(é mais Dia Mundial Cem Tabaco...)
Estou aqui, sentada no sofá com o laptop no colo, a fumar uma cigarrada. Sabe-me que nem ginjas cada baforada. Penso que se morrer 'à cause', foi uma escolha que fiz, consciente.
Comecei a fumar aos dezasseis anos, no meio das duplas competições em que participava, à altura: natação e volleyball. Era federada e fazia check-up's regulares no Centro de Medicina Desportiva, ali no CDUL. Depois do cigarro, que teimava em fumar antes do electrocardiograma de esforço, a pulsação que rondava os sessenta batimentos por minuto em condições idênticas de pulmão limpo, subia para cem. Quase chumbei no exame à custa do maldito vício. Mas só quase, porque mesmo assim não era preocupante, segundo o phisico que acompanhava o papelinho riscado que saía da máquina enquanto eu corria parada.
Hoje penso que, mais de vinte e cinco anos de alcatrão acumulado nas vias respiratórias, se usados em novas vias de comunicação rodoviária, ajudariam sobremaneira a diminuir o déficite.
Usem-me...façam-me esse favor!!!
terça-feira, maio 31, 2005
domingo, maio 29, 2005
Acasos
Por acasos, e só por acasos, fico às vezes triste. Não desenho cenários, não construo 'estórias' com final duvidoso, não penso sequer em fatalidades. Só fico assim, triste.
Posso tentar perceber mas, confesso, acho que é inútil. Deixar a tristeza fluir é tão importante como aproveitar os momentos felizes, a maior parte deles fugazes, escorregadios.
Momento lúdico: ouvi, este fim-de-semana, alguém queixar-se do contrato que tinha conseguido por ser apenas um 'party-time'. Eu cá acho que rejubilaria com tal coisa...mas ele há gente que não se contenta com nada!!!
Que mensagem subliminar a tristeza não explícita tentará passar? Que lição me mostra que me escapa?
Posso tentar perceber mas, confesso, acho que é inútil. Deixar a tristeza fluir é tão importante como aproveitar os momentos felizes, a maior parte deles fugazes, escorregadios.
Momento lúdico: ouvi, este fim-de-semana, alguém queixar-se do contrato que tinha conseguido por ser apenas um 'party-time'. Eu cá acho que rejubilaria com tal coisa...mas ele há gente que não se contenta com nada!!!
quarta-feira, maio 25, 2005
A Saga de Razão Está de Férias
Os impostos...pois...
Queria muito perceber o que mudou desde aquele dia (seria de Março?) em que Victor Constâncio avisou da necessidade de aumentá-los. Se bem se lembram, nessa altura, o nosso 1º garantiu que, no matter what, isso não aconteceria. Ok, ok, caiu uma bomba atómica neste cantinho, aconteceu uma terrível catástrofe, houve cheias, ou seca ou coisa similar e, de repente, teve de ser...
Sabe Sr. Sócrates, não se promete aquilo que não se sabe se se pode cumprir. É só esta a questão. A reter...
Queria muito perceber o que mudou desde aquele dia (seria de Março?) em que Victor Constâncio avisou da necessidade de aumentá-los. Se bem se lembram, nessa altura, o nosso 1º garantiu que, no matter what, isso não aconteceria. Ok, ok, caiu uma bomba atómica neste cantinho, aconteceu uma terrível catástrofe, houve cheias, ou seca ou coisa similar e, de repente, teve de ser...
Sabe Sr. Sócrates, não se promete aquilo que não se sabe se se pode cumprir. É só esta a questão. A reter...
quinta-feira, maio 19, 2005
Taça UEFA
Bom, já bastante depois de terminado o jogo chamei um táxi. O motorista era benfiquista, mas fez questão de me dizer que se tinha juntado à torcida verde durante aquela hora e meia que durou a partida.
Sem comentários, eu ia dizendo uns lacónicos 'pois', desconcentrada, ouvindo apenas as terminações das frases que o dito teimava em lançar boca fora.
Não me apetecia conversa, raios. E, quando assim é, desligo o motor e vou vomitando expressões automáticas tipo 'hã hã', 'claro', 'mainada' e coisas assim...
Às vezes corre mal porque o interlocutor formula uma pergunta e eu respondo 'talqual'. E depois repete a pergunta e eu, envergonhada digo que é ali, na próxima à direita.
Quando percebi que a conversa já não era futebol e sim itinerário passei a prestar atenção. E acabei por ouvir esta pérola:
_ sabe, menina (esta parte faz-me sempre um enorme bem à alma), no sábado 'apanhei' quatro 'indivídas' que vinham do jogo na Luz. Uma era também sportinguista (o também devia ser comigo talvez porque no meio de tantos 'pois' me tenha denunciado) e disse-me que, durante o jogo, quase sofreu um 'miocárdio'...eu disse-lhe que era muito novinha para morrer disso. Que não se preocupasse que para o ano haveria mais campeonato e ela estaria vivinha da silva para assistir.
Não pude deixar de sorrir e concluir que vou passar a prestar mais atenção às conversas de circunstância que se mantêem nos trajectos dos táxis. Às tantas, o que eu ando a perder...
Sem comentários, eu ia dizendo uns lacónicos 'pois', desconcentrada, ouvindo apenas as terminações das frases que o dito teimava em lançar boca fora.
Não me apetecia conversa, raios. E, quando assim é, desligo o motor e vou vomitando expressões automáticas tipo 'hã hã', 'claro', 'mainada' e coisas assim...
Às vezes corre mal porque o interlocutor formula uma pergunta e eu respondo 'talqual'. E depois repete a pergunta e eu, envergonhada digo que é ali, na próxima à direita.
Quando percebi que a conversa já não era futebol e sim itinerário passei a prestar atenção. E acabei por ouvir esta pérola:
_ sabe, menina (esta parte faz-me sempre um enorme bem à alma), no sábado 'apanhei' quatro 'indivídas' que vinham do jogo na Luz. Uma era também sportinguista (o também devia ser comigo talvez porque no meio de tantos 'pois' me tenha denunciado) e disse-me que, durante o jogo, quase sofreu um 'miocárdio'...eu disse-lhe que era muito novinha para morrer disso. Que não se preocupasse que para o ano haveria mais campeonato e ela estaria vivinha da silva para assistir.
Não pude deixar de sorrir e concluir que vou passar a prestar mais atenção às conversas de circunstância que se mantêem nos trajectos dos táxis. Às tantas, o que eu ando a perder...
quarta-feira, maio 18, 2005
Nem mais...
No momento em que partilho com alguém o facto de ter concorrido com dois textozitos ao concurso do leituras.net e esse alguém me questiona sobre que escritos resolvi partilhar, respondo um lacónico: não me lembro...
A propósito, ele sai-se com esta:
_ tu és daquelas que conta uma anedota a si própria e no fim se ri e diz que essa não conhecia.
:D
Pronto, achei brilhante, a tirada!!!
A propósito, ele sai-se com esta:
_ tu és daquelas que conta uma anedota a si própria e no fim se ri e diz que essa não conhecia.
:D
Pronto, achei brilhante, a tirada!!!
terça-feira, maio 17, 2005
Quanto ao amor...
...não havia mais do que casos inconsequentes, que lhe passavam pelos lençóis sem deixar rasto. Punha-os a lavar imediatamente após o coito, sem guardar memória do perfume de quem lá passara.
Paradoxos...
Depois de alguns anos no mercado de trabalho e do reconhecimento num curriculum exemplar que lhe abria as portas de qualquer atelier de arquitetura, Razão 'guinou' o volante e dedicou-se à arte do restauro. Rapidamente passou daí à criação das suas próprias obras de arte e não faltou muito para a sua vida se tornar num rodopio de 'vernissages'. Vendia tudo porque, além de haver procura, não sentia qulaquer apego às peças que moldava. Usava desperdícios e materias nobres, numa conjugação estranha e dura mas que, paradoxalmente, se harmonizava.
Começou a sentir (sentir?) que devia pensar menos nas formas, usando aquilo que sentia para criar outra coisa, menos geométrica e mais anímica.
Chegou à escrita resolvendo experimentar transcrever as emoções que cada peça que nascia representava. Era um primeiro passo para ir mais fundo no processo criativo...
Começou a sentir (sentir?) que devia pensar menos nas formas, usando aquilo que sentia para criar outra coisa, menos geométrica e mais anímica.
Chegou à escrita resolvendo experimentar transcrever as emoções que cada peça que nascia representava. Era um primeiro passo para ir mais fundo no processo criativo...
quinta-feira, maio 12, 2005
Carácter de Razão
Forte, intuitivo, solto, persistente, camarada, confiante, confiável, mordaz!
Fez-se assim homem, deixando-se levar pela vontade de ampliar horizontes e exponenciando características que achava louváveis.
Havia, no entanto, demasiada matemática na sua cabeça, sempre martelando na lógica das coisas o que, inevitavelmente, levava as mais das vezes a um sentimento profundo de frustação.
'Há razões que a própria razão desconhece'
Custava-lhe aceitar isto, como lhe custava ter passado o metro e noventa e não haver roupa que lhe servisse, muito menos calçado. Nº 48 reduz drasticamente as hipóteses de escolha do dito, para além de constituir um peso extra no seu orçamento de arquitecto em início de carreira.
Quando se apaixonou, mediu tudo o que sentia com fita métrica: amo 30 cm ou chega ao metro? vale a pena investir numa relação a partir de que medida? se investir, manter-se-à o estado de graça ao metro ou ao quilómetro?
Razão não estava preparado para se relacionar com alguém sem conta, peso e medida.
Começa aí o seu desnorte. Começa aí a sua busca do que se encontra maizalém, para lá do mensurável.
A metafísica passou a ser assunto de estudo...
Fez-se assim homem, deixando-se levar pela vontade de ampliar horizontes e exponenciando características que achava louváveis.
Havia, no entanto, demasiada matemática na sua cabeça, sempre martelando na lógica das coisas o que, inevitavelmente, levava as mais das vezes a um sentimento profundo de frustação.
'Há razões que a própria razão desconhece'
Custava-lhe aceitar isto, como lhe custava ter passado o metro e noventa e não haver roupa que lhe servisse, muito menos calçado. Nº 48 reduz drasticamente as hipóteses de escolha do dito, para além de constituir um peso extra no seu orçamento de arquitecto em início de carreira.
Quando se apaixonou, mediu tudo o que sentia com fita métrica: amo 30 cm ou chega ao metro? vale a pena investir numa relação a partir de que medida? se investir, manter-se-à o estado de graça ao metro ou ao quilómetro?
Razão não estava preparado para se relacionar com alguém sem conta, peso e medida.
Começa aí o seu desnorte. Começa aí a sua busca do que se encontra maizalém, para lá do mensurável.
A metafísica passou a ser assunto de estudo...
domingo, maio 08, 2005
Armários
Idades difíceis essas. Razão não fugiu dela e dela tirou proveito. Cresceu até às núvens, magrinho e desconjuntado. Sempre bom aluno podia escolher continuar a estudar, depois de terminado o secundário. Tinha média para entrar onde quisesse, sem ter de recorrer a uma qualquer Universidade Privada que a mãe não poderia sustentar. Escolheu Belas Artes porque desde pequeno que os lápis de carvão lhe desenharam a história, mais do que as letras que sabia ordenar mas que, dizia, careciam de 'alma'. Essa encontrava-se nos desenhos que rabiscava, altas horas da noite, perseguindo o fim duma 'estória' dum personagem fantástico que criara em BD: o Sr. Emoção.
Entrado na faculdade, começou cedo a perceber que esse Emoção careceria de desenvolvimento. Teria de aplicar-se mesmo, se o quisesse fazer aparecer com enredo consistente e interessante.
No fim do curso, percebeu que o nome dele não teria sido escolhido ao acaso...depois explicarei porquê!
Entrado na faculdade, começou cedo a perceber que esse Emoção careceria de desenvolvimento. Teria de aplicar-se mesmo, se o quisesse fazer aparecer com enredo consistente e interessante.
No fim do curso, percebeu que o nome dele não teria sido escolhido ao acaso...depois explicarei porquê!
quarta-feira, maio 04, 2005
Razão e Aprendizagem
Aprende-se todos os dias, basta estar atento e focalizado.
Razão absorvia com avidez todas as horas do dia, fosse ajudando a mãe nas tarefas domésticas, fosse numa qualquer brincadeira.
Era observador e analítico o que fez que, quando chegasse o momento de ingressar na Escola (aquela outra, formal, em que o bibe se impunha), levasse com ele uma relativa vantagem em relação aos outros pimpolhos agarrados à saia das mães.
A sua, doce e presente, foi naquele 1º dia ausente, por puro mau feitio duma patroa enrezinada e prepotente. Mas isso foi coisa que Razão percebeu e que não lhe deixou marca.
Começava para ele uma nova etapa importante que, sabia, lhe traria um mundo completamente novo: o das letras com sentido.
Aprendeu a ler em três tempos. Era um aluno aplicado e rapidamente se tornou um dos alunos favoritos da professora Rosário, mulher com muitos anos de profissão que cedo percebeu ter ali, em Razão, um desafio maior que os outros...
Razão absorvia com avidez todas as horas do dia, fosse ajudando a mãe nas tarefas domésticas, fosse numa qualquer brincadeira.
Era observador e analítico o que fez que, quando chegasse o momento de ingressar na Escola (aquela outra, formal, em que o bibe se impunha), levasse com ele uma relativa vantagem em relação aos outros pimpolhos agarrados à saia das mães.
A sua, doce e presente, foi naquele 1º dia ausente, por puro mau feitio duma patroa enrezinada e prepotente. Mas isso foi coisa que Razão percebeu e que não lhe deixou marca.
Começava para ele uma nova etapa importante que, sabia, lhe traria um mundo completamente novo: o das letras com sentido.
Aprendeu a ler em três tempos. Era um aluno aplicado e rapidamente se tornou um dos alunos favoritos da professora Rosário, mulher com muitos anos de profissão que cedo percebeu ter ali, em Razão, um desafio maior que os outros...
segunda-feira, maio 02, 2005
Independência Relativa e a Merceeria
Era como que um passo de gigante.
Razão, já crescidote, ia fazer recados à esquina da rua e vinha com um saco cheio de encomendas. E cumpria à risca, trazendo a lista completa, tal qual era suposto. Razão cresceu quando se tornou responsável pelo arroz e pelas batatas. E pela fruta, que também era pelouro seu.
Até lhe nascerem as borbulas, que não havia creme milagroso que fizesse desaparecer, Razão contentava-se com o status quo. Era crescido porque ia fazer compras, abastecendo a casa à custa daquele olhar suplicante de géneros a que o Sr. Manuel não resistia. Conseguia fiado, depois gerindo notas e moedas, logo que a mãe conseguiu um trabalho que pagava a horas.
A vida de Razão não era má. Dava para sonhar com grandes feitos futuros, com possibilidades infinitas e com a alegria que a esperança ainda não lhe roubara.
Ia ser astronauta, havia decidido...
Razão, já crescidote, ia fazer recados à esquina da rua e vinha com um saco cheio de encomendas. E cumpria à risca, trazendo a lista completa, tal qual era suposto. Razão cresceu quando se tornou responsável pelo arroz e pelas batatas. E pela fruta, que também era pelouro seu.
Até lhe nascerem as borbulas, que não havia creme milagroso que fizesse desaparecer, Razão contentava-se com o status quo. Era crescido porque ia fazer compras, abastecendo a casa à custa daquele olhar suplicante de géneros a que o Sr. Manuel não resistia. Conseguia fiado, depois gerindo notas e moedas, logo que a mãe conseguiu um trabalho que pagava a horas.
A vida de Razão não era má. Dava para sonhar com grandes feitos futuros, com possibilidades infinitas e com a alegria que a esperança ainda não lhe roubara.
Ia ser astronauta, havia decidido...
sábado, abril 30, 2005
O Parto e o 1º Aniversário
Razão nasceu um bébé robusto e cor-de-rosa, cor da pele a lembrar a da mãe, naquela manhã quente em que sentiu o extâse que lhe provocou o primeiro orgasmo sentido, e que a levou aqui: a sala de partos.
Era uma divisão fria e com muita luz, embora não se percebesse donde emanava. Era de noite cerrada mas parecia mais dia que o próprio dia. Havia permanentemente gente a entrar e a sair sem que ela percebesse porquê ou para quê. Achava que todos deviam sossegar, aliás como ela sossegava.
Sentia dores mas sem medo. Sabia, instintivamente que eram dores 'das boas', daquelas em que, regra geral, não se morre.
E quando lhe dissram que fizesse força pela barriga, embora sem perceber fê-lo. Três vezes e tinha Razão no seu colo, redondinho e escorregadio: o mais belo bébé do mundo.
Esse momento, mágico e inolvidável, mudou-lhe para sempre a perpectiva da vida. E tudo fez sentido.
Razão era sossegado mas exigente com as horas das refeições. Mamava com uma avidez que provocava dor durante toda a mamada. A mãe contraía-se, embora confortada com o sentir daquela pele cor-de-rosa contra a sua.
Razão mudou-lhe o corpo, mas confiava ser algo temporário e que, em breve, voltaria a recuperar a silhueta longilínea que antes possuía. Mas não era coisa que importasse, agora que gozava o desafio da maternidade.
Quando deu por isso, já Razão tinha as duas pernitas direitas e verticais, sustentava o corpo bamboleante e dava os primeiros passos, embora parecesse ter bebido 3 caipirinhas e não conseguisse seguir o caminho que escolhia.
Tinha passado um ano e, começava aí, a aventura de Razão. A descoberta do espaço...
Era uma divisão fria e com muita luz, embora não se percebesse donde emanava. Era de noite cerrada mas parecia mais dia que o próprio dia. Havia permanentemente gente a entrar e a sair sem que ela percebesse porquê ou para quê. Achava que todos deviam sossegar, aliás como ela sossegava.
Sentia dores mas sem medo. Sabia, instintivamente que eram dores 'das boas', daquelas em que, regra geral, não se morre.
E quando lhe dissram que fizesse força pela barriga, embora sem perceber fê-lo. Três vezes e tinha Razão no seu colo, redondinho e escorregadio: o mais belo bébé do mundo.
Esse momento, mágico e inolvidável, mudou-lhe para sempre a perpectiva da vida. E tudo fez sentido.
Razão era sossegado mas exigente com as horas das refeições. Mamava com uma avidez que provocava dor durante toda a mamada. A mãe contraía-se, embora confortada com o sentir daquela pele cor-de-rosa contra a sua.
Razão mudou-lhe o corpo, mas confiava ser algo temporário e que, em breve, voltaria a recuperar a silhueta longilínea que antes possuía. Mas não era coisa que importasse, agora que gozava o desafio da maternidade.
Quando deu por isso, já Razão tinha as duas pernitas direitas e verticais, sustentava o corpo bamboleante e dava os primeiros passos, embora parecesse ter bebido 3 caipirinhas e não conseguisse seguir o caminho que escolhia.
Tinha passado um ano e, começava aí, a aventura de Razão. A descoberta do espaço...
sexta-feira, abril 29, 2005
O Senhor Razão
Foi baptizado assim por um capricho da mãe, que gostaria de ver a vida do seu menino influenciada pela escolha do nome.
Foi concebido num acaso, na emoção dum momento que afastou a razão dos corpos embrulhados. O suor tem destas coisas e faz escorrer sódio e raciocínio.
Quando descobriu que daquele momento resultou uma gravidez resignou-se. Compreendeu, imediatamente, que tinha comprado um bilhete para uma viagem sem regresso a um mundo completamente novo, que duraria toda a vida que a ambos (mãe e filho) fosse concedida.
Assustada, chamou-lhe Razão na esperança de que, daquele acto emotivo que lhe deu origem, emergisse para a Vida um ser equilibrado e capaz de escolher o uso da mesma, sempre que as circunstâncias o exigissem.
Coisa que ela própria não tinha conseguido, no meio daquele turbilhão de peles, suores e cheiros...
Foi concebido num acaso, na emoção dum momento que afastou a razão dos corpos embrulhados. O suor tem destas coisas e faz escorrer sódio e raciocínio.
Quando descobriu que daquele momento resultou uma gravidez resignou-se. Compreendeu, imediatamente, que tinha comprado um bilhete para uma viagem sem regresso a um mundo completamente novo, que duraria toda a vida que a ambos (mãe e filho) fosse concedida.
Assustada, chamou-lhe Razão na esperança de que, daquele acto emotivo que lhe deu origem, emergisse para a Vida um ser equilibrado e capaz de escolher o uso da mesma, sempre que as circunstâncias o exigissem.
Coisa que ela própria não tinha conseguido, no meio daquele turbilhão de peles, suores e cheiros...
quinta-feira, abril 28, 2005
O Amanhecer Escolhe-se
Era tarde mas os olhos persistiam em manter-se cerrados como se fosse madrugada. Havia neles cansaço e desânimo o que adiava o despertar.
O corpo avisa-nos do tempo mas o espírito recusa-o. Teima em decidir a alvorada, consoante a vontade do dia.
Nessa manhã recusei o sol. Escolhi o breu da noite, mantendo a persiana corrida para certificar o engano. Quando finalmente cedi ao evidente adiantado da hora resolvi acordar.
Não me arrependi. A janela escancarada mostou-me um dia radioso (embora quase ido), um chilrear aconchegante de passarada citadina, um cheiro a flores que nascem desenfreadamente nos jardins fronteiros ao meu quarto.
Prometi a mim mesma não desperdiçar a manhã que já estava perdida e transformei a hora em pequeno almoço à la americana (escolhi a hora de Boston porque era a que mais me convinha). Remexi todos os relógios que encontrei e escrevi neles 9h. Fiz tudo como se fosse esse o tempo e resultou.
Agora já os arrumei todos, tornando-os consonantes com a verdade.
Amanhã, decidi, acordo às 9h do nosso meridiano. E vou sentir o pulsar agitado da vida obrigatória e escrava do tic tac produtivo!
Haja disciplina...
O corpo avisa-nos do tempo mas o espírito recusa-o. Teima em decidir a alvorada, consoante a vontade do dia.
Nessa manhã recusei o sol. Escolhi o breu da noite, mantendo a persiana corrida para certificar o engano. Quando finalmente cedi ao evidente adiantado da hora resolvi acordar.
Não me arrependi. A janela escancarada mostou-me um dia radioso (embora quase ido), um chilrear aconchegante de passarada citadina, um cheiro a flores que nascem desenfreadamente nos jardins fronteiros ao meu quarto.
Prometi a mim mesma não desperdiçar a manhã que já estava perdida e transformei a hora em pequeno almoço à la americana (escolhi a hora de Boston porque era a que mais me convinha). Remexi todos os relógios que encontrei e escrevi neles 9h. Fiz tudo como se fosse esse o tempo e resultou.
Agora já os arrumei todos, tornando-os consonantes com a verdade.
Amanhã, decidi, acordo às 9h do nosso meridiano. E vou sentir o pulsar agitado da vida obrigatória e escrava do tic tac produtivo!
Haja disciplina...
quarta-feira, abril 27, 2005
Abro o Estaminé
Visitantes: 2222
Estatísticas: 33,33% de estreantes
Uma capicua é sempre um um bom sinal. Um aviso. Mostra-me que a realidade vista de lá p'ra cá ou de cá p'ra lá mantêm a essência das coisas, mudando apenas a perspectiva.
Acho que a sorte vai mudar :)
Estatísticas: 33,33% de estreantes
Uma capicua é sempre um um bom sinal. Um aviso. Mostra-me que a realidade vista de lá p'ra cá ou de cá p'ra lá mantêm a essência das coisas, mudando apenas a perspectiva.
Acho que a sorte vai mudar :)
terça-feira, abril 26, 2005
'Úrsula'
'Geometria' óssea
'Táxi' à cabeça
Tintura 'idiota'
'Câncaro da prósta'
Infecção nas 'ingivas'
'Broncos' irritados
Pérolas populares...
Ah, é verdade, falta o 'cóvér' de queijo da serra e a obra 'embrulhada' pela Câmara!!!
'Táxi' à cabeça
Tintura 'idiota'
'Câncaro da prósta'
Infecção nas 'ingivas'
'Broncos' irritados
Pérolas populares...
Ah, é verdade, falta o 'cóvér' de queijo da serra e a obra 'embrulhada' pela Câmara!!!
quinta-feira, abril 21, 2005
Sem Peios
Posso responder de dentro p'ra fora. Porque o contrário é enganador. Eu não gosto de enganos, embora saiba que com eles sobrevivo. Porque mesmo sabendo, nunca sei. Porque desejo sem querer. Porque falho nesta missão simples, básica, da subsistência...até nisso. Quanto mais no maizalém!
Mas chego lá...
Mas chego lá...
Escuta
Se eu volatizasse, sentirias a ausência?
Se eu não pudesse corresponder ao ideal que desenhaste, sozinho, falharia?
Se eu pudesse, era diferente?
Eu tenho todos os lados duma circunfrência...podes sempre escolher o melhor e aí te deter. Eleger uma parte preterindo as outras. Escutar o barulho surdo de mim, que se manifesta sempre envergonhado, porque escondido se descobre.
Eu quero ser um todo, hegemónico embora contraditório, sempre verdadeiro e real.
Quando deixar de ser, já não pertenço...tão só!
Nota de Rodapé dirigida ao chato do Pêndulo: quando falo em hegemonia, quero referir uma simbiose de mim com tudo/todos e vice-versa, que não me repugna mas que recuso muitas vezes...percebeu???
Se eu não pudesse corresponder ao ideal que desenhaste, sozinho, falharia?
Se eu pudesse, era diferente?
Eu tenho todos os lados duma circunfrência...podes sempre escolher o melhor e aí te deter. Eleger uma parte preterindo as outras. Escutar o barulho surdo de mim, que se manifesta sempre envergonhado, porque escondido se descobre.
Eu quero ser um todo, hegemónico embora contraditório, sempre verdadeiro e real.
Quando deixar de ser, já não pertenço...tão só!
Nota de Rodapé dirigida ao chato do Pêndulo: quando falo em hegemonia, quero referir uma simbiose de mim com tudo/todos e vice-versa, que não me repugna mas que recuso muitas vezes...percebeu???
terça-feira, abril 19, 2005
Utopias
Estar agora naquela tal ilha deserta, com os Tomos I e II estudadinhos, a pescar alegria num mar salgado...
segunda-feira, abril 18, 2005
Surpreendendo o Mundo à Janela
Pois é Sara, para veres que às vezes posso surpreender-te :)
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Seria, concerteza, um livro didáctico. Ensinaria a somar, mais do que a subtrair e a multiplicar para depois dividir.
Já alguma vez ficaste apanhadinha por um personagem de ficção?
Já, confesso corando: O Prícipe Valente, a personagem principal duma banda desenhada fantástica que me acompanhou na adolescência.
Qual foi o último livro que compraste?
Num impulso, comprei um Código Civil Anotado, porque precisava de consultar a 'nova' Lei do Arrendamento Urbano (bocejo).
Qual o último livro que leste?
Bom, estou a ler uns quatro ou cinco em simultâneo.
Se contar só aquele em que cheguei ao finalmente: O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, cujo autor não me recordo e, como foi emprestado e devolvido, não posso procurar (ah, esperem, o Google...já volto) - apareceu um resultado, relacionado com uma peça de teatro com o mesmo nome, anunciada no Jornal do Fundão, em que a autoria é atribuída a Isabel Bilou...não me parece que seja dela, porqe tinha ideia de que o género do autor seria masculino...
De resto, tenho na mesa de cabeceira a Casa da Loucura, de Patrick McGrath, na mesa da sala Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, de António Lobo Antunes (estou a lê-lo há uns 3 anos e vou na página cento e tal), Os Três Cavalos, de Erri de Luca, A Arte de Amar, de Erich Fromm, O Dragão com Asas de Borboleta e outras histórias zen-taoístas, de Swami Deva Prashanto, A leitura do Rosto, de Rodney Davies, O Caso Morel, de Rubem Fonseca, Um Dia Atrás do Outro, de Laurinda Alves, Vozes e Ruídos, de Daniel Sampaio e ainda Homens na Cozinha, Mulheres no Sofá, de Gaby Hauptmann...
Afinal, este teste serviu para perceber que tenho muita leitura para por em dia, apre!!!
Que livro estás a ler?
É o que dá não ler as perguntas todas duma vez. Todos os acima mencionados, mais alguns que devem estar debaixo da cama ou na casa-de-banho e não encontro...
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Manual de Sobrevivência Numa Ilha Deserta, tomos I, II, III, IV e V.
Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Não me parece que consiga reunir três leitores deste blog, a quem possa passar o testemunho. Só devo ter no máximo dois e, mesmo esses, como só aqui passam de quando em vez, correria o risco de, quando respondessem, já não houvesse blogoesfera mas sim outra coisa qualquer, muito mais sofisticada.
UFA!!!
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Seria, concerteza, um livro didáctico. Ensinaria a somar, mais do que a subtrair e a multiplicar para depois dividir.
Já alguma vez ficaste apanhadinha por um personagem de ficção?
Já, confesso corando: O Prícipe Valente, a personagem principal duma banda desenhada fantástica que me acompanhou na adolescência.
Qual foi o último livro que compraste?
Num impulso, comprei um Código Civil Anotado, porque precisava de consultar a 'nova' Lei do Arrendamento Urbano (bocejo).
Qual o último livro que leste?
Bom, estou a ler uns quatro ou cinco em simultâneo.
Se contar só aquele em que cheguei ao finalmente: O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, cujo autor não me recordo e, como foi emprestado e devolvido, não posso procurar (ah, esperem, o Google...já volto) - apareceu um resultado, relacionado com uma peça de teatro com o mesmo nome, anunciada no Jornal do Fundão, em que a autoria é atribuída a Isabel Bilou...não me parece que seja dela, porqe tinha ideia de que o género do autor seria masculino...
De resto, tenho na mesa de cabeceira a Casa da Loucura, de Patrick McGrath, na mesa da sala Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, de António Lobo Antunes (estou a lê-lo há uns 3 anos e vou na página cento e tal), Os Três Cavalos, de Erri de Luca, A Arte de Amar, de Erich Fromm, O Dragão com Asas de Borboleta e outras histórias zen-taoístas, de Swami Deva Prashanto, A leitura do Rosto, de Rodney Davies, O Caso Morel, de Rubem Fonseca, Um Dia Atrás do Outro, de Laurinda Alves, Vozes e Ruídos, de Daniel Sampaio e ainda Homens na Cozinha, Mulheres no Sofá, de Gaby Hauptmann...
Afinal, este teste serviu para perceber que tenho muita leitura para por em dia, apre!!!
Que livro estás a ler?
É o que dá não ler as perguntas todas duma vez. Todos os acima mencionados, mais alguns que devem estar debaixo da cama ou na casa-de-banho e não encontro...
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Manual de Sobrevivência Numa Ilha Deserta, tomos I, II, III, IV e V.
Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Não me parece que consiga reunir três leitores deste blog, a quem possa passar o testemunho. Só devo ter no máximo dois e, mesmo esses, como só aqui passam de quando em vez, correria o risco de, quando respondessem, já não houvesse blogoesfera mas sim outra coisa qualquer, muito mais sofisticada.
UFA!!!
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