quinta-feira, novembro 27, 2014

Fazemos O Que Somos OU Somos O Que Fazemos?

Há alturas nas nossas fugazes vidas em que somos mesmo o que fazemos: as pessoas que escolhemos; os caminhos que seguimos; os momentos que valorizamos; os passos que percorremos.

Tenho muitos medos, muitos.

De sofrer por ser pouco sensata.
De me atirar de cabeça para precipícios que conheço d'outras eras.
De ter arriscado para além do que o meu pobre coração pode suportar.
É fraco, ele, o músculo que aqui bate.

E se me falha, se me falha deixarei algumas lágrimas por aí.
E isso faz-me pensar se alguma coisa vale mesmo a pena.

A pena que escreve aqui diz-me que "nim", o que é paradigmático quanto ao referido sobre o medo, sempre o Medo!

Confissão

Confesso-me aqui, hoje:

Gostava muito do "TV Rural" e do Engº. Sousa Veloso (este verdadeiro, não como "certos" "outros" "alguns"), mas não pelo programa que apresentava que, convenhamos, era uma seca para crianças como eu, à altura. Gostava sim porque, e a seguir, viriam infalivemente os desenhos animados, a alegria suprema. Mas, curiosamnete, via o programa todo, todinho, à espera do "despeço-me com amizade" que achava, na inocência dos verdes anos, que era mesmo para mim e que, como tal, seria uma tremenda falta de educação não receber esse cumprimento.
É um bocadinho como na Missa, para quem celebra a Eucaristia percebe, sair antes do " Vamos em Paz e que o Senhor Nos Acompanhe".
Depois, depois acresce, que tenho pena, saudades, de tudo aquilo que começa a fazer-me perceber que as referências da minha infância/juventude partem, à rapidez dos momentos que eu própria vou partindo.
Não tenho quaisquer ilusões que, de facto, o tempo passa.
E que esse tempo me leva, minuto a minuto, para o outro lado.
É aproveitar enquanto a simples existência dum coração que bate no meu peito me deixa a oportunidade de aproveitar.
Enquanto Há!

terça-feira, novembro 11, 2014

11 do 11

Os Livros
Há-os para todos os gostos e para todas as fases da vida.
Em pequena (e por pequena leia-se com 6 anos) recebi o Livro da minha vida: "A Menina do Mar" de Sophia de Mello Breyner.
Mal sabia juntar letras e, sendo assim, corria atrás das imagens maravilhosas que ilustravam a história.
Ainda tenho esse livro, cheio de rabiscos meus, coloridos, em cima dos originais.
Este livro marca o início dum percurso feliz com literatura variada. Quando já conseguia juntar as letras e perceber as palavras que formavam as frases que davam sentido a um enredo agarrei-me às colecções que havia lá por casa: 1. "Os cinco" (todos); 2. "Os Sete" (alguns, que comparado com os anteriores...enfim, pobrito); 3. Perry Mason, todos; 4. Esqueci-me de pôr aqui no meio a Banda Desenhada que também me acompanhou sempre, em paralelo com os anteriores, e que inclui a "Mafaldinha" do maravilhoso Quino, "Michel Vaillant", "Astèrix", "O Príncipe Valente"; "Tin-Tin", etecétera; 5. Todos os livros da Colecção " 2 Mundos" onde conheci Steinbeck (paixão), Pearl Buck, Leon Uris, Irving Wallace (paixão), Hemingway, e outros tantos; 6. Finalmente os portugueses (ok, ok, Sophia é meio/meio), que demorei a gostar e mais ainda a perceber o porquê de "ter de gostar", fazendo a maior parte deles o contante da lista dos "obrigatório ler" em contexto aula, no Liceu.
Depois, fora esses, há o António. O Lobo Antunes.
Aquele por cuja escrita me apaixonei pelas crónicas, com o qual amuei por causa de alguns livros impossíveis, e pelo qual me voltei a apaixonar quando o reli, com esforço diluido através das páginas.
A ele dedico este texto (sei, ridículo porque nem vai saber, que se lixe), por ser para mim o maior escritor vivo.
António, ainda por cima...ou melhor, sobretudo!

quinta-feira, outubro 30, 2014

Outubro Acaba

E quase me esqueço que, há dez anos atrás, neste mês abri isto.
Comecei a escrever porque achava que era uma espécie de catarse possível, num momento de transição na minha vida.
E a verdade é que os blogues emergiam, nessa altura, como cogumelos, estando até na época deles, dos cogumelos.
Atrapalhei-me toda, no começo. Mantenho o registo de trapalhona, no contínuo.
Fechei isto durante uns tempos, guardando no entanto o que fui escrevendo.
Voltei depois, enfiei aqui tudo o que preenchia esse "gap" temporal, sem acesso aos comentários entretanto deixados.
E mantive o Semifrio (acrescentado-lhe um "7" para conseguir recuperá-lo, não sei bem porquê).

É uma porcaria? É.
É a minha porcaria? É.

Gosto dele, pronto.

E faz dez anos este mês!

Parabéns Semifrio, Quase Quente, parabéns!

sexta-feira, outubro 24, 2014

Permitir-se Coisas

É de manhã
Acho
Não juro
Por estar escuro

Antes?
Presentes
Ardentes

Coisa de amantes
Solventes
Corpos fluentes

Forças desconhecidas
Emergentes
Desconcertantes

Há harmonias que só os corações entendem
Essas sentem-se
Simplesmente
Sem porques nem porquês

Resumo
Permitam-se Coisas
Porque Sim

segunda-feira, outubro 20, 2014

Ai, O Amor!

O Amor tem "coisas e loisas"
Que nos toldam corpo e alma
Abalam crenças
E principalmente descrenças

Depois vem um calor
Bom, este ardor
Acordado lá de longe

Que ampara e recupera as coisas
E as loisas
Agora sem aspas

Que essas já não fazem sentido
As aspas
Porque é tudo muito aqui
Feliz e pleno, profundo

Mais, rejubilante!

(é, desculpem qualquer coisinha, mas a alguém apaixonado perdoa-se tudo, certo?)




sábado, outubro 11, 2014

Ele Há As Ironias Nisto Dos Belogues

E depois há aqueloutras, verdadeiramente irónicas, verdadeiramente traiçoeiras porque deixam uma sensação agridoce no palato e que nos remetem a pensamentos profundos, mesmo sendo pessoas dadas à superficialidade, porque afinal somos todos isto, só isto:

Brinquedos nas mãos duma Conspiração lá nas Estrelas!

quarta-feira, outubro 08, 2014

As Leis Falaciosas

Já era altura do Estado, que com o mérito devido penalizou legalmente o abuso dos animais, lembrar-se que também é um abuso (o maior) haver muita gente que não pode pagar os cuidados básicos do seu companheiro de quatro patas, que faz parte da família, que é muitas vezes o pilar da harmonia (e não, não exagero...aquele amor incondicional une todos como mais nada que me ocorra).
E pensar em arranjar Hospitais Públicos, com a responsabilidade que tem que haver de separar o trigo do joio - quem pode, paga, quem não pode...bom, NUNCA pode ser o animal a pagar com a sua própria VIDA - porque é isso que está em jogo, quando não há como suportar os custos de internamentos, operações e, principalmente, alívio de sofrimento.
Têm noção de que até para mandar abater (assim, a seco, percebe-se melhor) se tem de pagar? Pagar para acabar com a vida dum amigo que criámos de bebé, que faz parte de todas as dinâmicas familiares, que nos faz felizes e se sente ainda mais feliz só por isso?
Vale a pena pensar de que serve a nova lei, se depois é isto.
(o tratamento da Mousse, de dia 29 de Setembro até hoje, ultrapassa os 1.200€ e, tendo ficado diabética, de duas em duas horas tenho de cuidar dela, como se fosse profissional de saúde animal que não sou, porque seria incomportável mantê-la internada...)

Nota de Rodapé: Já lá vão mais de 1.200€ em pouco mais duma semana; não sou comunista nem socialista; sou sociaL-DEMOCRATA e não, não acho que todos devam pagar os custos da saúde da mesma maneira...é ver os rendimentos e pimbas!

domingo, outubro 05, 2014

Hoje Celebram-se 871 Anos de Portugal.

É muito ano.
Começámos com um Dom Afonso Henriques, um bocadinho marado da pinha (diz-se que batia na mãe!!!), facto histórico sobejamente conhecido, mas que, para o bem e para o mal, é o responsável por sermos uma Nação, um conjunto de pessoas com a mesma identidade, felizes mesmo nos momentos piores, com muitos momentos de esplendor (lá diz o nosso Hino), com as nossas idiossincracias maravilhosas, povo único que somos.
Bom, serviu este intróito para afirmar que, monárquica assumida que sou, filha de monárquicos, que são, escapei a um tormento no momento em que nasci: chamar-me Urraca.
Sim, era o nome sonhado pelo meu pai, que exagerou na "monarquice" a esse ponto.
Fiquei Maria.
Da Graça porque o acaso dum nascimento duma filha da melhor amiga da minha mãe ter nascido uns dias antes de 11 de Julho de 1964 e, descaradamente, ter roubado o meu nome, Maria.
O porquê da Graça depois ninguém me sabe explicar.
Acrescento isto e fecho o poste: hoje não saberia ser outra coisa, senão uma graça!

sábado, outubro 04, 2014

Hoje É Dia De São Francisco De Assis

Patrono dos animais, protector dos nossos amigos incondiconais.
Acontece que HOJE eu tenho-lhe feito a vida negra, chata que sou, aflita que estou.
A minha situação de versão draft pode ser explicada agora. Tenho uma cadela de 7 anos, feitos a 11 de Março p.p.
A Mousse de Chocolate de Leite e Aragão (o nome de registo na Junta de Freguesia de Alvalade), ia-me morrendo na Segunda-Feira passada, por neglgência grosseira do veterinário que em má hora escolhi.
Esteve até ontem internada num excelente Hospital, longe daqui de casa, mais propriamente em Alfragide, sítio que só conhecia de há muitos anos, quando re-encontrei um IKEA (lê-se Ikêê(i)áá), que conhecia de Estocolmo, lá para 1986, quando lá vivi.
Já me perdi, caracinhas, porque lembei-me da Veneza do Norte e do nascimento do meu primeiro filho, em 88 desse século, por terras dos Elfos e das criaturas míticas das florestas - os suecos acreditam mesmo que existem, para que conste - ah, e acrecento, eu falo e escrevo aquela língua que só parece estranha mas é uma música de partitura fácil, muito fácil, pelo menos para mim, que aprendi solfejo, piano, viola e canto gregoriano.
Bom, voltando ao princípio e à Mousse, ela veio mesmo ontem, para casa, mas tem sido um martírio. Veio diabética, insulino-dependente, com obrigatórias medições de níveis de glicémia que rebentam com o leitor da dita.
E eu, que não sou das saúdes, que sou dos direitos, que não sei como "enfermar" (de "enfermagem", sehor(a) mais avoado(a) ), ando aqui num virote para que ela não me morra, de hiper, mas principalmente de hipo-glicémias e a angústia é muito grande porque acho mesmo que não vou ser capaz.
E explico: hoje fui buscar a máquina medidora disso da glicémia e, achando que estava a funcionar mal, quase a deixei exangue, antes de resolver telefonar desesperada ao tal Hospital.
Perguntaram-me logo porque raio achava que a coisa não funcionava e eu disse: olhe, porque já a espetei 9 vezes (só me sobra uma tira, até amanhã) e aparece um erro qualquer...em vez dum número aparece H1...eé um erro, portanto. E vai a minha interlocutora muito depressa a atropelar as palavras...óóó, por favor, dê-lhe já a insulina, já já. É que isso, do H 1, quer dizer que a glicémia da cadela está tão alta que não tem leitura.
Pronto, estanquei os pés no chão, cheio de pingas de sangue dos teste repetidos, dos ganidos de dor e pensei:

São Francisco, é mesmo agora que Ela precisa de Ti...

E é assim, vou ter de acordar a meio da noite de hoje, daqui a pouco portanto, para ter a certeza que a dose de insulina extra que lhe enfiei é a cura e não a morte.

Rezam comigo?

sexta-feira, outubro 03, 2014

Poste Em Construção

Dá-se o caso de algumas coisas na minha vida estarem em versão draft e, como tal, não poderem,ainda passar disso.

domingo, setembro 28, 2014

Acho Mesmo Inacreditável, Miserável Mesmo...


Ainda Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa "apropria-se" do Fórum Lisboa (onde funciona a Assembleia Municipal, relembre-se), e faz do local a sua Sede de Campnha.
Uma verdadeira VERGONHA, Sr. Presidente, uma ENORME VERGONHA!
(e sim, estou mesmo ingignada com esta palhaçada, como lisboeta, como não socialista - e ainda que fosse - e pensando no resto dos meus compratriotas espalhados pelo País, porque Portugal não é uma "alface")

sexta-feira, setembro 26, 2014

Há Sempre Aquela Postura "Blasé"

Que pode ser um pau de dois bicos - já repararam como esta expressão tão nossa pode ter leituras menos próprias, ou sou só eu? - porque, o facto pessoas, o facto é que essa pose, esse engano que trespassa nas palavras, destrói em segundos o que poderia ser uma fonte de aproximação aos leitores e fazer crescer a vontade de ter seguidores, muitos, como se quer para ser gente por aqui (pode-se rir?), na tão vazia de propósitos vontade que não seja os absolutamente egoístas, de pôr aqui o que nos vai na real gana (mas em sério, em verdadeiro, que há bonecos por aí que num s'áuguentam Deusmalivre).

Pensem nisto.

quinta-feira, setembro 25, 2014

Da Partilha Nisto Dos Blogues

Para que serve esta ferramenta, graciosa, disponível para todos, fácil de criar e operar, que não tem qualquer segredo mesmo para qualquer info-excluído?

Serve somente para podermos ser o que quisermos, despejar prosa sem sentido para mais ninguém que não o próprio, que quem quiser ler, lê, mas sem qualquer pretensão de avaliação externa.

(Nelas, emigrante sequestra devedor de 14.000 euros, com moto-serra, já está preso, ao que parece. E não, não vejo TV portuguesa, nem notícias, mas a mana mais nova telefona a interromper este poste que é só meu, reforçando tudo aquilo que disse atrás, porque sim, escrevo para mim, desde que comecei)

Aliás, houvesse avaliação de todos os belogues da praça e seria profissão, não ser bloguer, mas isso de ser O Avaliador dos ditos (e agora soltei uma gargalhada que, queres ver, ainda aparece um nicho de mercado para isso e lá se me vão os créditos pela magnifica idéia).

Bom, resumindo, eu sempre escrevi para mim porque isto não é nem mais nem menos do que uma página perdida na web, solta e fresca e, por acaso, um dia tive uma epifânia para um programa de rádio sobre "Blogues Anónimos" e até acho que escrevi sobre isso, algures lá muito para trás no tempo, que sim, que eu sou antiga nisto (e noutras coisas), mas ninguém me ligou pêva e com toda a razão porque soube de fonte segura que houve um programa, não de rádio mas de TV, abordando essa temática e que foi uma coisa muito parola, muito triste e assim...

Ah, esquecia-me: estou muito apaixonada e feliz, mas isso só me interessa a mim, certo? Certo!

(e não, não é amor novo...é amor desencontrado de há 35 anos atrás. Mais bonita conspiração do Universo não haverá - coração - abençoada, que sou)


segunda-feira, setembro 22, 2014

Isto

Este dito, tão lacónico quanto verdadeiro e que inventei há pouco, vai direitinho para uma mulher muito bonita "inside and out" :

"Só os Grandes Incomodam"

Pronto!

sábado, setembro 20, 2014

Poste Irritante (para poucos) Sobre Isso De Ser Mãe

Há 15 anos atrás estava à espera...e como esperava, ansiosa, a chegada do terceiro filho.
Passava do tempo, pelas contas do querido amigo obstetra, ele achava, eu negava porque sabia que não, que o tempo estava certinho.
E assim foi. Nasceu o meu último filho, às 5h58min. de amanhã.
A esta hora, nesse tempo quente de Setembro de há 15 anos atrás via eu na TV mais um episódio de "Ficheiros Secretos", lembram-se?
Pois.
De repente a sala tremeu.
E houve um pequeno sismo ali para Cascais, noticiado imediatamente na SicNotícias.
E eu afogueada...e se vem outro e fico aqui, em escombros, logo agora?
Foi remédio santo.
Às 4h30 da manhã rumei a casa dos meus pais, deixando com eles os mais velhos.
Depois, Hospital e, passado uma hora tinha o meu bebé nos braços.
Lindo como os manos.
Tão lindo que, como das outras vezes, chorei a benção, feliz!

Resgatar o Tempo

Gosto muito disto, dos blogues.
Principalmente dos dos outros.

sexta-feira, setembro 19, 2014

Profíquidade

Prometo ser mais profíqua nisto das postagens, porque para além de poder deixar o rasto da minha mísera qualidade de bloguer, que isto de ser anciã não é estatuto (certo PMS? certo), apetece-me voltar às lides das palavras soltas, da parvoeira dos dedos nas teclas, da parte mundana que é isto, de blogar.

Tenho muitas saudades de alguns comentadores muito antigos, como eu, que passavam sempre por aqui, deixando-me pérolas preciosas, como são todas, as pérolas.

Sinto falta dum em especial, que me mimava sempre com poemas ou simples ditos, todavia plenos de maravilha: o Pólux/Pólux2/Zénite(?), que entrementes fugiu, deixou a Voz da Pedra, sumiu-se.

Se ainda existes, diz qualquer coisa.

Os teus "responsos" enriqueceram isto muito...e há que voltar!

Repost Dirigido

Estando na ordem do dia os postes sobre a Escola e as escolhas (Sim minhas queridas Palmier, Mironinha, Nê Mê, Uvinha e xaxia), vou aqui por isto de novo, porque sim:

Segurança e Escolas Públicas!

Até posso parecer bem disposta, dado o teor do meu último 'poste'.

Não é bem assim.

Hoje, das 15h40' até às 16h30' vivi uma angústia que não desejo a ninguém.

Com o meu filho do meio (sempre ele...) que se estreou, este ano, na antigamente designada por Escola Preparatória e que hoje, percebo porquê, mudou o nome para Básica 2+3 que dá 5...(que se isto é preparar para qualquer coisa, só se for para a vivência antecipada duma liberdade despropositada, dada a idade e (i)maturidade de quem lá anda...enfim, vou ali já venho).

Eu explico.

Como sempre, meti-me no carro e fui buscá-lo.

Normalmente já está prontinho, à hora marcada, esperando a minha chegada.
Não estava.
Aguardei.
5'...10'...nada!

Vi uns colegas e fui ter com eles:

_ Olá meninos. O Martim?
_ O Martim faltou à aula da tarde. Não apareceu...

Neste momento, o coração começa a saltar-me pela boca. Ele tem, às 2ªs, aulas das 8h10' até às 13h10', depois é suposto almoçar na cantina e ter Educação Física das 14h40' até às 15h40'.

Saio disparada do carro, em direcção ao portão da Escola.

A senhora da portaria tem dificuldade em perceber quem procuro. Não faz ideia, são muitos meninos.

Explico-lhe a situação, que os colegas acabam de me dizer que o meu filho saiu do recinto escolar, à hora do almoço, coisa que não está autorizado a fazer e que consta lá do Cartão xpto que eles inventaram...e que foi visto por outros colegas no McDonalds de Alvalade com outras crianças, desconhecidas da Turma.

O pânico intala-se aí, verdadeiramente.

Já são 16h e ninguém me sabe explicar onde pode estar o meu filho. Que deve ter ido a casa dum amigo, que deve estar perto da Escola, a lanchar, que deve estar bem. Basófias...

Eu QUERO o meu menino de volta. Só tem 10 anos. Está naquela nova instituição, que o devia abrigar, há menos de 2 meses. Vem da Primária. É um menino pequenino. Por favor, quero respostas...

Nada.

Telefono para casa, na esperança que a empregada me diga que ele chegou lá pelo seu próprio pé. Ainda tenho da a aturar, em histeria, porque não...não está lá.

Com isto são 16h30' e nada.

Pego no telefone e marco o 112, em desespero.

Quando estou a falar com a Polícia, ouço um grito.
A Beatriz, amiga do Martim, diz-me que o vê...que está a sair do Metro e vem aí.

Nesse momento quebro. Desfaço-me em lágrimas e não me sai um único ralhete. Tenho-o guardado para mais tarde. Aperto-o com força, o meu menino. Está nos meus braços e chora convulsivamente por me ver assim, pequenina como ele.

Pede-me desculpas, sinceras...
Mas que se lembrou de ir ao Colombo (muito longe de Alvalade), com o amigo Francisco, ver as lojas. O Natal.

Quando cheguei a casa, resolvemos os castigos, severos.

Amanhã, às 8h, vou resolver aqueles que infligirei à Escola, a que confiei o meu Martim.

Às 8h, nem mais um minuto, terão de me ouvir.
E o raspanete será em dobro, em relação ao que o meu irreverente e destrambelhado filho do meio ouviu.

Porque não é uma criança que comigo vai dialogar. É o Exmo. Sr. Presidente do Conselho Executivo. E vai ser a doer...