segunda-feira, janeiro 25, 2010

"O oposto do amor"

"Qual é o oposto do amor? Podemos pensar que é o ódio, mas essa talvez não seja a melhor resposta. Um sábio diria que o oposto do amor pode bem ser o medo.Ouvi esta meditação numa conferência da neta do Mahatma Gandhi, Tara Gandhi, na Fundação Gulbenkian, terça-feira, em Lisboa. O ensinamento flutuou quase anónimo, sem parecer importante. As ideias orientais são por vezes incompreensíveis para nós, materialistas do ocidente, e algumas opiniões da conferencista eram difíceis de aceitar. Ela usava um discurso de estranha humildade, tornando mais improvável a nossa aceitação.Podemos dizer de outra maneira este pensamento iluminado: o que impede o amor não é o ódio, mas sim o medo. Isto aplica-se às nações, aos conflitos entre amantes, às discórdias civis das sociedades. Temos medo; em resposta, parecemos destilar ódio, mas apenas mostramos o temor do desconhecido. A vertigem assusta e quanto maior o receio, maior a rejeição do que se teme.
Esta realidade está mais próxima de nós do que parece. Ela rodeia-nos. O medo explica a inveja, a guerra preventiva, a hostilidade, o ciúme, a resistência; o medo explica a gritaria no debate, a indecisão ferida, o erro destrutivo, a dúvida, o desprezo. Veja-se com distanciamento: existe medo à nossa volta, uma tensão social feita de pequenas inseguranças, de apreensão pelo futuro, de sobressalto permanente. Deixámos de ter uma vida, deixámos de ter estabilidade. E o temor produz agressão: não queremos ouvir o outro, tudo o que ele nos diga soa a estranho ou maléfico e pode ser reduzido a minúsculos fragmentos negativos; repetiremos mil vezes a mentira, transformando a possibilidade em antipatia, o diálogo em discórdia, o amor em miséria.Num mundo materialista, é difícil perceber a ideia da não-violência. Ela exige um penoso ponto de partida, tão inaceitável para a razão interesseira, de que o nosso inimigo nunca o é verdadeiramente; antes o que parece ódio não passa de pânico e susto, sendo por isso digno da compaixão, da lástima que se tem pelo próximo, daquele que no fundo é igual a nós."


Luís Naves no Albergue Espanhol

Trouxe o texto para o semifrio porque, não conseguindo há muito escrever por razões várias, está aqui muito do que apetecia partilhar...

domingo, janeiro 03, 2010

Olá Pessoas

Uma passagem rápida, feita de teimosia e uma pitada de irritação.

É que persisto e garanto (em vão) que não acabou nenhuma década com a entrada em 2010.

Não, não e não.

Entrámos sim no seu último ano da tal dita década!!!

Por isso, balanços dos 10 anos , fazemos em ..11, deal?

(eu sou, sou irritadiça e às vezes por pouco...mas esta sou eu, hélas)

Bem Aventuranças

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Agora o Amor

Coisa complicada,
deslinear,
desarrumada,
baralhada,
extemporânea,
despropositada
e, mais que tudo, parva.

Bem podia não existir, para bem de todos.

Ok, ok, para MEU bem!

Gaita...

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Extra Ordinário

Um momento, por favor.

Reflectindo absurdos assim de repente...

Aqueles homossexuais que entretanto já adoptaram???

Coitados, nunca vão poder casar.

Isto sim é discriminação da grossa. Como é que se sai deste redondel?

Estou deveras perplexa com esta assumpção e aposto que ninguém pensou nisto!

Tsssc.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Serei Só Eu?

Que acho que os publicitários da área dos Perfumes fazem um esforço hercúleo para que cada anúncio seja mais parvo do que o outro?

Que faça menos sentido?

Que sejam todos um arrazoado de imagens e sons baralhados, pretenciosos, pirosos e ridiculamente ausentes de qualquer mensagem minimamente tangível????

Porquê?

(o que isto m'irrita)

Marquetinguistas, cheguem-se à frente se puderem e esclareçam-me, ok?

É que então agora, no Natal, o bombardeio é insuportável, chiça!!!!!!

Palavra de Honra que não vou usar nem uma marca que me lembre de ver passar na TV.
Pronto.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Kaarina

A mãe do Matti, meu ex marido, morreu ontem.

Portanto, morreu a minha sogra.

Para quem não sabe, o estatuto jurídico de sogra não se dissolve com o divórcio.
Dá que pensar mas tem a sua lógica se pensarmos que também é sempre 'vó dos nossos filhos. No caso Mummu, que é o equivalente em finlandês.
Para mim nunca foi Kaarina, sempre foi haiiti, mãe nessa lingua.

Sempre gostou de mim, muito.
E eu dela porque me segurou lá, em Estocolmo, nos momentos difíceis e foi mesmo uma haiiti para mim.

Ontem chorei a despedida de longe.

Abracei daqui, como pude, o Matti que adorava aquela mãe, embora ainda hoje ele use esse nome para a minha também, e sei que sentido.

Chorei com a Margit, a minha cunhada irmã, que vai ser sempre.

Afinal, a verdade é que só somos pessoas cujos papéis rasgados não conseguem, de todo, quebrar a nossa história.

Só fica de fora, para ser seca e grossa, o amor carnal do parceiro abandonado...

Descanse em Paz Mummu e morreu-me deixando muita saudade*

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Ondas

Mar
Lago
Rio
Cascata
Ribeiro

Piscina
Jacuzi
Banheira

A verdade e depois os compartimentos estanques a transbordar de cloro, que a arteficialidade criou.

Eu gosto da água selvagamente real, aquela em que mergulhamos e que, mesmo que não queiramos, lá nos entupimos de pirulitos.

Eu sou mesmo mais Mar...

sexta-feira, novembro 27, 2009

Plágio Descarado

"Primeira conjugação, raras pessoas, modo inevitável.Linguista nenhuma me convence de que amar é um verbo regular."

António Beja

A autoria pertence àquele nome que não é só isso, um nome.

É um ser humano raro que eu tenho o privilégio de conhecer.

E gostar :)

Um beijo para ti*

sexta-feira, novembro 20, 2009

"Amalgamada"

Martin com recaída gripal. Aquela da semana passada, em pior!

Eu com a garganta feita num 8 dores no corpo e com vontande de me estender.

Zanga séria com o Bernardo.

O Henrique recusa a adaptação à nova Escola. Anda só, nunca almoça e embora com excelentes notas até agora só quer sair de lá.

Tumor do pai no Lobo Central, benigno e em remissão.

Tac abdominal com resultados excelentes. Embora tenha começado subitamente a perder peso e com uma diarreia persistente há 3 semanas concomitante com um quase desistir, nada de metástases.

Viver é isto.

Hoje não dormi, com o meu querido filho com dores de cabeça lancinates e quase 40º de febre.

Acordou melhor.

O medo ainda cá está!

terça-feira, novembro 17, 2009

Poste Com Bolinha Mas Pequenina

_ Ambrósio, apetecia-me algo...doce, sei que não é o momento...

_ Senhora, tomei a liberdade de por mel na pila.

Desculpem, mas já ninguém aguenta.
Nem a classe média-baixa a quem o anúncio é dirigido e aposto!!!

A madame há anos que não muda de vestido, de discurso, de Ambrósio.

O Ambrósio há anos que lhe responde com o mesmo discurso, com a pirosérrima caixa que abre sozinha com o cholate lá dentro.

Há anos que a madame se surpreende com a perspicácia do Ambrósio.

Assim, proponho uma reviravolta na estória, virada para o lado erótico dum mordomo, mas muito mais interessante!

quinta-feira, novembro 12, 2009

Optimismo ou Negligência?

Era hoje e esqueci-me de ir buscar o resultado da mamografia...

Amanhã também não vou que é dia 13, sexta-feira....chiça.

A ver, lá para segunda.

(não, não há aqui nenhum processo de negação, em parecendo)

domingo, novembro 08, 2009

As Notícias e o Mensageiro

O meu pai teve uma consulta de urgência com o cirurgião que o acompanha desde o início de todo o processo duma das doenças de que padece há já uns anos.

Estava cheio de dores e a minha mãe, aflita, falou com ele pelo telemóvel (que prontamente atendeu) e ele aceitou recebê-lo ainda nessa tarde.

Foram os dois, como sempre.
Confiam cegamente no Dr. X e a minha mãe relaxou...

Chegados da CUF, telefono a saber.

Diálogo com a minha mãe:

-Então mãe? Que disse o Dr. X?

- É grave...ou pode ser.

-Mas o que é ao certo?

- Sabes filha, não nos explicou bem, como era costume. E pareceu-me distante, até um bocadinho antipático. Não houve aquela empatia de sempre. Só disse que era grave.

- E agora?

- Volta na segunda e vai fazer uns exames.

- Mãe, vamos ter calma. E a mãe sabe que o pai está em boas mãos. Vamos esperar.

- Sim filha, vamos. Só tive pena da maneira como nos recebeu...

- Ora mãe, estaria com pressa.

Mais um dedo de conversa e despedimo-nos.

Conclusão: de facto, a partir do momento em que a notícia que um médico de quem gostamos, e que sempre sentimos do 'nosso' lado, se põe do lado da 'maldita doença' deixa de ser simpático.

Mais, deixamos de ouvir o que tem para nos dizer. Ficamo-nos pelo " é grave".

Deixo aqui um grande abraço ao Dr. X que tantas vezes agarrou o meu pai mo trouxe de volta.

E que é um médico com Maíscula, daqueles que ampara.

Aminha mãe é que se desamparou.
E aí entram a famíla, os amigos.

No meio disto tudo o meu pai.
Que, segundo a minha mãe, não notou diferença nenhuma de tratamento.
O que dá que pensar!

sábado, outubro 31, 2009

What Goes Around...

Estou convencida, cada vez mais, que sou mesmo uma boa pessoa, uma boa alma, um ser humano que semeou...e agora colhe.

Sem esperar nunca nada em troca, às vezes sem reparar sequer o papel importante que tive (e pelos vistos tenho) na vida de algumas pessoas, descubro-o agora, num momento muito difícil da minha vida.

O curioso é que, se alguns conheciam a minha situação, outros confessaram-me aparecendo sem aviso cá em casa que apenas sentiram um súbita e inadiável necessidade de me ver, de me abraçar.

E que bom que foi abraçar essa Saudade e matá-la.

É importante esta lição de vida!

domingo, outubro 25, 2009

O Dia Em Que Mudou o Meu Mundo

Os 3 M's.

Foi este, há 21 anos.

Fui Mãe.

Sê-lo, muda-nos por dentro mas também o que nos rodeia.

Muda Tudo.

Nada será igual, nunca mais.

Para Bom!



Parabéns Bernardo*

quinta-feira, outubro 22, 2009

Gostei

Fui até agora dadora de sangue.

Deixei de ser mas vocês sejam.

Nunca se sabe quando uma Dadora Universal (EU O RH -) e receptora só dos meus iguais posso precisar...

Graças a Deus os meus filhos sairam todos com o sangue do pai.
Menos problemático, há muitos potenciais dadores.

Já os como eu podemos finar à falta dele, numa emergência.

Andor...

Incontinência

"Quando um Sargento passa por um General e finge que não o vê"

sábado, outubro 17, 2009

Aconchego

Além daquele óbvio, que advém de laços sanguíneos, carnais, há-os de fora desse círculo.

É muito bom ter Amigos.

E é bom que nos lembremos disso todos os dias, a toda a hora, minuto e segundo.

Porque eles, os Amigos, diferem das outras pessoas nisso mesmo.
Estão presentes durante cada arroto de uma digestão mal feita dada a gastrite, cada ensaboadela num banho que já não se toma na intimidade querida, em cada fralda que um dia precisemos que nos mudem...

A lembrar!

domingo, outubro 11, 2009

Para Memória Presente

O caminho faz-se andando, todos os dias.

Nem que seja um centímentro.

E é nesse bocadinho de espaço percorrido que está a razão de tudo.

A nossa Missão!

Não na Meta...essa é o nosso Fim.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Não Sei Perder

As pessoas que Amo.
Nunca vou saber.

O meu Pai, outra vez, outro susto, outra chamada ao INEM, outros 20' de grande angústia para que não fechasse os olhos.

Olhava-me sem ver.
Eu molhava-lhe os lábios a testa.

De repente e por instinto vrei-o de lado, com dificuldade, sempre a chamá-lo sempre a tentar que mantivesse os olhos abertos.

Resumindo: convulsão.

Eu, logo eu que já as vi no meu filho, ali perante o meu pai não desconfiei.
Pensei o pior, um AVC.

Hospital de Sta. Maria.

Observado em amarelo entrou à 1h 30 da tarde e a minha mãe voltou, sozinha, à meia noite com um semi, pré, diagnóstico...é muito tempo para o meu pai...que entretanto recuperou a fala, parca, mas que chegava para pedir casa, para sair dali.

Não podia, tudo estava bem mas faltava a Tac.

Que o fez ter de ficar.

Edema no Lobo Frontal. Desconhecido, a ver se é neoplásico.

Andava triste, o meu pai, havia já alguns dias. Calado. Avoado.

Caiu da cadeira ontem, ao almoço, quando a rir no segundo anterior contava, com a minha mãe, quantos jaquinzinhos tinha comido.

Valeu-lhe isso. Não foi na rua, não foi a guiar.

Quanto a mim, nada. É tudo para o Pai e Mãe.
Que sejam fortes.

Que dia 13 o meu pai faça 80 anos....