quarta-feira, novembro 21, 2007

Intimidades

Recorro sem sucesso e raramente a intimidades comigo.
Não me dou muita confiança e nem psicoterapia de dois anos resolveu isso.

Estranho, parece.
Não, não é.

A superficialidade connosco é o caminho mais fácil.

Muito mais comum é deixarmos o outro abrir as entranhas e entrar nelas, ouvindo-o, estendendo a mão. Conforta-nos e ainda deixa aquela sensação de altruísmo (falso porque nos serve).

Houve, talvez, umas três vezes que consegui ver-me mesmo mesmo como sou.

De resto, pinto-me como quero, à espera que esse disfarce resulte...nem sei bem para quê ou para quem!

segunda-feira, novembro 12, 2007

Constato que...

Quando estou acompanhada e rio provoco quase sempre irritação no outro.

Descobri porquê. Tenho um riso táctil...

sábado, novembro 03, 2007

Sensações Distantes

Tenho saudades de ter um bebé ao ombro, a arrotar um leite meu.
Também do cheiro da pele do banho tomado e do creme passado por mim pelo seu corpo.
Do primeiro sorriso.
Da sensação única de lhe apertar as pernas e sentir aquelas carnes ainda moles, da inércia.

Sinto saudades de ser recém-mãe.

Sinto saudades do impossível.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Espoletar

Sem querer
Com uma força inusitada
Que desconhecia ter
Rebento com uma cidade inteira
Assim
Num mero estalar de dedos

Assustada com este poder
Quero recusá-lo
Deus me livre

Era uma cidade fantasma
Desabitada
Valha-me isso

Mas vê-la desfeita
Em mil pedaços
Escombros irreconhecíveis
Assustou-me tanto que
Acordei

Ao som do rebentar duma granada
Que tinha na mão
E que arremessei o mais longe que pude.

Caiu no mar
Deve ter morto peixinhos

Já tenho alomoço.

Ponto!

quinta-feira, outubro 25, 2007

1988

Ilusão de que, a partir desse dia, a solidão nunca mais me assolaria.

Enganos.

Mas, concerteza, um momento de viragem na minha vida que nunca mais voltou a ser a mesma.
Lá na longínqua Suécia, eram 14h e 58'.

domingo, outubro 21, 2007

Desacelerem as Horas, Vá...

Acordo e de repente já é amanhã.
Passa o dia e eu não sei onde se escondeu.
Eu não o vi.
Passou.

Não é justo que passe um minuto por viver.
Exijo que, pelo menos 90% das horas, me seja possível saborear e lembrar.

Só isso...

quinta-feira, outubro 18, 2007

Era Uma Vez um Poste Estúpido

E por isso apagado!

Cu currísses!

Eu hoje fiz cucu a um bébe. Quase parece obsceno mas não é. É antes uma forma meio (ok, muito) ridícula de lhes chamar a atenção, aos minúsculos

Só que eles são maíúsculos, ia jurar.
Pela forma como ele, rindo à gargalhada, me olhou, percebi de imediato que a sua sabedoria me percebeu...na minha deficiente forma de lhe chegar.

Condescendente, e porque me percebeu genuína, retribuiu-me um sorriso. Que ainda agora me ilumina a tarde.

Raisparta o garoto, tão desporporcionalmente sábio!

Beijo nele, sem lambuzices...

quarta-feira, outubro 10, 2007

Jesus

Não precisa de mim para nada, Jesus.
Recebi um mail a pedir-me para assinar uma petição de indignação por um criativo ter realizado um filme, 'Corpus Cristi', em que o mesmo é apresentado como homossexual e em cenas íntimas com os seus apóstolos.

Mal de Jesus se precisasse do meu apoio.
Mal do mundo se se coartar a liberdade do disparate seja a quem for.

Eu, admiradora de Jesus, continuaria a sê-lo se Ele fosse homossexual.
Eu, Dinada Maria, não gosto de censura de espécie alguma.

Eu, acredito naqueles que gosto e gosto de Jesus, sem críticas, sem preconceitos de qualquer tipo.

Gosto da Liberdade.
Que nunca pode ofender os fortes de espírito!

Que Jesus esteja convosco!
Ámen...

Outros Assuntos

Sonhei que o Mar tinha secado.
Que tinha um barco e não podia navegá-lo.
Acordei aflita e acho que, enquanto não o vir (o mar), de novo, com os meus olhos, não vou descansar.

Vou querer cheirar a maresia que me acalmará o medo de isto ser verdade.

(anseio por uma noite tranquila que não chega)

Diga Sim aos Cuidados Paliativos (momento institucional)

Recebi um planfleto hoje que apela ao envio de sms para o nº 4222, com a mensagem:

Cuidados Paliativos Sim

Já enviei, os meus filhos já enviaram.

Achei que podia ser uma ajuda divulgar isto aqui, aos meus 3 leitores assíduos.
Peguem no telemóvel e gastem 0,60€.
É uma causa importante.

terça-feira, outubro 09, 2007

Faz o que entenderes...

...mas sempre consciente que, cada passo, cada gesto teu terá, em mim, o efeito 'borboleta'.

Que se mexeres o coração um milímetro ele chegará a mim em quilómetro.

E isso é bom...

domingo, outubro 07, 2007

Olha!

O caminho que se vê,
à minha frente,
é íngreme, poído por passos anteriores,
provavelmente de sucesso.

Tem rastos, trilhos,
feitos por outrem que não eu,
arriscados,
e que pena a minha fraqueza.

Percorrendo-os, percebo,
Copio,
não sou eu, não é meu, o caminho, e isso não é bom.

Descubro o que me leva lá,
e recuso,
de repente,
a história imposta, repetida, fácil.

Vou construir a minha.
Vou...

sexta-feira, outubro 05, 2007

quarta-feira, outubro 03, 2007

Posturas

A inclinação tendencial para a direita na postura do meu corpo, sendo coerente com o meu espírito, incomoda-me com dores.

Será providencial uma ida ao phísico, ao endireita ou manter a coerência sofrendo as maleitas com o sacrifício que daí advém?

Tenho a impressão que nem eu percebo muito bem o subliminar do que acabei de escrever (e isso dá-me gozo).

Normalmente, um dia depois ao reler-me, chego lá.
A ver...

sábado, setembro 29, 2007

Coisas Muito (diria exclusivamente) Portuguesas

A bata.

Se repararem, as mulheres na faixa etária que ultrapassa os 50, 60 vá lá, rendem-se à bata como indumentária diária (excluindo talvez Domingo na Missa), o que torna a paisagem humana deste país num imenso mar de capas aos quadrados normalmente bicolores, abotoadas à frente e com os 2 necessários bolsos para o lenço de papel.

Curiosa, indago algumas.
Resposta? Ó menina atão não se está mesmo a ver? É para proteger a roupinha que trazemos por baixo.

Pois.

Lembro-me imediatamente daquelas pessoas que gastam o que têm e o que não têm a comprar aquele sofá de pele com que sempre sonharam e, chegado a casa, o pobre é coberto ad eternum com uma manta horrorosa para se manter imaculado.

Coisas...

quarta-feira, setembro 26, 2007

Sem Recados!

Porque os que quero dar dou, darei sempre, face to face.

Porque se este estúpido blogue é um desabafo público, só deixa de o ser quando me interpretam como se me conhecessem.

Muito me apraz a preocupação com esta blogger insignificante mas, também, muito me apraz que não efabulem.

Fábulas? Ui, quem dera ser aquele dinamarquês que as escreveu e que me povoaram a mente infantil. Não sou. Não sou, nem sou capaz.

Escrevo porque é uma compulsão, assim tipo jogos de casino.

Eu sou só eu, pequena, uma em biliões que acha que este processo de catarse (escrita), me poderá ajudar a ajudar-me. Quem depende de mim assim o espera.

E, depois disto, vou estudar porque, daqui a umas horas, tenho exame sobre Sociedades Anónimas que, bem parecendo, é o que eu sou mas sem quotas, com acções de algum valor (as a whishfull thinking).

Simply the best seria conseguir...

domingo, setembro 23, 2007

Chiça ou Xiça?

Se me tirar o sono, esta é mais uma daquelas questões completamente desinteressantes e sem qualquer conteúdo que, felizmente, me consomem só o Teco...

Mas, mesmo assim, e correndo o risco de não articular 3 palavras quando me sobrar o Tico, antes fique acordada a pensar nisto do que nas outras coisas que são coisas piores. Daquelas que, em não dormindo, consomem o corpo e a mente esgontado-os,taditos.

Há muito que não sei o que é uma noite de descanso.
Há muito que, às tantas, não a mereço...

sábado, setembro 08, 2007

Serenidades

Peguei na Mousse e fui passea-la. Ou ela a mim.

Tilintava-lhe no pescoço um artefacto novo. Um ossinho de metal onde está inscrito o nome e o meu telemóvel. Ela parece orgulhosa de o ostentar aos seus pares como que dizendo: a minha dona quer-me mesmo bem e isto é a prova. Eu, olho para ela e penso o mesmo, quero-lhe bem e ali está a prova.

Bom, depois deste desvio, o passeio ou aquilo que restou dele foi o que me trouxe aqui, à escrita, não a Mousse nem sequer pinderiquices novas de pirosas princesas.

Este tempo de silêncio, em que só os passos se ouvem e que aleatórios se movem, traz-me sem eu sequer querer um momento de introspecção chato. Chato porque não procurado mas imposto e porque verdadeiro e doído.

A coisa é assim: o puzzle faz-se sozinho e bem feito. As peças encaixam-se na perfeição e, por muito que pareça doer, nem dói. Cura.

A minha vida é feita, cada vez mais, de acasos que só parecem sê-lo.

Zango-me e zangam-se comigo sem eu perceber. Depois percebo. Tenho o desespero na solidão que depois faz sentido. Custa-me adormecer mas, logo depois, os pesadelos constantes explicam-me tudo.

Só espero não magoar ninguém nunca, no caminho tortuoso da descoberta dos atalhos...porque muito amor houve deixado nas mãos de quem não me pôde nem pode entender.

Mas, e sem mágoas, agradeço a todos os que na minha vida passaram e me deram a mão, o braço e o cotovelo. O ante-braço seria demais e tanto eles com eu sabíamos disso.

Obrigada pelo Vosso altruísmo. Obrigada pelo amor genuíno.

Sou uma sortuda!

domingo, setembro 02, 2007

Resquícios de um Verão

Colados na pele trago comigo:

Gargalhadas,
Cheiros de abrunhos,
Sabores de figos e
Correrias.

Alegria,
Memórias de infância,
Namoricos de lá,
Esconderijos lembrados.

Amo aquele sítio de segredos,
De desafios constantes,
De pactos de sangue,
De amores perpétuos e efémeros.

Midões é tudo isso e muito mais.
Tem uma magia que não se esvai, que permanece mesmo perante o aborrecimento da idade adulta, castradora (para alguns, não para mim).

Eu continuo no meio do reino do impossível que só ali existe.
E que os meus filhos e sobrinhos já descobriram e vão, de certeza, perpetuar.

Trago colada na pele a saudade e a vontade de voltar.

Falta um ano e a idade trouxe-me isto: a certeza de que, num instante, lá estarei de novo, debaixo da Figueira Mágica, na 'Caça ao Homem' da praxe (um jogo que nunca perde actualidade e recomendo).


P.S. Este ano, para além de ter a Mousse presente em todas as brincadeiras, tive o Luís ali, sempre comigo, e a fazer a viagem de volta ao meu lado, a dar-me a segurança que tanto preciso. És especial. Mesmo*
Um beijo tão grande para ele :)

Voltei!