quarta-feira, dezembro 21, 2005

"Docinha"

Quero cobrir o corpo de mel,
Ser apetecível e doce,
Conseguir que me amem assim,
Sem fel.

Vou ser Amante,
Amor,
Amada,
Amar.

Vou destruir a Torre,
Reconstruir o Castelo,
Construir a graça,
De ser verdadeira.

Lá no fundo, bem no fundo,
Até o exógeno é dispensável,
Está tudo lá,
Esperando quem entenda.

O vidro parte-se.
Eu também.
Depois os cacos,
Recolhidos e colados,
Fazem uma obra d'arte.

Quem não sabia,
Fica a saber...

Dormir!

É das coisas que mais prazer me dá.
Embrulhada em sonhos, sou a realizadora dos enredos,
Faço os guiões,
Escolho os actores.

Às vezes foge-me o final das mãos.
E acontece o inesperado.

Sonhar é como a vida. Por muito planeado que seja o argumento, as cenas e os intervenientes mudam todo o sentido pretendido.

Umas vezes para pior. As mais das vezes o final é surpreendente. Belo!

(o Natal já passou?)

terça-feira, dezembro 20, 2005

Simplicidades!

Tenho esta ideia de que as pessoas são felizes em proporção directa à sua simplicidade.

As que questionam pouco e aproveitam a vida como ela é.
As que não perdem tempo com elaborações mentais sobre os acasos e seguem a direito.

Não deixam que tempo passe por elas, usam-no. Não em análises inóquas sobre merecimentos ou desmerecimentos. Não na justiça das coisas.



Bacalhau com couves numa mesa de consoada simples. E temos o verdadeiro NATAL.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

De Olhos Fechados

Caía uma chuva muidinha
Dum céu cinzento que não era
Parecia, procurando sintonia comigo
Com a alma de quem vê
De olhos fechados

Auroras difíceis estas
Em que a ilusão se apodera, sem misericórdia
Dos sentidos que não há
Da sensibilidade torpe
Do mundo ao contrário

Estava sol afinal
Enganoso, o maldito
Porque teima em não cumprir
E em aparecer, extemporâneo
Sai sol, sai e deixa a lua reinar...é com ela que me entendo.

Estar triste é um direito!

domingo, dezembro 18, 2005

Poste A Pedido!

















A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

Alexandre O'Neill



(a metade da lua como testemunha, num longínquo fim de tarde de estio)

sábado, dezembro 17, 2005

Jantares de Natal

Hoje tenho outro.
Estou absolutamente farta.
Se o vinho for do bom, pode ser que me esqueça que lá estou.
Se for mau, também!

Hoje estou com um orgulho emproado.
O meu mano mais velho, arquitecto, deu uma entrevista ao Expresso (Revista)!
Não me disse. O estúpido. Descobri lendo...
A semana passada ao Independente.

O mano Miguel é uma estrela :)
É pena que nunca tenha percebido que crescemos, e me trate exactamente da mesma forma como há 30 anos atrás...

Sufixos A Eliminar

Ali em baixo, um comentador pediu-me para visitar o seu blog no sentido de participar de uma votação que lá tem a decorrer.

Como sou magnânima fui e cliquei na bolinha da minha opção de "Como Reconquistar uma Mulher"

Fi-lo por simpatia porque, na verdade, a pergunta que se faz encerra à partida um enorme equívoco.

É o re que lixa aquilo tudo.
Acredito que há sufixos que não fazem falta nenhuma e são despropositados. Este é um deles.

Que leva, as mais das vezes, a círculos viciosos de onde é difícil sair...

Nota: para que conste, votei na última opção que dizia "arranja outra"

sexta-feira, dezembro 16, 2005

A Questão é Premente

O que fazer com a pila do homem (em sentido figurado, obviamente) que penetrou uma bébé de 50 dias. Para além doutras sevícias cujas sequelas, a sobreviver, a acompanharão toda a vida.

E que por um acaso triste (e só por um acaso, acredito), é a junção dum espermatozóide que saiu daquela mesma pila e que se juntou a um óvulo duma fêmea que, ao fim de nove meses, expulsou o parasita, no caso uma menina que nunca sequer chegou a sê-lo.

Desculpem a crueza das palavras mas nada, mesmo nada, me chocaria mais do que aquilo que aconteceu com a Fátima Letícia!

Dizem que a progenitora (contive-me para não dizer parideira) poderá sofrer de deficiência mental ligeira.
Eu diria que é uma evidência. Que não lhe retira nem acrescenta humanidade, porque isso é outra coisa e nada tem a ver com os 'diferentes', pelo menos na sua grande maioria.

Sou uma pessoa pacífica, mas que tenho ganas de brincar às 'salsichas frescas', tenho!!!



Quanto à Festa Acidental, foi de arromba...e mais não digo!
Ou talvez diga, amanhã...

(um beijo aos meus queridos Rodrigo Leão e Paulo Abelho que não via desde os tempos de Liceu e que ontem tive oportunidade de abraçar)

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Hoje é Dia de Festa

D'OAcidental

Frágil
23.30

Aberta a dextros, canhotos e ambidextros...

Nota: parece que quem escreve com os pés ou com a boca também é bem vindo!

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Amadeu Baptista, Poeta Vivo

(também o tradutor do poema do post abaixo)


O armário onde guardo os botões cor-de-rosa
fica neste lado da casa, coloquei-os
dentro de um boião azul e sempre que os vou procurar
encontro coisas de outra cor, quer dizer,
encontro botões com outras tonalidades
que nada têm a ver com o azul ou com a cor
rosa, mas antes com a cor que tem um prado
meia hora antes de amanhecer, ou com um rio
que se esqueceu de adormecer depois da hora combinada,
exactamente dois minutos antes da meia-noite.
Por esta razão a minha mãe desistiu de me ensinar os tons
do arco-íris e diz que sempre que eu quiser aprender as cores
devo ir procurar no relógio de pulso do meu pai
que, como toda a gente sabe,
nunca se atrasa nem nunca se adianta.

Ritsos

(hoje, pela mão dum desconhecido amigo, conheci este poeta e este poema, que me foi dedicado)

SEMPRE


Começamos uma conversa – fica a meio.
Começamos a construir um muro – não nos deixam terminá-lo.
E a nossa canção, dividida.
Tudo acaba no horizonte.

Sobre as oleados passam em manadas as estrelas
às vezes cansadas, às vezes amargas, no entanto seguras
pelos seus caminhos, e pelos nossos.

E o dia, até ao mais injusto, deixa-te no bolso
uma bandeirinha azul e branca da festa do mar,
deixa-te uma rabanada de ar limpo
deixa-te na vista a graça dos olhos
que contigo olhavam a mesma pedra,
que repartiram por igual a mesma dor, a mesma nuvem, a mesma sombra.

Tudo temos repartido, camaradas,
o pão, a água, o cigarro, a pena, e a esperança.
Agora podemos viver ou morrer
singelamente com beleza – com muita beleza –
do mesmo modo que abrimos uma porta à manhã
e dizemos bom-dia ao sol e ao mundo.

Mais Um Record Português!

Os melhores travões do mundo, em TGV's


Só assim se explica que um comboio que circula a 300 km/hora, possa parar em todas as estações e apeadeiros deste nosso cantinho.

Estou maravilhada!

(e claro, está justificado o aumento do custo da obra que passou, numa semana, de 7,3 mil milhões de aérios para os actuais 7,7: pastilhas e calços)

terça-feira, dezembro 13, 2005

Hoje Foi Assim...

...amanhã, quem sabe.

Roubei este teste à "Geração Rasca"

http://www.purescore.com/

(criança não entra, ok?)

O meu resultado? 55!
Com um anjo a cantar Alleluia e tudo!

Quando, num teste sobre 'comportamento sexual' aparece um anjo é, no mínimo, preocupante! Gaita!!!

Uma Dúvida!

Alguém me explica a finalidade duma página chamada Ringo Friends, na qual me inscrevi há uns tempos não faço a menor ideia porquê (sei que fui convidada), e cuja password perdi no tempo?

É que, para além de não conseguir lá entrar, o site não explica pêvas.

Agradecida à partida!

Ah, pois, o endereço:

http://www.ringo.com

Bom!

Como, pelos vistos, há quem duvide dos meus dotes canórios, declaro sob minha honra que canto MUITO BEM!

(pelo menos a minha mãe diz que sim)

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Da Coragem

De arriscar de novo;
De agarrar a vida sem medo;
De ser feliz 3 segundos ou uma vida;
De poder dizer que o medo não ganha,
Esta luta em glória;

Pela felicidade que, efémera ou duradoura, não recuso. NUNCA!!!

E os frutos? Estão aí.

Ao som desta poesia que, sem música escrita, se presta a imaginar a que melhor calha:

Florbela Espanca


Os versos que te fiz


Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !


Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!



Outros versos houve que se cantaram.
Estes não.

Quem sabe não estão guardados para um dom meu, encoberto, que está na hora de libertar!

Importâncias!

Os outros d(n)as nossas vidas (e falo daqueles cuja relação é escolhida e não aleatória), nem sempre recebem de nós aquilo que até achamos que merecem.

Será mais importante sentirmo-nos bem com eles ou, pelo contrário, ter a certeza de que eles se sentem bem conosco?

É importante pensar sobre isto.

E não cair na tentação fácil de reduzir a conclusão a um singelo exercício de adição, escudando-nos num "ambas", redutor, como fuga ao âmago da questão!

domingo, dezembro 11, 2005

Assim se Escreve o Sentimento Maior

O amor é o amor

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!



Alexandre O´Neill
Poesias Completas
1951/1981

Novo Blogue na Praça!

http://falconety22.blogspot.com/

Visitem-no.

Bom Domingo, solarengo!

sábado, dezembro 10, 2005

O Natal Só Chega Dia 25!

E é porque tem de ser.

Nada tenho contra a data se tiver em conta o Deve/Haver com a festividade.

Foram muitos os mágicos.

Outros nem tanto.

Num deles morreu-me o avô Henrique. Noutro, o tio Zeca. Era criança e não lhes perdoei o extemporâneo da morte. Morressem no Verão e não era assim, difícil.

Bom, tirando isso, este Natal parece-me mais suportável. Porque, livre, totalmente LIVRE, vou seguir só os desígnios do Menino Jesus. Que nascerá, mais uma vez, 2005 anos depois.

E, os meus meninos, estarão com o Pai, longe de mim. O que fará o Natal diferente, vivido com a verdade da solidão do espaço que me permitirá olhá-lo de frente. Sem amortecedores.

Viva o Natal.