domingo, dezembro 31, 2006

sábado, dezembro 30, 2006

Jantar de Amigos

Hoje, dia 30, vou fazer um jantar especial.
Consegui juntar a disponibilidade dos meus amigos de infância, todos à excepção do Jorge que, lá onde estiver, estará conosco também.

Sabem? O Gil tem cancro. Está no meio do tratamento de quimioterapia, com as sequelas todas que aquele veneno trás consigo.

Hoje, à meia-noite, o Gil faz 41 anos. E vai estar aqui (contra todas as expectativas duras e realistas que lhe ditaram, ao descobrirem a doença), se conseguir aguentar-se aos enjoos, a viver esse momento conosco.

Somos quase 30 porque nos fomos multiplicando. Mas somos os mesmos 15 que desde que somos gente, e nos lembramos disso de ser gente, sempre descobrimos a vida juntos.

A família escolhida são os amigos.
Eu amo-os e estou muito feliz por abraçar, hoje, um a um, e sentir, como sempre sinto, que foi ontem a última vez que nos encontrámos.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

A Natureza Também se Engana...

«Feminina»


Eu queria ser mulher para ter muitos amantes
E enganá-Ios a todos - mesmo ao predilecto -
Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais esbelto,
Com um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes...
Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,
Eu queria ser mulher para me poder recusar...

Mário de Sá Carneiro


Este poema, tão duro quanto desesperado, representa para mim qualquer coisa paradoxal, uma ambiguidade de sentimentos.


É escrito por um homem.
Mas poucos escritos que conheço, nascidos do género oposto, apresentam um tão nítido código feminino.

Génio, este poeta que se enganou no corpo.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Uma Posta Dedicada em Exclusivo ao Carregador de Menires.

Eu podia ser um menir. Sou tão difícil de carregar como um desses.
Queria dizer-te duas coisas. Não fazendo ideia de quem és:

1º tens toda a razão, quando te amofinas com a estória do fim anunciado de blogues. Também eu fico irritadíssima com isso. E vou levar em conta aquilo que disseste em relação à minha escrita tocar corações. Não me conhecendo de lado nenhum, a tua opinião é isenta e ajuda-me a pensar que isso pode ser mesmo assim;

2º o Marques Mendes é o contrário daquilo que vê. Eu também, por razões absolutamente opostas.

Obrigada pelos comentos, sejas tu quem fores ;)

Horas Ganhas

A pensar.
A ordenar fios soltos.
A perceber que aquilo que parece acaso, não é.

Ao subir escadas os últimos degraus são sempre os mais difíceis.
Mas nunca, até hoje, desisti de os escalar até chegar ao fim.

Não vai ser agora. E estou tão perto. Quase lá.

E juro que consigo!

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Quase Quase

Mesmo quase...ufa!

Depois, contagem decrescente para outra seca: o Ano Novo.

Que passe assim, de rajada...

sábado, dezembro 23, 2006

Pés Nus

Costumo correr pelos campos,
Descalça, sem medo das pedras.

Páro por vezes e colho uma erva daninha
E olho-a,
E penso que daninhos são os Homens
Não as ervas.

Gosto de correr pelos campos,
Descalça,
Em sonhos...

Di


(reparem na subtileza do bold)

A vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!

Florbela Espanca

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Que Maçada

Estava ali alguém a lembrar-me disto:

Logo hoje que tenho de limpar o pó à casa, precisamente a essa hora.

Gaita!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Silêncio Interrompido

Alguém que o quebra
Que me abraça
Que me mima e preenche
Que me aconchega

Quero corresponder
A tudo o que me dá
Possa eu...

Um Dia Atrás do Outro

O silêncio, a merda do silêncio.

Soubesse eu e nunca tinha sido mãe. Ou tinha, sei lá.

Fiquem sabendo, aqueles que ainda vão a tempo, que da maior alegria vem também a maior tristeza.
Que, quando se experimenta a paternidade tudo muda, radicalmente.
Que o centro do universo sai de nós e se instala naquele ser gerado, que nos absorve por completo. Nada mais importa.

Hoje, sonhei com eles. Sonhei que me acordavam, como sempre, com beijos e abraços.
Era só um sonho e a solidão invadiu-me.

Repito: soubesse eu e nunca tinha tido filhos e vivia em África, a cuidar dos filhos dos outros. Com o amor e a distância saudável dele, desse amor que nunca seria visceral.

O meu mais pequenino ontem disse-me: mãe, tenho saudades do cheiro do teu cabelo. Engoli as lágrimas, guardadas para depois.
E fui ao cinema. E tentei, em vão, esquecer que este Natal vai ser uma bosta.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

E Neva...

Finalmente, neva.
Os mais velhos fazem bolas de neve, o mais pequeno quadrados.
Dá mais trabalho mas ele é assim, elaborado e paciente.

Está frio, cá e lá.
Lá mais do que cá nos termómetros mas menos que cá no meu coração.

E depois, as Festas de Natal das empresas, começam hoje. Como free-lancer tenho várias. Sempre são umas borlas de comida mais ou menos apelativa.
De resto, aquele espírito de amor pelo próximo resolve-se com 3 caipirinhas antes da refeição.

Não, ainda não desejo Feliz Natal a ninguém. Tem tempo!

terça-feira, dezembro 19, 2006

Quando nos Apaziguamos com o Destino

Fica tudo mais fácil.

Aceita-se a vida como ela é, muda-se o que se pode mudar, nada-se nas ondas do destino sem ser só para sobreviver. Sente-se a água na pele, quente ou fria, revolta ou calma.

Eu passei momentos em que achei que as ondas me iam engolir.
Nada mais errado.
As ondas, essas que achei ameaçadoras, levaram-me a alturas que me deram uma visão das coisas tão mais clara, verdadeira.

Quando achava que me afogava, descobri várias coisas:

1º: que a natação que fiz 15 anos ajudou muito;

2º: que quem verdadeiramente me ama nunca me largou, lançando-me bóias que agarrei porque com elas vinha a verdadeira vontade (desses 'quem') que eu não fosse embora, que ficasse porque era importatante nas suas vidas (maior benção? não há);

3º: que quem se dizia amigo e não sabe ser revelou-se, e o desencanto fez-me crescer e perceber que o que não me mata faz-me mais forte e que a desilusão só existe porque, distraída, criei ilusões;

4º: que, quando chorei, houve sempre alguém a secar-me as lágrimas.

Queria deixar aqui um incomensurável obrigada a todos aqueles que fizeram que ainda esteja aqui hoje, a escrever, viva!

Dia a dia, a minha vida parece fazer mais sentido. Tenho um propósito para cá ficar mais uns tempos e que não se resume à maternidade. É mais abrangente, mais completo.
Aqueles que se mantêm e mantiveram comigo saberão...
Os outros, hélas, deixaram de existir...para sempre! Nada saberão de mim porque nada que me diga respeito lhes rala. E este blog, tendo os dias contados, deixará de ser veículo de parvoeira e verborreia atípica.

Já merece acabar.

Tenho tudo o que escrevi guardado. Continuarei a escrever para mim e para quem amo.

Longe do semifrio, que nunca chegou a quente.
Lá para o Ano Novo...é o meu plano.

Farei, nessa altura, um poste verdadeiramente rico e consistente, para acabar em beleza esta fase da minha vida.

I'm on the turning away.

(talvez o facto de ter sido homenageada hoje me tenha feito escrever esta posta que parece despropositada...mas não é)

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Espirros

Espirros esporádicos
Ecos estranhos
Uma casa vazia propaga o som
Potencia-o
Exponencia solidões.

Há pouco,caiu um alfinete e eu apanhei um susto.

E o Porto acabou!

sábado, dezembro 16, 2006

Looking Back to the Things I've Done...

Aquilo que de facto me orgulha é o meu rancho de filhos.

Larguei-os hoje, no Aeroporto de Lisboa, de manhã cedo. Tão cedo que era uma manhã ainda noite.

Vão neste momento no ar.

Ver o mais velho secar as lágrimas do mais pequenino ao despedir-se de mim fez-me perceber que fiz um bom trabalho como mãe. Aquele amor que eles partilham orgulha-me. Descansa-me.
Amam-se e são, os três, uma equipa imbatível.

Depois de ter chorado o que queria, fiz as minhas malas.
E lá vou eu.

Até à volta!

sexta-feira, dezembro 15, 2006

16661

Há capicuas e capicuas...esta? o máximo!

Pequena Dor, Grande Dor, Whatever...

Há quem pense que se deve ter pudor em mostrá-la. Que se deve resguardar o outro lado da lua, o escuro.

Eu não concordo nada. Acho que só somos completos quando o peito grita, sem vergonhas, o que lá vai dentro!

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Há dias assim...

...em que, sem saber porquê ó o raio, resolvemos resolver.
Hoje resolvi uma coisa, que me doía no peito. Despedi-me duma tia que vi partir de longe, sem coragem para abraçar quem ficou, as minhas primas. Fugi. Naquela altura, há um mês atrás, não consegui sequer falar-lhes. A voz embargada, a cobardia da lágrima certa não me deixou.

Hoje, venci mais uma batalha. Chorei a morte dela com a filha. Meia hora. E depois veio a paz.

Tia Maria Cristina, para mim, só hoje morreu. E descanse em paz e mais, prometo, não me afasto das suas meninas, que são como irmãs para mim...