sábado, julho 23, 2005

Arranjadinha...

...fico mesmo linda!

Olho para mim e gosto do que vejo. Estou mesmo bonita. Investi nisso e o resultado foi brilhante.

Hoje é dia de festa. Vou à missa celebrar 95 anos duma tia avó que tem os olhos azuis mais bonitos que já vi (ok, ok, os do meu ex também são e os do meu mais pequenino deslumbram...).

Vou ler uma passagem da Bíblia que escolhi para a ocasião e que deixo aqui:

"Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas." Eclesiates 1:11

Segue-se um jantar de leitão e lombo com castanhas...

(vou passar o tempo procurando um espelho, para não perder nem uma pitada deste narcisismo despropositado que me atacou)

sexta-feira, julho 22, 2005

Subscrevo!

A desilusão

Vamos pela vida intercalando épocas de entusiasmo com épocas de desilusão. De vez em quando andamos inchados como velas e caminhamos velozes pelo mar do mundo; noutras ocasiões - mais frequentes do que as outras - estamos murchos como folhas que o tempo engelhou. Temos períodos dourados, em que caminhamos sobre nuvens e tudo nos parece maravilhoso, e outros - tão cinzentos! - em que talvez nos apetecesse adormecer e ficar assim durante o tempo necessário para que tudo voltasse a ser belo.
Acontece-nos a todos e constitui, sem dúvida, um sinal de imaturidade. Somos ainda crianças em muitos aspectos.
A verdade é que não temos razões para nos deixarmos levar demasiado por entusiasmos, pois já devíamos ter aprendido que não podem ser duradouros.
A vida é que é, e não pode ser mais do que isso.
Desejamos muito uma coisa, pensamos que se a alcançarmos obtemos uma espécie de céu, batemo-nos por ela com todas as forças. Mas quando, finalmente, obtemos o que tanto desejávamos, passamos por duas fases desconcertantes. A primeira é um medo terrível de perder o que conquistámos: porque conhecemos o que aconteceu anteriormente a outras pessoas em situações semelhantes à nossa; porque existe a morte, a doença, o roubo...
A segunda fase chega com o tempo e não costuma demorar muito: sucede que aquilo que obtivemos perde - lentamente ou de um dia para o outro - o encanto. Gastou-se o dourado, esboroou-se o algodão das nuvens. Aquilo já não nos proporciona um paraíso.
E é nesse momento que chega a desilusão, com todo o seu cortejo de possíveis consequências desagradáveis: podem passar-nos pela cabeça coisas como mudarmos de profissão, mudarmos de clube, trocarmos de automóvel ou de casa, divorciarmo-nos...
E, então, surge o desejo de partir atrás de outro entusiasmo: queremos voltar a amar...
Nunca mais conseguimos aprender o que é o amor.
Se nos desiludimos, a culpa não está nas coisas nem está nas outras pessoas. Se nos desiludimos, a culpa é nossa: porque nos deixámos iludir; porque nos deixámos levar por uma ilusão. Uma ilusão - há quem ganhe a vida a fazer ilusionismo - consiste em vestir com uma roupagem excessiva e falsa a realidade, de modo a distorcê-la ou a fazê-la parecer mais do que aquilo que é.
Quando nos desiludimos não estamos a ser justos nem com as pessoas nem com as coisas.
Nenhuma pessoa, nenhuma das coisas com que lidamos pode satisfazer plenamente o nosso desejo de bem, de felicidade, de beleza. Em primeiro lugar porque não são perfeitas (só a ilusão pode, temporariamente, fazer-nos ver nelas a perfeição). Depois, porque não são incorruptíveis nem eternas: apodrecem, gastam-se, engelham-se, engordam, quebram-se, ganham rugas... terminam.
Aquilo que procuramos - faz parte da nossa estrutura, não o podemos evitar - é perfeito e não tem fim. E não nos contentamos com menos de que isso. É por essa razão que nos desiludimos e que de novo nos iludimos: andamos à procura...De resto, se todos ambicionamos um bem perfeito e eterno, ele deve existir. Só pode acontecer que exista. Mas deve ser preciso procurar num lugar mais adequado.

Paulo Geraldo

quinta-feira, julho 21, 2005

Pinturas

Inspiro-me, levanto os olhos ao céu e entrego a alma ao que vier.
Pego no pincel e misturo as tintas, cuidadosamente, antes de as espalhar pela tela.
Vai surgindo uma forma.
Aquilo que eu quero que pareça, é.

No fim fica linda a pintura, cheia de cor e luz, prometedora.



Nota Mental: a qualidade das tintas é fundamental para que, passado uns tempos, não se olhe um quadro cheio de nada...

Desconfiada...

...pelo sim, pelo não, hoje esperei em vigília o nascer do sol...

e não é que nasceu?

:)

quarta-feira, julho 20, 2005

Dos Livros!

Há aqueles que lemos de enfiada, sem pausas, numa ânsia do epílogo.

Há os que vamos pegando e largando, ao sabor do estado de espírito.

Há outros que, didácticos, estão sempre à mão para consulta.

E depois, há aqueloutros que, não se sabe porquê, ficam na prateleira a ganhar pó. Até que haja coragem de os ler com o coração mais do que com a cabeça.

Esses, tenho-os todos ali ao lado da minha cama, por saber que a hora de me recolher é a hora em que me percorre uma serenidade que é fugidia, em vigília aguda.

Com os olhos semi-cerrados, vou aprendendo, devagarinho, aquilo que durante o dia vou recusando, ao sabor dos dever-ser e quejandos....

terça-feira, julho 19, 2005

segunda-feira, julho 18, 2005

Eu só Queria Escrever Assim...

Sê tu a palavra

1. Sê tu a palavra,
branca rosa brava.

2. Só o desejo é matinal.

3. Poupar o coração
é permitir à morte
coroar-se de alegria.

4. Morre
de ter ousado
na água amar o fogo.

5. Beber-te a sede e partir
- eu sou de tão longe.

6. Da chama à espada
o caminho é solitário.

7. Que me quereis,
se me não dais
o que é tão meu?

Eugénio de Andrade dixit (mas queria Eu ter dito)

Borbulhas...

...o Sol não está para brincadeiras.

...nem eu...

domingo, julho 17, 2005

Rápido, Rápido...

Bolas, eram 2h22' e já não são. Gaita para isto.
Precisava que fosse essa a hora para que me inspirasse a escrita...

Não sendo, resta-me dizer que há umas noites tão mas tããão esquisitas por aí que chegar ao remanso do lar se torna reconfortante. E seguro!!!

(tenho aproveitado esta ausência 'filhal' para me dedicar à vistoria da noite e, concluo, o mundo está um lugar estranho...no mínimo)

'Atõm', afinal 'erem'??? Porra prá coisa...

quinta-feira, julho 14, 2005

A Lagartixa Verdiroxa

Caminhando por uma estrada de terra batida que, a cada passada, levantava uma nuvem de pó que toldava a vista já cansada do velho obstinado, apareceu uma fada, difusa, mas uma fada certamente.

Perguntou-lhe o que o fazia caminhar há tantos anos aparentemente sem rumo. O velho respondeu:

_ Há pelo menos 50 anos que procuro uma promessa. Disseram-me que há lagartixas verdiroxas e eu quero encontrá-las. Quero ser um nome num livro relacionado com essa descoberta, para que o mundo nunca me esqueça como o homem que descobriu uma lenda, que afinal não era.

A fada parou-o, encostando a mão ao seu peito. E pediu-lhe, gentilmente, que se sentasse ali numa pedra do caminho e a ouvisse.

Com uma voz doce, como só as fadas têm, disse:

_ Velho senhor, passaste cinquenta anos à procura de algo que te perpetuasse para além da vida terrena. Ainda não descobriste a tal lagartixa que projectaste no futuro...um dia encontrarias, quem sabe...entretanto, escapou-se-te o Hoje, o Agora, a única coisa que realmente possuis de certeza. Pensa nisto. Pensa que, perdido que andas obcecado com o momento que aí vem, perdeste o presente. E é só este que vale, que existe, que pode dar-te a paz para fazeres caminho. Mas caminho a sério, não aquele com um destino no lá longe. Pensa nisto.

Com estas palavras desapareceu.

O velho achou que ela era doida, que não percebia nada de objectivos de vida e que se lixasses porque ele ia continuar a sua caminhada.

De repente espirrou. Esse espirro podia ser igual a tantos outros mas não foi. Aconteceu que, naquele momento, sentiu uma tontura muito grande e teve vontade de se deitar. Fê-lo debaixo duma árvore à beira da estrada de pó.

Adormeceu.

Quando acordou doía-lhe o corpo todo. Estava dormente da cintura para baixo e não conseguia, sequer, levantar-se.
Um pássaro mais atrevido, num vôo rasante, picou-lhe o alto da cabeça.

Pensou então nas palavras da fada. Percebeu que aquele agora era o que decidiria o que se seguiria. Não havia futuro, não havia passado, nada. Havia aquele momento presente que o imobilizava e o impedia do daqui a pouco.

Ficou assim, estático, a pensar nas palavras daquela mulher cheia de luz, que lhe apareceu no plano de vida desenhado ao pormenor ontem, para chegar ao amanhã...

quarta-feira, julho 13, 2005

Experiência

Escrever só com um dedo, o indicador esquerdo.

Demora-se mais.
A escrita é menos fluida mas naturalmente mais ponderada.

Porque, entre cada letra vai um espaço que dá o tempo. Da reflexão, da exaltação que não há, espera-se uma maior profundidade nas ideias passadas para aqui.

Mas também há um cansaço, do caminho do teclado que, de repente, é tão pouco ergonómico.

Decididamente, eu escrevo melhor com a alma de pianista que quis ser...e não fui!

(e para fazer parentesis, acentos, pontos de exclamação, ou mesmo maiúsculas, fiz batota)

segunda-feira, julho 11, 2005

Feliz Aniversário

O meu:

Que hoje seja o primeiro de muitos dias felizes e cheios de concretizações de Sonhos.

Que aproveite tudo o que a natureza me pôs à disposição e crie a vontade de, em mim e em quem me rodeia, pelo menos esboçar um sorriso por dia.

Que continue a ter comigo, por muitos anos, estes três filhos maravilhosos (telefonaram-me agora, lá de Estocolmo onde estão, e conversámos meia-hora...que grande prenda).

Amigos como tenho. Família que me aquece. Melhor? Não há.

Um mundo de esperança pela frente, que vá agarrando todos os dias com a fé dos que não desistem.

Parabéns para Mim.

domingo, julho 10, 2005

A Caminho da Piscina

Arranco daqui, no meu Saxo a 60º C, rumando em aceleração acima da lei, direitinha ao Lisboa Racket Centre para uma tarde de piscina, como faço há anos. No caminho (e estas coisas ainda me espantam, vá-se lá saber porquê...), um Opel Corsa a picar-me!

Achei graça, estava bem disposta e aquilo foi a adrelanina extra que precisava para ir acordando até ao destino final.

No fim, acabamos por parar num semáfro, lado a lado.

Um caramelo todo giraço abre a janela e faz-me sinal. Eu desço o vidro do pendura e fico atenta ao palavrão que vai sair, de certezinha.
Não sai.
Nenhum palavrão, antes um convite: vamos juntos à praia?

Perplexa, ainda a recompor-me, respondo: er...eu não sei o caminho para praia nenhuma. Sou romena e só cá estou há 2 meses. O meu português sem sotaque deve-se ao facto de ter uma patroa portuguesa que, enquanto lhe lavo a casa de banho, me vai ensinando a língua de Camões.

E arranquei em três segundos, com o ego no céu!

:)

sexta-feira, julho 08, 2005

Carta (semi) Aberta

(no fundo, esta missiva dirige-se a todos os que, sustentados na sua noção de integridade e de amor à verdade, enaltecem um egoísmo exacerbado que, cegando-os, não lhes deixa espaço para o espaço do outro)

Caro,

Virar costas e sair a correr tem laivos de cobardia, mas não é.
É outra coisa: é perceber que estar ali já não é mais do que alimentar um processo destrutivo, ignóbil em ambas as direcções e com efeito de alucinogéneo (associado a uma 'bad trip').

À distância, sossoboro! Mas em paz!

(e, depois dum tempo que só o tempo tem, passa tudo e a vida continua, espera-se, com melhores escolhas de com quem partilhar um sonho, ou até dois...)


As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

quinta-feira, julho 07, 2005

Etimologia da Palavra

Esperança:

Evolução relativa a esperar com confiança.

São 7h e picos da manhã e acabei de me despedir dos meus filhos. Vão a caminho da Suécia com o pai e a namorada do dito passar umas férias que, tenho esperança, lhes proporcionarão momentos de intensa felicidade e aventura.

Embarcam na Portela às 9h num avião da TAP com escala em Copenhaga, antes de aterrarem em Estocolmo.

Esta verborreia matinal tem um propósito: encher a minha cabeça com o barulho deste silêncio que de repente ficou...e que me dói!

Voltem depressa meus amores, sãos e felizes como eu vos quero, sempre...

Da Mãe que vos ama acima de tudo, infinitimaizalém!

terça-feira, julho 05, 2005

Vida Difícil

Enquanto não aceitarmos que a vida é difícil, e isso não é mau, não só não arranjamos estratégias e calma para vencer as dificuldades, como as aumentamos e arranjamos uma dificuldade maior. O que torna a vida ainda mais difícil do que é na realidade é pensar que ela devia ser fácil ou que alguém tem direito à facilidade.
Mas a vida sem luta não é vida!

(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'

(a minha mãe, que às vezes me surpreende com a sua perspicácia, emprestou-me hoje este livro...quando o abri, cairam-me no colo 6 fotos minhas de há muitos anos...pergunto-me porque raio ela sabia que este livro era, hoje, para mim)

Crescer ou Decrescer

Tudo o que não cresce, decresce e arrisca-se a desaparecer.
Este parece ser um princípio básico da vida.
Não há meio termo, ninguém fica de fora desta realidade.
Se deixo de investir numa relação, ela não se aguenta;
se não dou continuidade à minha formação, deformo-me inevitavelmente, e por aí fora...
E quem não continua a investir na fé e no amor, corre o risco de perder ambas as coisas.

(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in "Não Há Soluções, Há Caminhos"

Não chego mais longe...fico por aqui!

sexta-feira, julho 01, 2005

Aos meus 3 leitores assíduos

Comunico que este blogue encerra por tempo indeterminado!

Estou a pensar na possibilidade do trespasse...os € 50 davam-me jeito!

Até...ou não!

segunda-feira, junho 27, 2005

A Música e os Espíritos

Era uma vez um trovador que cantava coisas extraordinárias, sobre pessoas comuns e que, por onde passava, acordava os espíritos do bem.

A música tem essa magia única de trazer à alma um turbilhão de emoções que fazem com que esta acorde o espírito.

Esse, o espírito, fica exaltado e não se aquieta até que a melodia lhe traga aquilo porque anseia e que, a maior parte das vezes, está escrita nas letras que a acompanham. Depois a alma dá a mão ao corpo e ficam quietos, a saborear o momento de unicidade rara.

As mínimas, as colcheias, as semi-colcheias, os bemóis, quando em harmonia, têm destas coisas...

quinta-feira, junho 23, 2005

Eu nem sou socialista, muito menos socrática...

...mas reconheço que este governo teve alguma coragem em mexer num 'status quo' de determinadas facções profissionais que, por comparação a outras, aviltavam injustiças insustentáveis.

O caso dos propfessores é paradigmático e eu aplaudo de pé as medidas anunciadas e só acho que pecam por defeito. Há ainda que mexer muito mais.

Falo com conhecimento de causa.

Amanhã, dia 24 de Junho, vou agraciar em conjunto com outros 23 encarregados de educação uma excelente professora primária que termina este ano a sua vida profissional, pelo menos ao serviço do Estado, aos 52 anos de idade.

É uma mulher de vocação, na profissão que exerce.

Poder-se-ia ter reformado há 2 anos atrás (???, perplexa), mas OPTOU (isso mesmo) por levar estes meninos até ao fim do seu percurso do 1º Ciclo do Ensino Básico. O meu catraio do meio faz parte dos felizardos que ela acompanhou, desde as primeiras letras, há 4 anos atrás.

À professora Lu presto o meu tributo, por tudo o que fez ao longo da sua carreira, com uma maior expressão quanto ao Martim por razões óbvias (terminou o ano com média de 17, sendo o maior calão 'contrariado' que conheço :D ), deixando no ar a questão que me fez escrever estas linhas: porque não pode esta senhora acompanhar o meu mais novo, que entra em Setembro no mundo escolar? Porque raio se é 'velho' (ou se pode ser) quando a pele ainda nem rugas apresenta e os olhos apresentam uma vivacidade expressiva e cheia de conhecimento e experiência para partilhar???

Algo vai mal quando se vai por aqui...

segunda-feira, junho 20, 2005

Desfé nos Crescidos!

Acabei de inventar esta palavra. Não é, sequer, foneticamente agradável. Descrédito não é sinónimo e eu não me lembrei de nenhum. Haverá, concerteza, mas não me ocorre.

Como escrevo ao correr dos dedos, sem pausas ou equilíbrios, não me sobra discernimento para a construção pausada e pensada das palavras feitas frases. Escrevo com nervos, quase sempre. Escrevo para mim, como catarse. Ninguém me leia à procura de sentido...não vai encontrá-lo.

Quando catraia, ainda primeira infância, fazia teatros em frente ao espelho. Quarto todo escuro e interdito aos outros com quem me via obrigada a partilhar o espaço.
Ninguém entrava enquanto não acabasse a minha 'viagem' por terras do imaginário. Invariavelmente começavam na história da 'Menina do Mar', da Sophia de Mello Breyner,
meu livro de estreia depois de aprender a conjugar as letras que faziam palavras, que por sua vez faziam frases que me levavam para um outro mundo, outra dimensão.

Eu era essa menina, a do mar.
Às vezes até acho que ainda sou!

Ó oceano, embala-me nas tuas ondas e não deixes que a terra me leve...não me deixes crescer!

Trovoada

Queria chamar-me Bárbara
Queria ser tempestade e varrer o céu
Deixá-lo limpo depois da borrasca
E que não sobrasse nada...talvez o breu

Que coisa egoísta, esta! O céu é de todos e eu queria-o só para mim.

sexta-feira, junho 17, 2005

Missangas Amarelas

Hoje, tenho vestido um top, cheio de missangas amarelas como o Sol. Sempre que me mexo, cai uma ou outra no meu colo. Pego nelas e, com pena, atiro-as ao infinito que fina no chão.
Gosto do amarelo mas prefiro o verde. Não havia nessa cor e optei por esta...de qualquer maneira, mesmo verdes as missangas caíam, tenho a certeza.

O calor é coisa estranha. Sonha-se com ele durante os meses frios mas, quando chega, quer-se frscura e folha caída. Não eu, que me deprimo, invariavelmente, no Outono. Embora goste de castanhas...

Ufa, vou ali beber uma Boémia e tal!

quinta-feira, junho 16, 2005

14.30 dentro dum Saxo num dia de calorina!

Desaconselho, sendo o modelo um daqueles básicos, cujos únicos extras são um airbag para o condutor e um rádio que tem uma plaquita que se tira (que por acaso já foi à vida, roubado numa noite de Verão em que deixei a janela aberta...).

Hoje, à hora supra referida, dirigi o dito em direcção ao Parque das Nações. Quando entrei e me sentei no banco do condutor, o termómetro que não tem (não era extra, lá está), marcava praí 60º.

O volante queimava e a manete das mudanças idem. Peguei num toalhete limpa vidros que tinha comprado (pronto, alguém mo comprou, confesso envergonhada...e também me encheu os pneus mas eu não fiquei gorda ó isso), há dias numa bomba de gasolina a caminho de Azeitão e fui a guiar com ele na mão direita, na esperança de evitar uma qualquer queimadura de 5º grau.

De janelas abertas, a única coisa que consegui foi ficar totalmente despenteada, impossibilitada de ver o caminho, o que me trouxe alguns contratempos (palavrões indizíveis de colegas de faixa de rodagem).

Resolvi subi-las, as janelas, e cozi...literalmente. Hoje, se alguém quiser provar (no bom sentido ), temos Di flambé... É fazerem as reservas!

Ai eu...

terça-feira, junho 14, 2005

Não Morrer É Isto

As Amoras

O meu país sabe as amoras bravas no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país,
talvez nem goste dele,
mas quando um amigo me traz amoras bravas os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade ("O Outro Nome da Terra")

Leio-te hoje como te lia anteontem, e nada mudou...

:)

domingo, junho 12, 2005

Contentona!

É como eu ando.

Cirando por aí, menos por aqui.

Falta tempo para pôr em palavras o quotidiano.

Volto qualquer dia!

Té...

;)

sábado, junho 04, 2005

Descontentinhos!

Os portugueses, onde obviamente me incluo, têm uma enorme tendência para se assumirem como 'inhos'. Estão a maior parte do tempo descontentinhos, raramente contentinhos e quase nunca assumidamente 'qualquer coisa' terminada em 'ãozão'. Raras vezes se zangam a sério. Raramente se rebelam ou se manifestam sem aquele 'sufixo' dimunuitivo de condição.

A não ser no mundo futeboleiro. Aí, são capazes de superlativos, de que usam e abusam.

Agora, estão desiludidinhos com Sócrates...e só...mais vai-se andando, menos mal!!!

(eu não estou desiludida nem nada que se pareça, note-se...é que nunca me iludi, topam?)

quinta-feira, junho 02, 2005

Caminhando...

...pela estrada de pó, envolvida num calor seco, vejo andando na minha direcção um velhote cambaleante. Quando nos cruzamos, sinto-lhe o cheiro da falta de higiene, tão evidente como a confusão mental que o envolvia. Parei e segurei-lhe a mão, num impulso, reconhecendo a grandeza do gesto tendo em conta que os vómitos eram incontroláveis dada a minha sensibilidade exacerbada aos odores nauseabundos. Mas não hesitei um segundo, amparando-o nos braços, contendo o olfato.

Abracei-o sem uma única palavra. Olhei-o nos olhos, mostrando-lhe que já não se encontrava sozinho, que estava ali e que, vá-se lá saber porquê, me apetecia mimá-lo. E fi-lo. Sentei-me com ele, debaixo duma azinheira sombria, deitando-lhe a cabeça no meu colo. Acariciei-lhe os cabelos enquanto ele, em silêncio, deixava escorrer as lágrimas da surpresa pelo rosto abaixo. Plim, caiu uma na minha mão que lhe amparava o pescoço. Sem sequer me aperceber, lambi-a. Engoli-a e saboreei o momento...verdadeiro amor universal, sem nome nem nada.

O senhor, de repente, fez-me um pedido:

_ mude-me a fralda. Está suja e não consigo fazê-lo sozinho. Faz isso por mim?

Fi-lo. Grande EU! Acho que sou uma pessoa verdadeiramente boa.

quarta-feira, junho 01, 2005

Nunca, até hoje...

...um 'delete forever' me soou tão pertinente!

(um dia, quando for mais evoluída, seguirei em frente com a mágoa atrás, presa num qualquer sobreiro do caminho, feito um nó de marinheiro que, um dia, saberei laçar...precisava de férias, mas não quaisquer umas...)

As Marés...

Dizem, há mais que marinheiros.

Eu encontro-me no cais, à espera da embarcação que me leverá longe, sem perguntas, sem 'à priori's', sem querer nomes ou impressões digitais.

Vou, com ou sem volta, é indiferente...hoje!

E se, de repente...um desconhecido lhe desse uma estalada...

...levava outra, com maior vigor. E pensaria duas vezes antes de atacar fêmeas com ar inofensivo!

Mainada!!!

Gostava de ser um triângulo...e equilátero

mas, no máximo sou um obtuso...e não passo disso!

terça-feira, maio 31, 2005

No Dia Mundial Sem Tabaco

(é mais Dia Mundial Cem Tabaco...)

Estou aqui, sentada no sofá com o laptop no colo, a fumar uma cigarrada. Sabe-me que nem ginjas cada baforada. Penso que se morrer 'à cause', foi uma escolha que fiz, consciente.

Comecei a fumar aos dezasseis anos, no meio das duplas competições em que participava, à altura: natação e volleyball. Era federada e fazia check-up's regulares no Centro de Medicina Desportiva, ali no CDUL. Depois do cigarro, que teimava em fumar antes do electrocardiograma de esforço, a pulsação que rondava os sessenta batimentos por minuto em condições idênticas de pulmão limpo, subia para cem. Quase chumbei no exame à custa do maldito vício. Mas só quase, porque mesmo assim não era preocupante, segundo o phisico que acompanhava o papelinho riscado que saía da máquina enquanto eu corria parada.

Hoje penso que, mais de vinte e cinco anos de alcatrão acumulado nas vias respiratórias, se usados em novas vias de comunicação rodoviária, ajudariam sobremaneira a diminuir o déficite.

Usem-me...façam-me esse favor!!!

domingo, maio 29, 2005

Acasos

Por acasos, e só por acasos, fico às vezes triste. Não desenho cenários, não construo 'estórias' com final duvidoso, não penso sequer em fatalidades. Só fico assim, triste.

Que mensagem subliminar a tristeza não explícita tentará passar? Que lição me mostra que me escapa?

Posso tentar perceber mas, confesso, acho que é inútil. Deixar a tristeza fluir é tão importante como aproveitar os momentos felizes, a maior parte deles fugazes, escorregadios.

Momento lúdico: ouvi, este fim-de-semana, alguém queixar-se do contrato que tinha conseguido por ser apenas um 'party-time'. Eu cá acho que rejubilaria com tal coisa...mas ele há gente que não se contenta com nada!!!

quarta-feira, maio 25, 2005

A Saga de Razão Está de Férias

Os impostos...pois...

Queria muito perceber o que mudou desde aquele dia (seria de Março?) em que Victor Constâncio avisou da necessidade de aumentá-los. Se bem se lembram, nessa altura, o nosso 1º garantiu que, no matter what, isso não aconteceria. Ok, ok, caiu uma bomba atómica neste cantinho, aconteceu uma terrível catástrofe, houve cheias, ou seca ou coisa similar e, de repente, teve de ser...

Sabe Sr. Sócrates, não se promete aquilo que não se sabe se se pode cumprir. É só esta a questão. A reter...

quinta-feira, maio 19, 2005

Taça UEFA

Bom, já bastante depois de terminado o jogo chamei um táxi. O motorista era benfiquista, mas fez questão de me dizer que se tinha juntado à torcida verde durante aquela hora e meia que durou a partida.
Sem comentários, eu ia dizendo uns lacónicos 'pois', desconcentrada, ouvindo apenas as terminações das frases que o dito teimava em lançar boca fora.

Não me apetecia conversa, raios. E, quando assim é, desligo o motor e vou vomitando expressões automáticas tipo 'hã hã', 'claro', 'mainada' e coisas assim...

Às vezes corre mal porque o interlocutor formula uma pergunta e eu respondo 'talqual'. E depois repete a pergunta e eu, envergonhada digo que é ali, na próxima à direita.

Quando percebi que a conversa já não era futebol e sim itinerário passei a prestar atenção. E acabei por ouvir esta pérola:

_ sabe, menina (esta parte faz-me sempre um enorme bem à alma), no sábado 'apanhei' quatro 'indivídas' que vinham do jogo na Luz. Uma era também sportinguista (o também devia ser comigo talvez porque no meio de tantos 'pois' me tenha denunciado) e disse-me que, durante o jogo, quase sofreu um 'miocárdio'...eu disse-lhe que era muito novinha para morrer disso. Que não se preocupasse que para o ano haveria mais campeonato e ela estaria vivinha da silva para assistir.

Não pude deixar de sorrir e concluir que vou passar a prestar mais atenção às conversas de circunstância que se mantêem nos trajectos dos táxis. Às tantas, o que eu ando a perder...

quarta-feira, maio 18, 2005

Nem mais...

No momento em que partilho com alguém o facto de ter concorrido com dois textozitos ao concurso do leituras.net e esse alguém me questiona sobre que escritos resolvi partilhar, respondo um lacónico: não me lembro...

A propósito, ele sai-se com esta:

_ tu és daquelas que conta uma anedota a si própria e no fim se ri e diz que essa não conhecia.

:D

Pronto, achei brilhante, a tirada!!!

terça-feira, maio 17, 2005

Quanto ao amor...

...não havia mais do que casos inconsequentes, que lhe passavam pelos lençóis sem deixar rasto. Punha-os a lavar imediatamente após o coito, sem guardar memória do perfume de quem lá passara.

Paradoxos...

Depois de alguns anos no mercado de trabalho e do reconhecimento num curriculum exemplar que lhe abria as portas de qualquer atelier de arquitetura, Razão 'guinou' o volante e dedicou-se à arte do restauro. Rapidamente passou daí à criação das suas próprias obras de arte e não faltou muito para a sua vida se tornar num rodopio de 'vernissages'. Vendia tudo porque, além de haver procura, não sentia qulaquer apego às peças que moldava. Usava desperdícios e materias nobres, numa conjugação estranha e dura mas que, paradoxalmente, se harmonizava.

Começou a sentir (sentir?) que devia pensar menos nas formas, usando aquilo que sentia para criar outra coisa, menos geométrica e mais anímica.

Chegou à escrita resolvendo experimentar transcrever as emoções que cada peça que nascia representava. Era um primeiro passo para ir mais fundo no processo criativo...

quinta-feira, maio 12, 2005

Carácter de Razão

Forte, intuitivo, solto, persistente, camarada, confiante, confiável, mordaz!

Fez-se assim homem, deixando-se levar pela vontade de ampliar horizontes e exponenciando características que achava louváveis.

Havia, no entanto, demasiada matemática na sua cabeça, sempre martelando na lógica das coisas o que, inevitavelmente, levava as mais das vezes a um sentimento profundo de frustação.

'Há razões que a própria razão desconhece'

Custava-lhe aceitar isto, como lhe custava ter passado o metro e noventa e não haver roupa que lhe servisse, muito menos calçado. Nº 48 reduz drasticamente as hipóteses de escolha do dito, para além de constituir um peso extra no seu orçamento de arquitecto em início de carreira.

Quando se apaixonou, mediu tudo o que sentia com fita métrica: amo 30 cm ou chega ao metro? vale a pena investir numa relação a partir de que medida? se investir, manter-se-à o estado de graça ao metro ou ao quilómetro?

Razão não estava preparado para se relacionar com alguém sem conta, peso e medida.

Começa aí o seu desnorte. Começa aí a sua busca do que se encontra maizalém, para lá do mensurável.

A metafísica passou a ser assunto de estudo...

domingo, maio 08, 2005

Armários

Idades difíceis essas. Razão não fugiu dela e dela tirou proveito. Cresceu até às núvens, magrinho e desconjuntado. Sempre bom aluno podia escolher continuar a estudar, depois de terminado o secundário. Tinha média para entrar onde quisesse, sem ter de recorrer a uma qualquer Universidade Privada que a mãe não poderia sustentar. Escolheu Belas Artes porque desde pequeno que os lápis de carvão lhe desenharam a história, mais do que as letras que sabia ordenar mas que, dizia, careciam de 'alma'. Essa encontrava-se nos desenhos que rabiscava, altas horas da noite, perseguindo o fim duma 'estória' dum personagem fantástico que criara em BD: o Sr. Emoção.

Entrado na faculdade, começou cedo a perceber que esse Emoção careceria de desenvolvimento. Teria de aplicar-se mesmo, se o quisesse fazer aparecer com enredo consistente e interessante.

No fim do curso, percebeu que o nome dele não teria sido escolhido ao acaso...depois explicarei porquê!

quarta-feira, maio 04, 2005

Razão e Aprendizagem

Aprende-se todos os dias, basta estar atento e focalizado.

Razão absorvia com avidez todas as horas do dia, fosse ajudando a mãe nas tarefas domésticas, fosse numa qualquer brincadeira.

Era observador e analítico o que fez que, quando chegasse o momento de ingressar na Escola (aquela outra, formal, em que o bibe se impunha), levasse com ele uma relativa vantagem em relação aos outros pimpolhos agarrados à saia das mães.
A sua, doce e presente, foi naquele 1º dia ausente, por puro mau feitio duma patroa enrezinada e prepotente. Mas isso foi coisa que Razão percebeu e que não lhe deixou marca.
Começava para ele uma nova etapa importante que, sabia, lhe traria um mundo completamente novo: o das letras com sentido.

Aprendeu a ler em três tempos. Era um aluno aplicado e rapidamente se tornou um dos alunos favoritos da professora Rosário, mulher com muitos anos de profissão que cedo percebeu ter ali, em Razão, um desafio maior que os outros...

segunda-feira, maio 02, 2005

Independência Relativa e a Merceeria

Era como que um passo de gigante.

Razão, já crescidote, ia fazer recados à esquina da rua e vinha com um saco cheio de encomendas. E cumpria à risca, trazendo a lista completa, tal qual era suposto. Razão cresceu quando se tornou responsável pelo arroz e pelas batatas. E pela fruta, que também era pelouro seu.

Até lhe nascerem as borbulas, que não havia creme milagroso que fizesse desaparecer, Razão contentava-se com o status quo. Era crescido porque ia fazer compras, abastecendo a casa à custa daquele olhar suplicante de géneros a que o Sr. Manuel não resistia. Conseguia fiado, depois gerindo notas e moedas, logo que a mãe conseguiu um trabalho que pagava a horas.

A vida de Razão não era má. Dava para sonhar com grandes feitos futuros, com possibilidades infinitas e com a alegria que a esperança ainda não lhe roubara.

Ia ser astronauta, havia decidido...

sábado, abril 30, 2005

O Parto e o 1º Aniversário

Razão nasceu um bébé robusto e cor-de-rosa, cor da pele a lembrar a da mãe, naquela manhã quente em que sentiu o extâse que lhe provocou o primeiro orgasmo sentido, e que a levou aqui: a sala de partos.

Era uma divisão fria e com muita luz, embora não se percebesse donde emanava. Era de noite cerrada mas parecia mais dia que o próprio dia. Havia permanentemente gente a entrar e a sair sem que ela percebesse porquê ou para quê. Achava que todos deviam sossegar, aliás como ela sossegava.
Sentia dores mas sem medo. Sabia, instintivamente que eram dores 'das boas', daquelas em que, regra geral, não se morre.
E quando lhe dissram que fizesse força pela barriga, embora sem perceber fê-lo. Três vezes e tinha Razão no seu colo, redondinho e escorregadio: o mais belo bébé do mundo.
Esse momento, mágico e inolvidável, mudou-lhe para sempre a perpectiva da vida. E tudo fez sentido.

Razão era sossegado mas exigente com as horas das refeições. Mamava com uma avidez que provocava dor durante toda a mamada. A mãe contraía-se, embora confortada com o sentir daquela pele cor-de-rosa contra a sua.

Razão mudou-lhe o corpo, mas confiava ser algo temporário e que, em breve, voltaria a recuperar a silhueta longilínea que antes possuía. Mas não era coisa que importasse, agora que gozava o desafio da maternidade.

Quando deu por isso, já Razão tinha as duas pernitas direitas e verticais, sustentava o corpo bamboleante e dava os primeiros passos, embora parecesse ter bebido 3 caipirinhas e não conseguisse seguir o caminho que escolhia.

Tinha passado um ano e, começava aí, a aventura de Razão. A descoberta do espaço...

sexta-feira, abril 29, 2005

O Senhor Razão

Foi baptizado assim por um capricho da mãe, que gostaria de ver a vida do seu menino influenciada pela escolha do nome.

Foi concebido num acaso, na emoção dum momento que afastou a razão dos corpos embrulhados. O suor tem destas coisas e faz escorrer sódio e raciocínio.

Quando descobriu que daquele momento resultou uma gravidez resignou-se. Compreendeu, imediatamente, que tinha comprado um bilhete para uma viagem sem regresso a um mundo completamente novo, que duraria toda a vida que a ambos (mãe e filho) fosse concedida.

Assustada, chamou-lhe Razão na esperança de que, daquele acto emotivo que lhe deu origem, emergisse para a Vida um ser equilibrado e capaz de escolher o uso da mesma, sempre que as circunstâncias o exigissem.

Coisa que ela própria não tinha conseguido, no meio daquele turbilhão de peles, suores e cheiros...

quinta-feira, abril 28, 2005

O Amanhecer Escolhe-se

Era tarde mas os olhos persistiam em manter-se cerrados como se fosse madrugada. Havia neles cansaço e desânimo o que adiava o despertar.
O corpo avisa-nos do tempo mas o espírito recusa-o. Teima em decidir a alvorada, consoante a vontade do dia.

Nessa manhã recusei o sol. Escolhi o breu da noite, mantendo a persiana corrida para certificar o engano. Quando finalmente cedi ao evidente adiantado da hora resolvi acordar.
Não me arrependi. A janela escancarada mostou-me um dia radioso (embora quase ido), um chilrear aconchegante de passarada citadina, um cheiro a flores que nascem desenfreadamente nos jardins fronteiros ao meu quarto.

Prometi a mim mesma não desperdiçar a manhã que já estava perdida e transformei a hora em pequeno almoço à la americana (escolhi a hora de Boston porque era a que mais me convinha). Remexi todos os relógios que encontrei e escrevi neles 9h. Fiz tudo como se fosse esse o tempo e resultou.
Agora já os arrumei todos, tornando-os consonantes com a verdade.

Amanhã, decidi, acordo às 9h do nosso meridiano. E vou sentir o pulsar agitado da vida obrigatória e escrava do tic tac produtivo!

Haja disciplina...

quarta-feira, abril 27, 2005

Abro o Estaminé

Visitantes: 2222
Estatísticas: 33,33% de estreantes

Uma capicua é sempre um um bom sinal. Um aviso. Mostra-me que a realidade vista de lá p'ra cá ou de cá p'ra lá mantêm a essência das coisas, mudando apenas a perspectiva.

Acho que a sorte vai mudar :)

terça-feira, abril 26, 2005

'Úrsula'

'Geometria' óssea
'Táxi' à cabeça
Tintura 'idiota'
'Câncaro da prósta'
Infecção nas 'ingivas'
'Broncos' irritados

Pérolas populares...

Ah, é verdade, falta o 'cóvér' de queijo da serra e a obra 'embrulhada' pela Câmara!!!

quinta-feira, abril 21, 2005

Sem Peios

Posso responder de dentro p'ra fora. Porque o contrário é enganador. Eu não gosto de enganos, embora saiba que com eles sobrevivo. Porque mesmo sabendo, nunca sei. Porque desejo sem querer. Porque falho nesta missão simples, básica, da subsistência...até nisso. Quanto mais no maizalém!

Mas chego lá...

Escuta

Se eu volatizasse, sentirias a ausência?
Se eu não pudesse corresponder ao ideal que desenhaste, sozinho, falharia?

Se eu pudesse, era diferente?

Eu tenho todos os lados duma circunfrência...podes sempre escolher o melhor e aí te deter. Eleger uma parte preterindo as outras. Escutar o barulho surdo de mim, que se manifesta sempre envergonhado, porque escondido se descobre.

Eu quero ser um todo, hegemónico embora contraditório, sempre verdadeiro e real.

Quando deixar de ser, já não pertenço...tão só!

Nota de Rodapé dirigida ao chato do Pêndulo: quando falo em hegemonia, quero referir uma simbiose de mim com tudo/todos e vice-versa, que não me repugna mas que recuso muitas vezes...percebeu???

terça-feira, abril 19, 2005

Utopias

Estar agora naquela tal ilha deserta, com os Tomos I e II estudadinhos, a pescar alegria num mar salgado...

segunda-feira, abril 18, 2005

Surpreendendo o Mundo à Janela

Pois é Sara, para veres que às vezes posso surpreender-te :)

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

Seria, concerteza, um livro didáctico. Ensinaria a somar, mais do que a subtrair e a multiplicar para depois dividir.

Já alguma vez ficaste apanhadinha por um personagem de ficção?

Já, confesso corando: O Prícipe Valente, a personagem principal duma banda desenhada fantástica que me acompanhou na adolescência.

Qual foi o último livro que compraste?

Num impulso, comprei um Código Civil Anotado, porque precisava de consultar a 'nova' Lei do Arrendamento Urbano (bocejo).

Qual o último livro que leste?

Bom, estou a ler uns quatro ou cinco em simultâneo.

Se contar só aquele em que cheguei ao finalmente: O Cavaleiro da Armadura Enferrujada, cujo autor não me recordo e, como foi emprestado e devolvido, não posso procurar (ah, esperem, o Google...já volto) - apareceu um resultado, relacionado com uma peça de teatro com o mesmo nome, anunciada no Jornal do Fundão, em que a autoria é atribuída a Isabel Bilou...não me parece que seja dela, porqe tinha ideia de que o género do autor seria masculino...

De resto, tenho na mesa de cabeceira a Casa da Loucura, de Patrick McGrath, na mesa da sala Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, de António Lobo Antunes (estou a lê-lo há uns 3 anos e vou na página cento e tal), Os Três Cavalos, de Erri de Luca, A Arte de Amar, de Erich Fromm, O Dragão com Asas de Borboleta e outras histórias zen-taoístas, de Swami Deva Prashanto, A leitura do Rosto, de Rodney Davies, O Caso Morel, de Rubem Fonseca, Um Dia Atrás do Outro, de Laurinda Alves, Vozes e Ruídos, de Daniel Sampaio e ainda Homens na Cozinha, Mulheres no Sofá, de Gaby Hauptmann...

Afinal, este teste serviu para perceber que tenho muita leitura para por em dia, apre!!!

Que livro estás a ler?

É o que dá não ler as perguntas todas duma vez. Todos os acima mencionados, mais alguns que devem estar debaixo da cama ou na casa-de-banho e não encontro...

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

Manual de Sobrevivência Numa Ilha Deserta, tomos I, II, III, IV e V.

Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?

Não me parece que consiga reunir três leitores deste blog, a quem possa passar o testemunho. Só devo ter no máximo dois e, mesmo esses, como só aqui passam de quando em vez, correria o risco de, quando respondessem, já não houvesse blogoesfera mas sim outra coisa qualquer, muito mais sofisticada.

UFA!!!

sábado, abril 16, 2005

Ambientes

Tenho a casa um mimo.

As contingências do presente dão-me sobras do tempo. Este, bem aproveitadinho, tem-me proporcionado momentos de imenso prazer, aplicando-o na transformação deste meu 'cantinho' num aconchego esteticamente agradável.

Flores e mais flores e que diferença. Pratos espetados na parede, baús antigos brilhantes como novos, fotografias por todo o lado, espelhos a tornar o espaço ainda maior e música, muita música.

Inverti o papel dum tabuleiro, pendurando-o por cima do sofá.

Faltam-me os candeeiros e o 'pilim' para tratar disso. São muitas divisões (seis?!) e por enquanto safo-me com uma lâmpadas penduradas que, servindo o propósito de iluminação, não deixam de dar uma certa graça ao espaço, tornando o contraste rico/pobre vísivel.

Às vezes, é preciso quase nada para se ser feliz.

Experimentem ter a Primavera dentro de portas, mudando as cores do ambiente usando apenas a imaginação.

Olha...

Que descanse em paz.

:)

A Ver...

As tentativas de escrever aqui qualquer coisa têm sido sistematicamente frustradas. Mal acabo um texto e clico ali, no 'publish', esta porra fecha a página e lá se vai tudo pró buraco negro.

Mudo a estratégia e clico em 'save as draft'. Nem preciso dizer que, pimba, lá se repete a cena.

Estou a escrever isto na certeza de que o buraco negro (esse esfomeado) precisa de se alimentar mais uma vez e que este textozinho lhe vai saber que nem gingas...

Enfim, um dia pode ser que morra. De obesidade mórbida já sofre, certamente!

domingo, abril 10, 2005

Intervalo

A programação segue dentro de momentos.

(para além da falta de vontade, alia-se-lhe um vírus maléfico que não me deixa 'postar')

quarta-feira, abril 06, 2005

Os Animais são Nossos Amigos

Ok, a frase é irónica...mas a ironia que contém serve de 'descompressor', descartando assim interpretações enviezadas daquilo que passo a escrever.

Tenho uma profunda antipatia por fundamentalistas, seja de que espécie ou sob que pretexto for. E incluo neste rol algumas associações dos direitos dos animais que, de vez em quando, lá aparecem, estridentes, entrando casa adentro através do televisor.

Eu gosto tanto dos seres irracionais (só de alguns, confesso), como aqueles que, agarrando a bandeira dos direitos dos mesmos, fazem folclore permanente com ela, agitando-a por tudo e por nada e, quanto a mim erradamente, perseguindo a 'equivalência' dos direitos deles aos dos outros: os 'racionais'. (como se estes últimos tivessem o problema dos seus direitos resolvido...).

Depois, há sempre a pulga, o piolho, a barata, a centopeia que, estando no reino animal, não colhem simpatia. E são exterminados sem dó nem piedade. Porquê então? Ora essa...

As grandes causas, no entanto, passam-lhes ao lado. Como a horrenda 'caça' às focas bébés, cuja época acabou de abrir no Canadá. (confesso que nunca vou entender como se é capaz, que raio de seres são aqueles que conseguem à paulada ignorar aqueles olhitos pretos, redondos como berlindes, mais surpresos que assustados...).

Acho que o segredo está no bom-senso (como aliás, está sempre...redundância).

Os animais são nossos amigos, ah pois são...mas não deixam de ser isso mesmo, animais. E eu gosto deles assim.

terça-feira, abril 05, 2005

Conexões Desconexas

Estava mais p'ra lá do que p'ra cá.
Com sono, sem força, cansada e com dificuldades de coordenação motora.
Curiosamente sentia-me flutuar, serena, como se passeasse numa autroestrada de nuvens fofas, em que a ausência de gravidade foi capaz de, daqui ali, me levar num salto a percorrer a infinidade de espaços que o espaço tem.

E lembrei-me do tempo, que não há.

domingo, abril 03, 2005

Artistas Nacionais

Hoje houve missa solene na Sé de Lisboa, às 17h.
Celebração eucarística especialmente dedicada à alma de João Paulo II, o Papa falecido ontem.

De repente, à entrada dos membros do Governo no templo, explode a populaça em aplausos. Sim, aplausos à medida que vão entrando, um a um. O maior artista? O merecedor da maior salva? Freitas do Amaral...

Tenham tino, pessoas, tenham Tino (esse, que me conste não compareceu - literalmente - senão, às tantas, tinhamos vira minhoto ou isso...)

Há momentos em que isto de ser lusitana me dá cá uma urticária!

sábado, abril 02, 2005

Amanheceu Assim...

Um dia cinzento e chuvoso.

Céu chumbo
Chumbo dente
Dente boca
Boca beijo
Beijo amor

Como se transcreverá a onomatopeia correspondente ao silvo da cobra?

Cobra Eva
Eva Adão
Adão paraíso
Paraíso amor

Sempre o Amor...

:)

sexta-feira, abril 01, 2005

Quanto à Terri

Nem me apetece escrever nada porque as palavras sairiam lamechas e cheias de perplexidades (as mesmas que me perseguem desde o conhecimento do 'caso') e não trariam nada de novo a não ser a derradeira lágrima.

RIP

Os Sonhos...

Normalmente os meus sonhos não têm qualquer sentido. São povoados de estranhos, em lugares desconhecidos e com enredos 'fellinescos'.

Mas hoje não foi assim. Hoje sonhei com coimas e com as dúvidas que carrego em relação ao poder discricionário dos agentes da autoridade em relação ao valor a aplicar às transgressões previstas no Código da Estrada.

A parte gira do sonho tem a ver com o facto de ter tido a 'oportunidade' de falar com a jornalista Fátima Campos Ferreira, apresentadora do 'Prós e Contras', e tê-la questionado sobre o programa de segunda-feira passada, em que o assunto foi aflorado mas sem qualquer profundidade e menos ainda conclusivo (um pormenor que me fez rir, no sonho: ela era caixa numa merceeria de que, parece-me, era proprietária, e respondia às perguntas dos clientes, enquanto pagavam as bananas e as couves de bruxelas).

Nesse programa, que segui com atenção, ficou claro que depende do critério do agente a determinação da gravidade da transgressão e, consequentemente, o valor da coima a aplicar (pormenor: descobri também uma nova fonética para essa palavra, no tal programa - côima - pelo vistos é assim e não deixei de sorrir).

Posso não concordar com este 'poder' atribuído assim, como a subjectividade necessariamente presente, mas até aceito.

Agora, consciente que existem 'intervalos' que vão dos € 500 até aos € 2.500, começo a ficar preocupada. Deveras...

Espero, ao menos, que o agente que me vier a confrontar com alguma 'asneira' que não estou livre de fazer enquanto condutora ou até mesma 'piona', me ache suficientemente simpática (e até, quiçá', giraça), para que, a autuar-me, estabeleça a respectiva coima no mínimo desse intervalo.

Ah pois é.

quarta-feira, março 30, 2005

Ali ao Lado

No blog dos 'Galarzas', o Optimus Glarza escreve algures, no seu papel de ditador (muito bem, muito bem...) 'i-leitores'.

O trocadilho iluminou-me. Acho que os e-leitores ficam todos a ganhar, nestas e-leições.

domingo, março 27, 2005

Pois é...

A Páscoa revela, invariavelmente, o pior de mim...

Os meus três pimpolhos recebem um número considerável de ovos de chocolate. Como mãe atenta à saúde dos ditos rebentos, escondo-os. Agora, é só esperar que se esqueçam deles e pimba: ataco-os eu mesma, única conhecedora do esconderijo.

Shame on me!

:/

quinta-feira, março 24, 2005

Profunda Indignação

...é o que sinto, perante a impotência dos pais de Terri Schiavo.

Nem sequer está em causa o fundamento que levou à pronúncia de todas as instâncias judiciais norte americanas sobre 'matá-la' por inanição. É outra coisa. Como mãe, imaginar-me numa situação parecida torna-se rapidamente num pesadelo insuportável de que quero imediatamente acordar.

Porque, e não me venham com tretas, é dum filho que se trata e não dum cônjuge. Esta última condição é alterável como aliás parece ter sido, no caso (o tal marido, que interpôs a acção, parece que já nem 'marido' é, uma vez que partilha o leito conjugal com outra eleita qualquer).
Já a mater/paternidade é laço que persiste para todo o sempre.

E, resta ainda saber que vantagem trará a morte de Terri ao tal senhor que decidiu que ela não quereria viver 'assim' . Pelo menos duma coisa se livra: da papelada do divórcio e essas coisas comesinhas e chatas.

Nunca vou esquecer o desespero estampado na cara daquela mãe, pedindo nem sabe a quem mais (?) que não matem a filha de sede e fome...porque nenhum conjunto de brilhantes phisicos, brilhantes homens de leis, brilhantes políticos, o que for, colará aqueles corações paternais de novo, partidos pela dúvida de se, afinal, até teriam todos eles razão. Que os seus sorrisos são meros 'actos reflexos'. Que o olhar de 'amor' também não corresponde a uma alma albergada na 'casca' que a suporta.

Restará, para sempre, a dúvida. E é isso que mói!

quarta-feira, março 23, 2005

A Propósito de Vizinhos, Vizinhanças e Histórias Hilariantes

Repescado de mim, dum outro 'sitio' onde escrevo:

De repente, lembrei-me do 'suquete' Testemunhas Habituais de Acidentes, do Gato Fedorento. Tenho uma vizinha nessa condição (acho que genética), que a transforma no 'jornal falado' aqui do bairro.

Compulsiva no desatar da língua, desbobina estórias, sendo que metade das quais não decifro porque não faço ideia quem são os intervenientes. Mas é hilariante à mesma. Eu acho o máximo ouvi-la, quando não dá nada de jeito na TV. Viva as vizinhas 'atentas' e 'solicitas'.

Depois, confesso, mostrou-me uma aquisição profilática que fez, há uns tempos, numa sex-shop: um dildo (gigante :medo:) prateado (juro) e acondicionado numa bolsa de veludo bordeaux.

Os pormenores da conversa com a menina da loja são qualquer coisa (acrescentem um sotaque alentejano cerrado e imaginem):

Vizinha: Boa tarde. Eu tenho prolapso do útero e preciso dum pénis para o empurrar (se não sabe o que é eu explico: o cabrão do coiso está caindo). Foi recomendação do médico (é mesmo verdade, o médico disse-lhe que uma relaçãozita de vez em quando ajudava a resolver...o que eu aprendo com ela).

Empregada: Pois pois....e o médico disse o tamanho?

Vizinha: Olhe, por acaso não. Posso ver o que tem?

Empregada: Concerteza. Tem preferência na côr?

Vizinha: Côr? Há de côr? Esses são quê? XL?

Empregada: Hmmm...olhe, temos este modelo Deluxe...é o que tem mais saída. E vêm com pilhas incluídas.

Vizinha: Pilhas? Praque quero eu pilhas???? Isso não vem levantado?

And soion and soion...sei que saiu de lá com uma coisa assustadora e que, parece-me, a fez mudar de médico.

segunda-feira, março 21, 2005

Vocações

A minha vida assemelha-se a uma tourada. Um toca e foge permanente em que quero enfrentar a fera para, no fim, fugir dela. A metáfora aplica-se na perfeição à forma como enfrento as vocações e os desafios profissionais.

Quero arriscar e começo o toureio, espeto umas farpas mas rapidamente saio da arena com o coração pequenino, sem qualquer sabor a vitória. Porque não arrisquei o veredicto do público e tenho medo que, em vez de flores, bonés ou outros, saia uma vaia avassaladora.

Quando deixar de ter medo vou ter a coragem de lá voltar depois da actuação, e espreitar a arena...a ver o que restou!

sábado, março 19, 2005

Preguiça!

Ronha...

E depois, espera-me um fim-de-semana em paz, no meio duma serra com cheirinho a mar.

Até à volta!

quarta-feira, março 16, 2005

Bem...hummm...pois!

Pode-se rir?

(eles 'voltarem'...eles 'andem' aí)

:D

'Comentos'

Gone :(

Não faço a menor ideia de como nem porquê.

Já revirei esta bosta de trás p'ra frente e nada.

Fugiram, pronto!

Rir

Rir é dos melhores elixires de descompressão que conheço.
É difícil rir sem vontade senão impossível tornando-se assim, na generalidade, algo genuíno.

Já o sorriso treina-se, para que possa ser esboçado de tantas formas que, raras vezes, corresponderá àquilo que verdadeiramente representa: um bem-estar que se quer partilhar com quem o recebe.

Eu hoje acordei a rir!

segunda-feira, março 14, 2005

Nasceu uma Estrela...

Há 47 anos atrás. Brilha no céu, cheia de luz. Não me ilumina só a mim...duma forma altruísta, consciente que é do seu lugar no universo imenso, lança a luz por onde passa espalhando uma aura intensa e colorida em quem 'toca'.

Esta estrela, às vezes, brilha só para mim. Ou eu assim o creio, porque dela preciso e me alimento.

É!
A mais linda do firmamento, infinitimaizálem.

*

sábado, março 12, 2005

Fim da Era Negra!

Começo duma outra, que se espera verdejante de esperança. A condizer com a estação que aí vem.

Antecede o estio,
Prepara o corpo para o calor,
Explode em cores e cheiros,
Absorve-se, no ar, a vida renascida.

Em nós,
Que nos abrimos ao mundo,
Cheios de optimismo, vislumbrando conquistas, celebrando já vitórias vindouras.

É assim a Primavera! Avassaladora!


(e vivó Sporting, by the way)

Beija Mão

Será que este ritual, que me atrevo a chamar ridículo, persistirá por muito tempo?

Ocorreu-me que o Estado, às tantas, não é tão laico como pode parecer à primeira. Falta, apenas, o anel 'papal' na mão beijada!

(é...sou uma conservadora modernaça)

quinta-feira, março 10, 2005

Oportunidades

Vejo muita incompetência por aí. Vejo muito oportunismo também. Curiosamente, estes dois factos aparecem, não raras vezes, associados.

Ocorreu-me este considerando, depois de ver uma reportagem televisiva sobre os novos (e 'carreiristas') deputados da nossa magna Assembleia.

Alguns, novatos nestas andanças, até prometeram não 'ganhar barriga', durante o mandato que lhes foi atribuído para nos representar (pois...), durante os próximos 4 anos. Até eles, meu Deus, assumem funções na premissa (generalizada) que isto de ser deputado aumenta a possibilidade de atingir níveis de obesidade preocupantes, dada a falta de movimento físico-intelectual associada.

Até ouvi um ex-autarca afirmar que não trocou a Câmara onde estava pelo lugar no Parlamento para descansar. Prometeu mesmo, trabalhar...

Acho que tenho de ir ali, tomar um comprimido de optimismo. Depois volto...ou não!

terça-feira, março 08, 2005

A Sense of Goodsense

Eu sou uma pessoa sensata.
Eu sou 'aborrecidamente' sensata e sensaborona, feita de malabarismos permanentes entre a emoção e a razão (ganhando esta última a maioria das vezes), saltitando entre os extremos e negligenciando, compulsivamente, o meio termo.

É causa minha chegar ao equilíbrio entre uma e outra, deixando-as co-existir pacificamente num respeito sincero pelo espaço e tempo de cada uma, doseando-as nas medidas certas.

Isso levar-me-à, seguramente, à sensatez temperada, propositada e profícua.

Mainada!

quinta-feira, março 03, 2005

Post Lúdico

Corro.
Corro tanto que me espanto.
Pareço um desenho, animado pelo sonho de conseguir chegar lá.

(persegue-te uma noite extemporânea, porque é de dia Di. É mesmo, acredita)

Quando lá chego, esbaforida, percebo o vazio da conquista. Perdi o 'caminho', detida que estava na chegada ao destino. E é no caminho que se percorre e no prazer das surpresas encontradas, que reside a beleza que nos constrói.

Mas aprendi. Aliás, aprendo sempre.

terça-feira, março 01, 2005

Pena

Pena, pato
Pato, asa
Asa, vôo
Vôo, fuga
Fuga, queda
Queda, causa
Causa, luta
Luta, ganho
Ganho, lucro
Lucro, luxo
Luxo, sonho

Sonho...

Será?

Que uma pedra em plena rota de colisão comigo, for interceptada pela minha força interior através de um pensamento positivo cheio de optimismo, se transforma em pó?

Será?

domingo, fevereiro 27, 2005

Da Dor

Palavra pequena demais para o imenso sentimento que encerra.
Coisa ruim que consome.
Mergulhar nela.
Permanecer aí.
Não lhe fugir...

(não se lhe pode virar as costas porque ela não vai embora sem a coragem de a olhar de frente e, de novo, emergir...)

N.A.: lendo de forma rápida o título do post, a fonética transforma as duas palavras em 'dador'. Dá que pensar. A anulação do espaço entre elas transforma-as em algo altruísta e construtivo. Vou lembrar-me disto.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Aqui Sentada

Fico, invariavelmente, surpresa com aquilo que vou descobrindo de mim ao escrevinhar 'à rédea solta', como faço aqui sentada.

Não é o mesmo que pegar num papel e rascunhá-lo. No papel sobressai um lado meu de insconstância, que está aqui também, mas disfarçado de 'arial' ou 'times new roman' e que num manuscrito se evidencia pela irregularidade da caligrafia.
Sempre tive pena de não me conseguir definir através dela. A verdade é que, num paragráfo de três linhas, percorro quase todos os estilos que vêm nos manuais dedicados ao estudo da dita.
Digamos que, seria difícil a um 'profiler', daqueles que vemos nas séries norte-americanas, 'apanhar-me' por aí.

Aqui, nesta cadeira incómoda, frente a frente com um écran em que vejo surgir as vogais e consantes ao sabor do pensamento, juntas a tentar fazer sentido e sem a distração da forma, escrevo com a alma, sem ninguém ver!

Legalização do Aborto

A ideia de referendar a legalização do aborto ainda este ano, por parte do Bloco de Esquerda, como primeira reivindicação após a euforia da 'vitória' aritemética do x3, faz com que me apeteça 'colar' aqui um texto escrito por mim há um par d'anos e que traduz a minha posição quanto ao assunto:

Sou contra o aborto. Sem complacências. Como um dogma de fé, baseado no princípio da sacralização do direito à vida, que é aqui paradigmático. Só admito nesta questão o contra e o a favor, tout court. Tudo o que ultrapasse isto não resiste à análise.

A dificuldade dos argumentos:

Se alguém se dignar a ler o que acabei de escrever e, mais ainda, responder, irão os leitores perceber exactamente onde quero chegar...vão começar a discutir se deve existir penalização jurídica para as mulheres que o fazem (não disse 'praticam', palavra totalmente inapropriada porque induz a ideia de que é coisa de 'dia sim dia não' propositadamente, note-se), depois passarão para a discussão do nº de semanas do embrião/feto e a legitimidade baseada no tempo que decorre entre fecundação e o acto em si, depois falarão em eugenia, ou seja, no direito que assiste a qualquer pai/mãe ede ter um filho perfeitinho, etc, etc.

Quanto à despenalização, a única coisa que faz sentido que me lembro de ter ouvido foi isto:

Uma mãe que rouba comida para o filho faminto, no super-mercado da esquina, deve ser penalizada? Todos respondemos em coro_ claro que não! Deve-se então despenalizar o roubo?

Dr. Gentil Martins dixit, e eu concordo!

Quanto à eugenia, conto-vos aqui um segredo, que fará alguns de vós acordar para uma realidade difícil de suportar: nascer saudável é tudo menos ganhar um passaporte vitalício para o mundo dos ditos normais...acontece que até conheço casos em que, depois de um parto natural associado a um nado-vivo perfeitinho perfeitinho, se sucedem em catadupa situações que, fora do controlo de uma mãe de primeira viagem, terminam com sequelas permanentes para esse bébé, relembro, em tudo perfeitinho à nascença!

Já para não falar daquelas gravidezes perfeitas que terminam em partos de consequências desastrosas!

Desculpem este chorrilho de considerandos mas, se chegaram até aqui, algum interesse o tema vos desperta.

Finalizando, deixo aqui uma situação hipotética mas passível de acontecer, com o fito de vos fazer pensar sobre ela, e só: Imaginem uma mãe que, após uma amniocentese, descobre à 24ª semana (o resultado destes exames demora) estar à espera de um filho portador de trissomia 21, vulgo mongolismo. A lei permite a essa mulher recorrer ao aborto terapêutico até às 'tantas' semanas (penso que 24, não estou segura). Esse exame acarreta riscos, nomeadamente a possibilidade de desencadear um parto prematuro (ignorem por favor a falta de rigor técnico...concentrem-se antes no cerne da questão).
Se tal acontecer, pós exame, o médico que assistirá a grávida, agora parturiente, à chegada de uma qualquer maternidade fará, naturalmente, tudo o que estiver ao seu alcance para levar aquela gravidez a termo, certo? Para quê, pergunto eu? Para ganhar tempo, esperar pelo resultado do exame e se poder chegar à conclusão que, afinal, o bébé esperado vem com defeito e, como tal, não verá nunca chegará a ver a luz do dia porque assim escolherão muitos pais...!

Ou, ainda e no limite, o parto é mesmo desencadeado e a criança nasce, será enfiada numa incubadora, rodeada de todos os cuidados para que se apoie a díficil luta que terá de enfrentar pela sobrevivência, pouco provável. Mas ninguém lhe virará as costas porque a lei não permite, após o nascimento, deixar morrer.

É...só consigo aceitar os absolutamente contra e os absolutamente a favor.

Assuma-se isso e lute-se por aquilo em que se acredita. O resto, são círculos desenhados incessantemente, sem qualquer espécie de saída sensata e com poucas possibilidades de consensos.

Plim.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Rédea Solta!

Assustador...muiiiito assustador!

Pelo menos desta vez não haverá desculpas se, daqui a 4 anos, o país estiver de 'fio-dental'.

A ver!

domingo, fevereiro 20, 2005

São, precisamente, 12h e 56'

Dia D: dúvida, descrédito, desinteresse, desmoralização, distância, desorganização, dormência e desistência.

Mas, ao mesmo tempo: direito e dever.

Enfim, Dislates soltos da Di em Dia D'eleições!

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Memórias!

Em 'passeio' pela web detive-me nuns considerandos dum ilustre 'nick' sobre o aproveitamento político, em plena campanha eleitoral, da fé católica dos portugueses a propósito da morte da irmã Lúcia.

De repente, recordei-me do já longínquo ano de 1999, e de dois compinchas que tinham lugar cativo nos meios de comunicação, invariavelmente lado a lado, numa extrema e intensa comunhão de valores: o sempre simpático padre Victor Melícias e o afável e dialogante candidato a 1º ministro, António Guterres.

Lembram-se?

Eu cá sim...

Arrelias!

Esqueci-me de ver o resultado da votação.

Também me esqueci de ver o debate.

Ando desmemoriada, caramba!!!

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Definitivamente...

Nada mais me surpreende, nos media.

Hoje temos votação por telefone:

''Deve ou não ser beatificada a Irmã Lúcia?''

Se acha que sim, ligue 'x'
Se acha que não, ligue 'y'

Acho que também se pode votar por sms, mas não tenho a certeza.

O resultado é divulgado amanhã, provavelmente durante as exéquias, interrompendo-se a emissão especial das cerimónias fúnebres.

Mal posso esperar...

Como Se Fosse Preciso...

...este dia, para gritar que te amo!

*

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

O Melhor Amigo do Ser Humano

(viram a subtileza com que me desviei do género?)

Tenho em casa, temporariamente, um cachorro. É um canídeo especial, como especial é quem mo 'emprestou'.

Sempre achei que os animais domésticos são, invariavelmente, muito parecidos com os seus donos. Experimentação com trabalho de campo e pimba: comprova-se a teoria.

Os momentos que passamos juntos são deliciosos. Não há palavras entre nós, há sim sintonias e estados de espírito partilhados em plenitude. Ele percebe os meus silêncios e o mimo salta na hora certa. E é retribuído com um prazer incomensurável.

Só há um senão: não lhe disseram, as vezes suficientes, que ele é um cão. E às tantas esquece-se !

Pudesse eu e não o devolvia...

Gufi, és filho dum guerreiro e isso nota-se!

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Nota Mental

1. Não perder a entrevista da Constança Cunha e Sá ao Jerónimo de Sousa, hoje no Jornal Nacional...

2. Não perder as seguintes.

(ontem foi um arraso ao Louçã, hi hi hi)

Bacalhau com Todos

Constato que, tivesse eu baptizado o meu belogue com esse nome, ou até Cozido à Portuguesa, porque não, e teria o triplo de visitas oriundas do google...ah pois teria!

:D

As Portas e as Janelas

Diz-se que Deus fecha uma porta mas abre uma janela.

Detenho-me nisto e analiso: o que difere entre uma e outra, enquanto metáfora que encerra um significado para além da semântica?

- a porta é mais alta e mais larga e tem uma função específica, de passagem: ou se entra ou se sai. Pode ficar entreaberta, permitindo liberdade de movimentos ou dando a entender as boas vindas a quem chega;

- a janela abre-se com o propósito de deixar que o ar circule ou que o sol banhe o soalho. Se o tempo está frio ou chuvoso tende a permanecer fechada. Se, pelo contrário, o sol brilha e a temperatura é amena, escancara-se a dita e o mundo caseiro amplia-se.

Posto isto o que quererá dizer a frase em análise?

A minha interpretação é livre e cheia de subjectividade (redundância). Retiro dali uma mensagem fundamental:

'não te detenhas perante uma porta fechada. procura antes a janela. usa-a com uma mão cheia de intuição, racionalidade q.b. e uma pitada de risco. saindo pela janela, podes sempre dar a volta ao destino, chegar à porta fechada e descobrir, assim, que ela abre por fora...'

Di Dixit!

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Viagem

Estou, neste momento, em viagem para longe, para terras quentes e solarengas. Não fui de avião. Apanhei um (o) coração.

Viagem boa, esta.

Quando mergulhar naquele mar, azul, não vou sentir na pele a temperatura tépida das águas mas vou, seguramente, sentir a imensidão do seu poder.

As sensações partilham-se através do amor. E não há formas, nem espaços. E os cinco sentidos são 10, afinal.

É esta, seguramente, a felicidade suprema: partilhar uma alma intemporal.

*


terça-feira, fevereiro 01, 2005

Futebóis...

Pois é, parece que o meu Sporting não ganhou ao outro, das riscas verdibrancas.

Eu não vi o jogo, como é hábito. Pouco percebo de futebol, para além do facto de saber que há 22 jogadores em campo, 1 bola, 2 balizas, 1 árbitro e uma incógnita de fiscais de linha com umas bandeirinhas pequenitas, seja lá isso para o que for.

De qualquer maneira, resolvi pegar no tema porque me parece que o vírus 'confusionis desorientantis' se instalou no país, não só na poplítica mas em todos os sectores, incluíndo este, do desporto rei (rei, é como quem diz...ou será rei, mas assim pobrezinho, com um reino equivalente).

O Sporting mas o Outro, vai à frente do Campeonato (parece que agora se diz Liga, mas detesto essa palavra porque me lembra sempre casamento/dinheiro/leilão, cuja 'liga' não liga), depois o Porto perdeu com o que está no último lugar, depois o Benfica ganha jogo sim jogo não e parece que não são os mesmos jogadores, mesmo sendo (isto são coisas que ouço dizer), depois o nosso Sporting (nosso porque, pelo menos a Miss Pearls é cá das minhas e o Statler Marreta parece que também) joga, joga, joga e não ganha.

E isto lembra-me o Campeonato Eleitoral (ou Liga ou o raio), que continua a ser jogado, taco a taco, pelos outdoors espalhados pela cidade, que se respondem uns aos outros à velocidade da 'cola' (que, ninguém me tira da cabeça, é snifada antes do acto criativo).

Enfim, isto até me dá gozo, confesso! Ou não...