sexta-feira, novembro 24, 2006

O Que É o Amor?

No meu périplo diário pelos meandros da internet encontrei, por acaso, um blogue que, ao que parece, lançará brevemente um livro que fala do tema. O que é o amor?

Eu acrescento 'raio do' entre 'é' e 'o amor'.

E explico.

Que raio é o amor ?, pergunto-me!

É uma coisa egoísta, feia, manipulável, manipulada, construída, auto-inflamada?
É uma coisa altruísta, feita de dádiva, simplicidade e compreensão?

É as duas coisas?

Não é nada de coisa nenhuma?

É imaginação fértil ou necessidade física?

Tenho para mim que o único e verdadeiro amor profundo e gratuito que existe é o filial: pais por filhos, filhos por pais...ok, acrescentem irmãos às vezes...e até primos e amigos, outras tantas.

De resto, o amor é hoje o que não é amanhã.
Temos pena...*

*comprovado cientificamente por A+B

quarta-feira, novembro 22, 2006

Olhar para Trás.

Correr a olhar para trás é um risco.
Das duas uma:

_ corre-se desenfreadamente sem nunca voltar a cabeça;

_ caminha-se, parando por vezes numa sombra qualquer, questiona-se o caminho e segue-se em frente. Devagar, sem tropeções...com o mapa reescrito as vezes que for preciso!

terça-feira, novembro 21, 2006

Natais Difíceis...

Já tive alguns, por partidas e ausências dolorosas. Definitivas o que exponencia a dor.

Desta vez a estreia é outra, não menos dolorosa. Vai ser o meu primeiro Natal e Ano Novo sem os meus filhos...e eles não vão estar ali ao lado, não. Vão estar loooonge, longe.

Seria insuportável, não tivesse eu encontrado alguém que, como eu, quer partilhar este momento de mão dada. Na solidão parental, mas com o amor escolhido, em amparo e mimo.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Quando Convém...

A astrologia é uma ciência, experimentalmente comprovada, cheia de racionalidade e lógica:

Previsão de 20 a 26 de novembro

O canceriano vive uma semana voltada para as parcerias, sejam elas de trabalho ou mesmo sua parceria com a pessoa amada. Sua intensidade emocional está fortíssima nestes dias e você precisa controlar o excesso de ciúme. A vida sexual está em alta. Se estiver sozinho, sentirá algo muito intenso por alguém que aparecer na sua vida.


:D

(ai eu...)

domingo, novembro 19, 2006

Astros!

Só distingo um, no meio da miríade infinita que preenche o céu. Aquele que os conhece como ninguém e que, mesmo longe, está aqui comigo, de mão dada.

Olhamos o firmamento e firmamos o amor.

Tantas histórias me vais contar, tantas...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Voltando à Crónica...

Parece-me que estar doente (assim só doentinha) pode ser um bálsamo. Abranda-se a vida, necessariamente. Corre-se menos. E percebe-se que o mundo não pára se ficarmos 3 dias em casa, num dolce far niente que enriquece o espírito e retempera forças e ânimo.

Estes dias têm sido reveladores de muita coisa. O balanço? Positivo.
A aprendizagem enriquecedora só se faz em travessias de desertos, descobrindo oásis.
Achei que ia morrer de sede. Deitei-me na areia quente e, quando acordei, estava uma fonte ali, mesmo ali. E bebi dessa água. Retemperei a força e, além de sobreviver, vivo! É que faz toda a diferença.

Para os meus Amigos que me deram a mão fica a gratidão eterna pela força, sabedoria e sensatez que me passaram. Nunca vou esquecer.

Para aqueles que acham que gostam de mim mas nem sabem o que isso é (acontece), pensem melhor e se acharem a saída do labirinto do engano, apitem.

Continuo a perseguir o sonho de ser completa, umas vezes feliz outras nem tanto.
Vou lembrar-me todos os dias de me mimar. Hoje, por exemplo, mimei-me duma forma que parecerá estranha: deitei fora muita coisa, sendo coisa bens que nada valem, que nada me dizem, cujo significado se perdeu no tempo.

Olhando para o caixote que pus na minha rua (atenção, chamei a câmara porque tenho preocupações ecológicas), perto da porta, vejo partir uma miríade de sensações.
Alívio.
Tristeza contente.

Entretanto leio os livros dos outros e vou escrevendo mentalmente o meu. Tenho acordado cedíssimo e venho a correr escrever as memórias dos sonhos que me povoam a noite. Tanto que se aprende, prestando atenção.

E uma paz estranha invade-me, dizendo-me que o caminho é este...

quinta-feira, novembro 16, 2006

Chegou Hoje a Encomenda!

Tinhas feito a encomenda há mais de um mês.
Esperavas em vão pela entrega que não chegava.

Talvez porque o tempo tem um tempo que só o tempo tem,
hoje chegou-te.

E as outras mãos que sabia existirem lá estavam. Envolventes. Que me arrebataram o coração dum fôlego só, sem nunca me tocarem. Que me fizeram ver, de novo, as estrelas que pensava não haver mais.

Estou atenta ao céu...

Ainda e a Propósito!!!

Mãos há muiiitas, sua palerma.

É a gripe, a febre e os antipiréticos que me fazem isto.

Sorry!

(amanhã melhoro, espero)

terça-feira, novembro 14, 2006

Instantâneos!

Assim, do nada, lembro-me das tuas mãos...
Belas mãos tu tens.

Eu gosto de mãos assim, fortes e delicadas, cheias de ternura e amparo...

domingo, novembro 12, 2006

Aniversários.

Há-os de quase tudo.

À cabeça, os de nascimento, de casamento, de morte.

Valorizam-se a si próprios só porque o calendário os aponta.

Hoje é, para mim, um aniversário atípico, em que duas mãos encontraram a terceira e quarta que, num abraço, mudaram rumos.

Mas isso, do aniversário, é celebrado todos os dias, enquanto houver memória.

Reposição!

Triste sina
A dos amantes não recíprocos
Triste fim
Triste dessincronia de corpos
Complexa troca de tempos
Em que o amor de um
Se perde no outro


Tentativa de poema.
Criado por mim em Março deste ano.
Curiosamente, relido, encontro-lhe talento. E sentido...

sábado, novembro 11, 2006

11 do 11

São Martinho



Num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante e gelada.
S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo.
E, apesar de mal agasalhado e de chover torrencialmente, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade.
Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor.
Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso.




Lenda tradicional

quinta-feira, novembro 09, 2006

quarta-feira, novembro 08, 2006

Acasos?

Só posso achar que os acasos não serão bem isso.

A minha percepção das coisas que parecem aleatórias é crítica, sempre.

Talvez seja só, unicamente, a esperança a vencer-me.

terça-feira, novembro 07, 2006

A Dança da Vida

Nem sempre tem a melodia certa.
Por vezes, a desarmonia é tanta que trocamos os pés nas valsas e rumbas.
Outras, mesmo na harmonia dos acordes, tropeçamos nos nossos próprios pés.
Antes tropeçar nos do par. Esse, felizmente, podemos trocar.

Eu tenho tendência a não precisar de par para que isso do tropeção aconteça. Basto-me a mim própria, no dejeito do balanço e na queda lá do alto.

(e não há tempo para aulas de dança)

sábado, novembro 04, 2006

Lembrete

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

sexta-feira, novembro 03, 2006

Memórias

Não escrevi ontem porque o destino me pregou uma partida e me impediu de o fazer aqui.

1 de Novembro, dia de Todos os Santos
2 de Novembro o Dia dos Mortos (em descanso)

Dias de espíritos maiores...dias mágicos!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Ritos...

Os ritos são intercâmbios, sequenciais e previstos.
Transacções sem surpresas.
Usam-se para obter a falsa segurança de que muitas vezes julgamos precisar e outras tantas nos dizem, convencem ou ensinam que precisamos.
Os ritos têm diversas intensidades. Desde a religião, a “cultura”, os aniversários os dias da mãe, etc., até ao simples rito do “olá vizinho, como vai?”

É importante criar comissões que ensinem os nossos vizinhos de cada bairro a responderem adequadamente a esta pergunta. No meu bairro, pelo menos, a resposta adequada a “Olá como vai?” é:
-olá como vai?
No caso do vizinho mais próximo, poderá responder-se:
-bem e o senhor?
Neste caso, o diálogo deverá continuar assim:
-bem, obrigado.
Fim do encontro!

Conselho: nunca te passe pela cabeça responder ao teu vizinho como estás quando ele te pergunta como vais. Correrias o risco de não tornar a ser cumprimentada, e poderias chegar a ser expulsa do bairro.
Do seu ponto de vista, Leo Buscaglia – no seu livro” Viver, amar, aprender” – conta uma coisa parecida. Buscaglia pergunta porque é que as pessoas, quando sobem num elevador, se colocam de frente para a porta. Todas de pé com as mãos pudicamente afastadas de toda a possibilidade de roçarem com os demais.

«Quando eu entro num elevador, nunca me volto para a porta. Em geral, coloco-me em frente de todos e olho para eles. Às vezes, digo:
- não seria maravilhoso que o elevador ficasse parado durante horas e nos desse tempo de nos conhecermos?
A resposta é sempre a mesma. No andar seguinte, toda a gente sai do elevador aos gritos:
- está aqui um louco que diz que quer que o elevador fique parado!»

No que diz respeito, confesso publicamente que tenho um ritual.
Detesto os ritos. Detesto-os a tal ponto que nunca dou prendas de anos (excepto às crianças, para quem os dias de anos têm muita importância). Nunca recordo nenhum aniversário. Há muitos anos que não professo qualquer religião, nem visito cemitérios. Deixei de contar há quantos anos é que…
Ser tão anti-ritualista é decididamente um rito."


Jorge Bucay

Tem piada. Identifico-me com este texto mas tenho medo de elevadores. Paradoxos, again...