXA DE PODER REFUGIAR-SE NO ACASO DOS ACASOS'
De qualquer maneira hoje tive um sonho estranho. Tenho cá para mim que foi o fechar dum ciclo. Já me tinha acontecido antes mas não a dormir, quando descobri um caco ali, perdido, no chão do quarto.
Desta vez, colei os cacos fictícios, num enredo que criei durante o estado de semiconsciência do sono.
(e percebi, ainda, porque detesto André Sardet, ou melhor, aquela música que o catapultou para um sucesso, tão inusitado quanto inexplicável)
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Amores ou Assim...
There are those who can leave love or take it
Love to them is just what they make it
I wish that I were the same
But love is my fav'rite game
I fall in love too easily
I fall in love too fast
I fall in love too terribly hard
For love to ever last
My heart should be well-schooled
'Cause I've been burned in the past
And still I fall in love too easily
I fall in love too fast
I fall in love too easily
I fall in love too fast
I fall in love too terribly hard
For love to ever last
Sammy Cahn / Jule Styne
:) Lindo...obrigada!
Love to them is just what they make it
I wish that I were the same
But love is my fav'rite game
I fall in love too easily
I fall in love too fast
I fall in love too terribly hard
For love to ever last
My heart should be well-schooled
'Cause I've been burned in the past
And still I fall in love too easily
I fall in love too fast
I fall in love too easily
I fall in love too fast
I fall in love too terribly hard
For love to ever last
Sammy Cahn / Jule Styne
:) Lindo...obrigada!
sábado, dezembro 02, 2006
E Se?
As dores que tenho agora, que me impedem de qualquer movimento, serão um alerta?
Sei que não me mexo. Não consigo. Tenho dores horríveis.
Sei que tinha uma noite planeada e que fui obrigada a desmarcar.
Que estou irritada...
O que tiro de bom disto?
Eu conto.
O meu pai, o meu querido pai, deu-me uma massagem no pescoço com Ozonol, passo a publicidade.
O meu pai tocou-me com as mãos de quem ama profundamente, sem esperar nada em troca. O meu pai chegou ao meu coração e eu ao dele como nunca me lembro de ter acontecido. Cuidou de mim. E partilhámos meia hora da intimidade que sempre nos faltou. E, graças a Deus, nem viu as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
Fico com esta consolação. Fui filha dum pai que me mimou e que me tratou, com um amor que só mesmo ele poderá ter por mim. Mais ninguém.
Obrigada, meu pai.
Sei que não me mexo. Não consigo. Tenho dores horríveis.
Sei que tinha uma noite planeada e que fui obrigada a desmarcar.
Que estou irritada...
O que tiro de bom disto?
Eu conto.
O meu pai, o meu querido pai, deu-me uma massagem no pescoço com Ozonol, passo a publicidade.
O meu pai tocou-me com as mãos de quem ama profundamente, sem esperar nada em troca. O meu pai chegou ao meu coração e eu ao dele como nunca me lembro de ter acontecido. Cuidou de mim. E partilhámos meia hora da intimidade que sempre nos faltou. E, graças a Deus, nem viu as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
Fico com esta consolação. Fui filha dum pai que me mimou e que me tratou, com um amor que só mesmo ele poderá ter por mim. Mais ninguém.
Obrigada, meu pai.
Das Sintonias...
Acordei com um torcicolo. Não consigo mexer o pescoço.
E então? Bom, terá a ver com uma certa tensão que sofri ontem, disfarçadamente. Quando não exteriorizo o que sinto dá nisto.
Arrisquei ir a um encontro com desconhecidos vários, mas com uma história comum: Transtorno do Pânico.
Confesso aqui que, lá para as 17h, comecei a entrar em ansiedade extrema, não sei se por o tema das nossas conversas circular à volta disso. Mas fiquei com o grupo até Às 19h30.
Disfarcei. Não queria contagiar ninguém.
Acho que o torcicolo é disso, do disfarce. A tensão muscular acumulada.
Estava sol, na Expo. Houve sintonia imediata entre os convivas e a linguagem empática. De quem sabe os dramas que vive e conquista vitórias devagarinho.
Hoje vou lanchar com o meu pai. Meu querido pai. Vou aproveitar todos os minutos para lhe pedir colo e para receber mimo. Porque sei que não haverá muito mais tempo para o ter.
De todo estou derrotista em relação à vida. Percebo, cada vez com mais clareza, que é disto que se trata, viver: tirar dos momentos a parte boa, aproveitar a parte má para aprender e melhorar.
(confesso que o meu astrofísico me tem ajudado muito:) )
E então? Bom, terá a ver com uma certa tensão que sofri ontem, disfarçadamente. Quando não exteriorizo o que sinto dá nisto.
Arrisquei ir a um encontro com desconhecidos vários, mas com uma história comum: Transtorno do Pânico.
Confesso aqui que, lá para as 17h, comecei a entrar em ansiedade extrema, não sei se por o tema das nossas conversas circular à volta disso. Mas fiquei com o grupo até Às 19h30.
Disfarcei. Não queria contagiar ninguém.
Acho que o torcicolo é disso, do disfarce. A tensão muscular acumulada.
Estava sol, na Expo. Houve sintonia imediata entre os convivas e a linguagem empática. De quem sabe os dramas que vive e conquista vitórias devagarinho.
Hoje vou lanchar com o meu pai. Meu querido pai. Vou aproveitar todos os minutos para lhe pedir colo e para receber mimo. Porque sei que não haverá muito mais tempo para o ter.
De todo estou derrotista em relação à vida. Percebo, cada vez com mais clareza, que é disto que se trata, viver: tirar dos momentos a parte boa, aproveitar a parte má para aprender e melhorar.
(confesso que o meu astrofísico me tem ajudado muito:) )
quinta-feira, novembro 30, 2006
Das Experiências da Vida vs Ser Mãe...
18 anos.
Primeiro desgosto de amor.
Pedido de socorro a uma mãe absolutamente néscia nessa questão.
Conselhos possíveis: seca as lágrimas, meu amor; tens a vida pela frente; nada nem ninguém merece que baixes os braços, que deixes de lutar por ti; eu estou e estarei aqui, sempre, para te lamber as lágrimas.
Diz-me ele: é muita coisa ao mesmo tempo, mãe; é o avô que tem cancro (pois, o meu querido pai, soube-o ontem, operação marcada para 20 de Dezembro); é o pai que já não sabe se posso passar o Natal com ele; tive um irmão e não o conheço; porque tiveste que o deixar, de te separar assim? a minha vida está de pernas para o ar; mãe, socorro.
Muitos beijos e abraços depois, serena.
É difícil ter 42 anos, quanto mais 18.
Primeiro desgosto de amor.
Pedido de socorro a uma mãe absolutamente néscia nessa questão.
Conselhos possíveis: seca as lágrimas, meu amor; tens a vida pela frente; nada nem ninguém merece que baixes os braços, que deixes de lutar por ti; eu estou e estarei aqui, sempre, para te lamber as lágrimas.
Diz-me ele: é muita coisa ao mesmo tempo, mãe; é o avô que tem cancro (pois, o meu querido pai, soube-o ontem, operação marcada para 20 de Dezembro); é o pai que já não sabe se posso passar o Natal com ele; tive um irmão e não o conheço; porque tiveste que o deixar, de te separar assim? a minha vida está de pernas para o ar; mãe, socorro.
Muitos beijos e abraços depois, serena.
É difícil ter 42 anos, quanto mais 18.
Tanta Gente
Tanto barulho.
Tantos corpos sem caras, sem sentido.
Corro à procura da saída,
que me tire daqui, deste sufoco.
Começo a andar devagar e vislumbro-a.
Há uma porta branca com um sol pintado de amarelo.
Abro-a, confiante. A fuga!
E, sem contar, estás lá.
E agarras-me.
E possuis-me ali mesmo, contra a tal porta branca com um sol pintado de amarelo.
Num instante, repintamos o mundo, o sol a lua e as estrelas.
Doutra cor. Da cor do sonho!
Tantos corpos sem caras, sem sentido.
Corro à procura da saída,
que me tire daqui, deste sufoco.
Começo a andar devagar e vislumbro-a.
Há uma porta branca com um sol pintado de amarelo.
Abro-a, confiante. A fuga!
E, sem contar, estás lá.
E agarras-me.
E possuis-me ali mesmo, contra a tal porta branca com um sol pintado de amarelo.
Num instante, repintamos o mundo, o sol a lua e as estrelas.
Doutra cor. Da cor do sonho!
terça-feira, novembro 28, 2006
Poema do Mestre e Considerações Vulgares...
R o d o p i o
Volteiam dentro de mim,
Em rodopio, em novelos,
Milagres, uivos, castelos,
Forcas de luz, pesadelos,
Altas torres de marfim.
Ascendem hélices, rastros...
Mais longe coam-me sóis;
Há promontórios, faróis,
Upam-se estátuas de heróis,
Ondeiam lanças e mastros.
Zebram-se armadas de cor,
Singram cortejos de luz,
Ruem-se braços de cruz,
E um espelho reproduz,
Em treva, todo o esplendor...
Cristais retinem de medo,
Precipitam-se estilhaços,
Chovem garras, manchas, laços...
Planos, quebras e espaços
Vertiginam em segredo.
Luas de oiro se embebedam,
Rainhas desfolham lírios:
Contorcionam-se círios,
Enclavinham-se delírios.
Listas de som enveredam...
Virgulam-se aspas em vozes,
Letras de fogo e punhais;
Há missas e bacanais,
Execuções capitais,
Regressos, apoteoses.
Silvam madeixas ondeantes,
Pungem lábios esmagados,
Há corpos emaranhados,
Seios mordidos, golfados,
Sexos mortos de ansiantes...
(Há incenso de esponsais,
Há mãos brancas e sagradas,
Há velhas cartas rasgadas,
Há pobres coisas guardadas -
Um lenço, fitas, dedais...)
Há elmos, troféus, mortalhas.
Emanações fugidias,
Referências, nostalgias,
Ruínas de melodias,
Vertigens, erros e falhas.
Há vislumbres de não-ser,
Rangem, de vago, neblinas;
Fulcram-se poços e minas,
Meandros, pauis, ravinas
Que não ouso percorrer...
Há vácuos, há bolhas de ar,
Perfumes de longes ilhas,
Amarras, lemes e quilhas -
Tantas, tantas maravilhas
Que se não podem sonhar!...
Mário de Sá Carneiro
O Poeta. Paris, Maio de 1913
Sou vulgar
Não sei (d)escrever o amor
Mas senti-lo nos ossos, dóidos roídos
Pelo meu corpo, na força do teu
Que magoa, num prazer bom
Sem medidas
Isso? Vivo.
Di
Aprendiz de Feiticeira. Lisboa, Novembro de 2006
(sem direito a itálicos, ainda)
Volteiam dentro de mim,
Em rodopio, em novelos,
Milagres, uivos, castelos,
Forcas de luz, pesadelos,
Altas torres de marfim.
Ascendem hélices, rastros...
Mais longe coam-me sóis;
Há promontórios, faróis,
Upam-se estátuas de heróis,
Ondeiam lanças e mastros.
Zebram-se armadas de cor,
Singram cortejos de luz,
Ruem-se braços de cruz,
E um espelho reproduz,
Em treva, todo o esplendor...
Cristais retinem de medo,
Precipitam-se estilhaços,
Chovem garras, manchas, laços...
Planos, quebras e espaços
Vertiginam em segredo.
Luas de oiro se embebedam,
Rainhas desfolham lírios:
Contorcionam-se círios,
Enclavinham-se delírios.
Listas de som enveredam...
Virgulam-se aspas em vozes,
Letras de fogo e punhais;
Há missas e bacanais,
Execuções capitais,
Regressos, apoteoses.
Silvam madeixas ondeantes,
Pungem lábios esmagados,
Há corpos emaranhados,
Seios mordidos, golfados,
Sexos mortos de ansiantes...
(Há incenso de esponsais,
Há mãos brancas e sagradas,
Há velhas cartas rasgadas,
Há pobres coisas guardadas -
Um lenço, fitas, dedais...)
Há elmos, troféus, mortalhas.
Emanações fugidias,
Referências, nostalgias,
Ruínas de melodias,
Vertigens, erros e falhas.
Há vislumbres de não-ser,
Rangem, de vago, neblinas;
Fulcram-se poços e minas,
Meandros, pauis, ravinas
Que não ouso percorrer...
Há vácuos, há bolhas de ar,
Perfumes de longes ilhas,
Amarras, lemes e quilhas -
Tantas, tantas maravilhas
Que se não podem sonhar!...
Mário de Sá Carneiro
O Poeta. Paris, Maio de 1913
Sou vulgar
Não sei (d)escrever o amor
Mas senti-lo nos ossos, dóidos roídos
Pelo meu corpo, na força do teu
Que magoa, num prazer bom
Sem medidas
Isso? Vivo.
Di
Aprendiz de Feiticeira. Lisboa, Novembro de 2006
(sem direito a itálicos, ainda)
domingo, novembro 26, 2006
Não Queiras Saber de Mim...
Carlos Tê / Rui Veloso
Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim
Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo
Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado
Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim
Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje não me recomendo
Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim
Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim
Hoje não me recomendo
Mas tu pões esse vestido
E voas até ao topo
E fumas do meu cigarro
E bebes do meu copo
Mas nem isso faz sentido
Só agrava o meu estado
Quanto mais brilha a tua luz
Mais eu fico apagado
Amanhã eu sei já passa
Mas agora estou assim
Hoje perdi toda a graça
Não queiras saber de mim
Dança tu que eu fico assim
Porque eu estou que não me entendo
Não queiras saber de mim
Hoje não me recomendo
Dum Amigo!
"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo.
Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam...
E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.
Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto.
Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados.
Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências.
Aprendes que paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar.
Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas.
Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes.
Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores.
E aprendes que realmente podes suportar mais ... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!
As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
* William Shakespeare*
E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo.
Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam...
E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.
Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto.
Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados.
Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências.
Aprendes que paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar.
Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas.
Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes.
Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores.
E aprendes que realmente podes suportar mais ... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!
As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
* William Shakespeare*
sábado, novembro 25, 2006
Estranhas Sensações!
Fui agora mesmo acordada com os gritos de alegria dos meus três rapazes. Celebravam o nascimento do irmão, hoje, às 4h da manhã.
Estranheza.
Percorre-me um sentimento ambivalente. Não fui eu a mãe, não tive as dores e dormia na paz dos anjos àquela hora matutina.
Sinto aquele rapaz como um bocadinho meu. Tem no sangue o sangue dos meus.
Que sejas muito feliz, Anton.
Que consigas crescer rodeado destes irmãos que já te adoram sem te ter visto. Que os quatro sejam sempre os maiores companheiros.
Nota: nasceu no mesmo dia do meu amigo Jorge, aquele de quem já aqui falei e que, se cá estivesse, faria hoje 41 anos.
Estranheza.
Percorre-me um sentimento ambivalente. Não fui eu a mãe, não tive as dores e dormia na paz dos anjos àquela hora matutina.
Sinto aquele rapaz como um bocadinho meu. Tem no sangue o sangue dos meus.
Que sejas muito feliz, Anton.
Que consigas crescer rodeado destes irmãos que já te adoram sem te ter visto. Que os quatro sejam sempre os maiores companheiros.
Nota: nasceu no mesmo dia do meu amigo Jorge, aquele de quem já aqui falei e que, se cá estivesse, faria hoje 41 anos.
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